09 de julho de 2026
Política

Câmara adia os projetos polêmicos


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Malavolta Jr.
Sandro Bussola, Telma Gobbi e Fabiano Mariano discutem destino de projetos da pauta de ontem

Dois dos mais polêmicos projetos que estavam na pauta da Câmara Municipal de Bauru não foram votados na sessão desta segunda-feira. Os vereadores adiaram, por duas semanas, a apreciação do texto para regulamentar as Parcerias Público-Privadas (PPPs) na cidade. Também ficou para a próxima sessão a análise do pedido do prefeito Rodrigo Agostinho (PMDB) para reduzir de dez a sete anos o tempo mínimo no exercício do cargo para que servidores públicos efetivos incorporem o salário de funções de confiança em seus vencimentos.

No primeiro caso, o adiamento foi consensual, acordado entre todos os parlamentares. Paulo Eduardo de Souza (PSB) justificou que na próxima quinta-feira as PPPs serão tema de discussão na Semana Jurídica da Instituição Toledo de Ensino.

“O prefeito participará e será importante para enriquecermos esse debate, de extrema pertinência. O texto do projeto de lei municipal traz inovações que não são contempladas pela legislação federal”, pontuou.

Um desses pontos diz respeito ao valor mínimo das parcerias de longo prazo. A União estabelece o piso em R$ 20 milhões. Já na esfera local, a propositura que tramita pelo Poder Legislativo sugere R$ 1 milhão.

Em reportagem publicada na edição de ontem do JC, vereadores já sinalizavam a necessidade de aprofundamento nas discussões. Até porque o projeto tramitou com muita rapidez pelas comissões internas da Câmara e foi para a pauta de votação duas semanas após a leitura do texto em plenário, prazo considerado recorde diante da relevância do conteúdo da matéria.

Apesar do adiamento, as PPPs não devem enfrentar grande resistência entre os parlamentares. O único, até o momento, a se manifestar contra a proposta do governo municipal foi Roque Ferreira (PT).

CHAMADOS

 

A situação não é a mesma para o projeto que facilita a incorporação dos salários de cargos comissionados por servidores públicos. É grande a resistência contra a proposta em função dos possíveis impactos orçamentário e previdenciário provocados pela mudança, acordada pela administração junto ao Sindicato dos Servidores Públicos Municipais (Sinserm).

O assunto será debatido durante o intervalo regimental da próxima sessão parlamentar. Líder do governo, Markinho da Diversidade (PMDB) confirmou que serão chamados para a conversa, além do prefeito, os secretários municipais de Finanças e Administração, Marcos Garcia e Célio Bucceroni, além do presidente da Funprev, Donizete do Carmo dos Santos.

Críticas à incorporação

Hoje, um servidor de carreira precisa ocupar uma função de confiança por dez anos para incorporar, integral e irreversivelmente, o salário do cargo comissionado. Se o projeto for aprovado, o tempo cai para sete.

Até 2006, esse intervalo mínimo era de apenas cinco anos. O prazo foi dobrado durante a gestão Tuga Angerami. Líder da oposição, Lima Júnior (PSDB) era vereador à época e classificou a mudança como um ato de coragem tanto do Executivo quanto do Legislativo. 

“Acabou com o rodízio. Antes, um funcionário ficava por cinco anos e, já com a incorporação garantida, saía para outro entrar porque não havia mais qualquer motivação para ele se manter na função de confiança. Então, ele voltava para o cargo de origem e ganhava o dobro do que seus colegas, gerando distorções e insatisfações. Aprovar esse projeto é um retrocesso. Estamos indo na contramão das regras aplicadas pelo Estado e até pela União”, relatou o tucano. 

Já Sandro Bussola (PT) e Moisés Rossi (PPS) deram ênfase à atual conjuntura econômica e às dificuldades financeiras enfrentadas pela cidade. “O prefeito manda um Refis para a Câmara por conta do risco de as contas da administração não fecharem e, ao mesmo tempo, quer aumentar o gasto com a folha de pagamento”, criticou o petista.

Em razão da intensa pressão do funcionalismo municipal, vários parlamentares reiteraram que votar contrariamente ao projeto não significa ser contrário à valorização dos servidores.

Mudanças no Conselho Tutelar geram críticas

Os vereadores aprovaram ontem o projeto de lei que altera as regras para a eleição dos Conselhos Tutelares de Bauru, adequando-as à nova legislação federal. Dentre as mudanças, estão a universalização do voto (todos os eleitores de Bauru poderão escolher os próximos conselheiros) e o fim da prova teórica aplicada aos candidatos, como adiantou reportagem do Jornal da Cidade publicada na semana passada.

A votação foi interrompida, porém, para que uma emenda, assinada por todos os parlamentares, garantisse a volta da prova no próximo pleito, que ocorrerá em 2019, já que os mandatos dos Conselhos Tutelares passarão a durar quatro anos.

A eliminação da prova só foi admitida para a eleição deste ano por conta do prazo enxuto para que houvesse tempo hábil para a votação – que deve ocorrer em outubro – e a posse dos novos conselheiros no dia 10 de janeiro de 2016, data unificada determinada pela União. 


Muitos parlamentares criticaram o fato de a administração municipal não ter dado a atenção devida para o assunto, enviando o projeto de lei com as mudanças impostas pela União em cima da hora. O texto começou a tramitar no mês de junho, quando o Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente (CMDCA), em tese, já deveria ter dado publicidade ao edital do processo eleitoral.

Na última semana, o promotor da Infância e da Juventude de Bauru, Lucas Pimentel, se reuniu com vereadores e representantes do governo, pedindo celeridade no processo.