10 de julho de 2026
Bairros

Erros em câmeras de segurança atrapalham apuração de crimes

Marcus Liborio
| Tempo de leitura: 3 min

Cada vez mais aliadas da Polícia Civil no esclarecimento de crimes, as imagens captadas por câmeras de monitoramento podem ser fundamentais para investigação. Mas, para isso, devem ser utilizadas de forma adequada. Em Bauru, a cada dez imagens com flagrantes de ação criminosa que chegam até a Delegacia de Investigações Geral (DIG) seis não colaboram com o trabalho investigativo. A estimativa foi apresentada pelo delegado da DIG, Kleber Granja. 

O principal problema apontado por ele está na definição das imagens, na maioria das vezes com baixa resolução. “[Quando a resolução é boa] Essa prova material, associada a outros instrumentos investigatórios, é muito importante no trabalho de identificação dos autores”, observa Granja. 

A preferência por instalar câmeras em locais mais altos na intenção de evitar atos de vandalismo também resulta, de certa forma, na perda de qualidade da imagem, explica especialista na área de segurança eletrônica (leia mais abaixo).

AJUDA

 

Granja ressalta a contribuição de imagens com boa resolução para traçar o perfil do bandido. “É possível identificar o modo de ação, descrição biométrica, incidência do crime em determinado local e predileção para determinadas vítimas. Conseguimos alicerçar também a questão do crime continuado, ou seja, quando o indivíduo pratica mais de uma ação delituosa”.

AJUDA O FLAGRANTE

No caso de roubo em que a ação seja praticada com violência de grave ameaça relacionada com crimes patrimoniais, a pena pode ser triplicada, uma vez que, através do vídeo, o acusado acaba sendo autuado em flagrante, mesmo quando é preso depois. “A imagem indica o lapso temporal e espaço geográfico da ocorrência”, detalha o delegado.  

A estratégia tem dado certo. “Recentemente, fizemos isso com as empresas de transportes coletivos e obtivemos êxito em esclarecimentos de assaltos”, acrescenta Kleber Granja. 

Postos 

 

Em julho, conforme o JC noticiou, a Polícia Civil se reuniu com proprietários de postos de combustíveis de Bauru para discutir a onda de roubos a estes estabelecimentos. Na ocasião, em cerca de um mês, haviam sido registrados 12 assaltos. 

Uma das dicas passadas aos empresários foi adquirir sistema de câmeras com boa resolução e instalá-las em locais estratégicos. “Eles passaram a investir mais nessa questão. Muitos condomínios também têm câmeras com ótimas resoluções”, observa Granja. 

Ele frisa que não tem autonomia para fazer inserção à população de qual câmera deve ser comprada. “O que nos cabe é trabalhar com a prova apresentada. A pessoa que deseja investir em segurança patrimonial particular, do ponto de vista da Polícia Civil, deve procurar um profissional adequado para dar indicações sobre o equipamento”, conclui.

Instalação em pontos altos 'piora' resolução

“Em momento de crise, adquirir sistema de câmera não é a primeira necessidade”, reconhece o especialista na área de segurança eletrônica, Rodrigo Cristiano Saes Lopes, que está há 24 anos no ramo. 

Apesar da preferência por equipamentos mais baratos, os consumidores pedem que a instalação seja feita em pontos altos (até 4 metros de altura), com a justificativa de evitar vandalismo. “Por isso, a resolução da imagem acaba sendo prejudicada no que diz respeito a detalhes do rosto da pessoa. Mas em todo o resto não interfere em nada”, pontua Rodrigo. 

O especialista ressalta que, atualmente, o interesse do cliente é evitar uma abordagem quando estiver chegando em casa ou no estabelecimento comercial. “Através de um aplicativo, é possível conectar o celular às câmeras de monitoramento do imóvel e ver a movimentação no local, ou seja, a população está interessada em prevenção”, avalia Rodrigo. 

Reflexo na condenação

De acordo com o delegado da DIG, Kleber Granja, através das imagens das câmeras de monitoramento  é possível “individualizar a conduta dos criminosos”. “Quando são dois ou três bandidos, conseguimos saber como cada um agiu no crime. Isso é fundamental na hora de aplicar a pena”, explica.