09 de julho de 2026
Articulistas

Domingo-feira

Sinuhe Daniel Preto
| Tempo de leitura: 2 min

Outro dia, um aluno me perguntou por que os dias têm o léxico ‘Feira’ após seus numerais e, ao pesquisar, encontrei “Feria”. Constatei que eram celebrações a Deus, a Cristo. O sábado é sabatina, a prova, o jejum, e o domingo, a celebração maior. E amanhã é domingo e pede cachimbo? Creio que não, fumar já não gera tamanho status ou autoafirmação de fase adulta! Mas e se fosse Domingo-Feira? Não é hipótese, é certeza, Domingo tem feira e a ela me dirigi. Demais, estacionar difícil, parar, pode ser, pausei minha vida e meu veículo a quatro quadras da feira. Pelo caminho vi um casal a se beijar na esquina de um banco, que demais, o essencial a confrontar o capital, as juras opondo-se aos juros, Romeu e Julieta estavam na Agenor com a Ezequiel. Caminhando, deparei-me com os peudoguardadores de carros, e não é que eles creem que trabalham? Eles vivem de moedas que sonham ser cédulas e células de uma selva a que se chama de sociedade! Sobe-se a Gustavo Maciel que todos os dias é mão única e que no domingo vira duas mãos, mãos juntas a rezar, mãos dadas a se namorar, mãos percorrendo costas a se abraçar, mãos dividindo-se, uma cumprimenta, outra toca, geralmente no ombro, no bebê na cabeça acompanhado de um “Deus abençoe”, mãos com gestos objetos ou indigestos dependendo do resultado do seu time, mãos que clamam, mãos que chamam nessas duas mãos por dias melhores que deem pé, “fé em Deus e pé na tábua!”. Agora, o pastel, raro, pastel sorriso, nipônico e filarmônico, japonês e cortês, o sabor é igual há quase vinte anos, meus filhos eram crianças, saíamos do Teatrin do Sesc e devorávamos a massa no meio da massa desta família que é “Massa”, os Tokuharas, entre eles uma mulher, uma mãe, uma criatura, dádiva do Criador, Dona Teresa Tokuhara, e a rua de duas mãos era por culpa da Dona Teresa, porque ela, ao dar a mão, dava bênção, dava vida, dava fluídos, o pastel não tem sabor, o pastel tem Dona Teresa, a Madre Teresa de Pastelá! Obrigado, FeiraTerapia, como diria Moises Luceli Bastos! A Feira tem domingo, Domingo-Feira!

 

O autor, professor Sinuhe Daniel Preto, na feira sem estresse!