08 de julho de 2026
Geral

Rio Bauru começa a ser desassoreado

Vinicius Lousada
| Tempo de leitura: 3 min

Divulgação
Serviços tiveram início ontem e devem durar dois meses; lixo, entulho, areia e vegetação invasora obstruem 20% da calha do rio

Vinte anos depois, o Rio Bauru está sendo desassoreado. Os trabalhos começaram ontem pelo trecho canalizado da Nuno de Assis, do entroncamento com a rodovia Marechal Rondon às proximidades do Terminal Rodoviário, mas vão se estender até a confluência dos córregos Água da Ressaca e Forquilha, nas proximidades da avenida Comendador José da Silva Martha. O objetivo da intervenção é minimizar os riscos de alagamento, especialmente na Nações Unidas e na rua Benevenuto Tiritan.

Lixo, entulho, bancos de areia e vegetação invasora obstruem pelo menos 20% da calha do rio, limitando a capacidade de absorção das águas pluviais. Rodrigo Agostinho (PMDB) diz que a limpeza integra as ações preventivas da prefeitura para as chuvas de verão.

O município já dispõe da licença ambiental para executar o serviço desde novembro do ano passado, quando recebeu a anuência da Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb). À época, o governo anunciou que daria início aos trabalhos visando o verão 2014-2015. 

O prefeito justifica que o maquinário necessário para os trabalhos estava sendo utilizado em outras frentes, o que atrasou em quase um ano o desassoreamento do rio. “A limpeza na Nuno foi feita, pela última vez, no governo Tidei de Lima”, enfatiza.

Duas máquinas escavadeiras estão sendo utilizadas no serviço, executado diretamente por funcionários da Secretaria de Obras. Titular da pasta, Sidnei Rodrigues afirma que, a cada dois dias, os barrancos de terra e o lixo acumulado na calha do rio serão empurrados e concentrado em um único ponto para que, nos dois dias subsequentes, todo o material seja removido pelo maquinário.

A expectativa é de que o trabalho dure cerca de dois meses, até a conclusão do desassoreamento ao longo dos 5 quilômetros de leito do Rio Bauru. “A quantidade de terra é muito grande. Em alguns locais, a areia acumulada chega a mais de 1,5 metro de altura”.

Rodrigo Agostinho, que usou as redes sociais para comemorar o início dos serviços na manhã de ontem, diz que ficou satisfeito com o ritmo do serviço no primeiro dia da intervenção.

‘RECICLAGEM’

 

Secretário de Obras, Sidnei Rodrigues afirma que todo o material removido da calha do Rio Bauru será “reciclado”. A ideia é utiliza-lo para recompor áreas de erosão ao longo das margens do próprio ribeirão.

“Vamos recompor os barrancos danificados, dispensando o entulho e aproveitando o próprio solo local, que atrapalha a calha, mas é positivo para essa finalidade. Vamos começar por alguns pontos com problemas lá no Santa Luzia”, explica.

Bocas de lobo

Também como ação preventiva às enchentes de verão, a Prefeitura de Bauru montou uma equipe para se dedicar exclusivamente à limpeza e manutenção de bocas de lobo.
Foram destacados para o serviço reeducandos do regime semiaberto e funcionários que, antes, atuavam nas obras de recapeamento, suspensas até o fim do ano por falta de dinheiro.


De acordo com o secretário Sidnei Rodrigues, cerca de metade das reclamações dirigidas à Obras, por meio do aplicativo Colab, são relativas a bocas de lobo e sistemas de galerias pluviais. “Foi um termômetro importante para a gente”.

Livre de Agosto

Além do desassoreamento, em breve, o trecho do Rio Bauru na Nuno de Assis ficará livre do despejo de esgoto, por meio da instalação de interceptores, contratada pelo DAE. Os serviços, executados pela empresa Stemag, estão atrasados e já deveriam ter sido concluídos em abril. Rodrigo Agostinho garante, porém, que a obra ficará pronta até o final deste ano.


Como já adiantou o JC, após a conclusão das obras de canalização do esgoto o corpo d’água do Rio Bauru será reduzido drasticamente. Isso porque mais da metade do volume visto atualmente corresponde a esgoto. Por outro lado, o rio continuará recebendo as águas pluviais canalizadas.

Ainda assim, o prefeito cogita construir pequenas comportas para garantir um volume mínimo de água no rio para evitar o crescimento desenfreado de plantas aquáticas.