09 de julho de 2026
Geral

Funcionários apoiam gestão de frigorífico em nova etapa jurídica

Tisa Moraes
| Tempo de leitura: 3 min

Malavolta Jr.
Ivete, Rosana e Marcos esperam que os empregos deles e dos colegas sejam mantidos

Um grupo de funcionários do frigorífico Mondelli procurou a redação do Jornal da Cidade, ontem, para manifestar apoio ao administrador judicial Fernando Borges e à empresa gestora Hapi Comércio Alimentícios Ltda, nomeados pela Justiça para conduzir o processo de recuperação da fábrica desde o afastamento da antiga diretoria, em agosto de 2013. Na última segunda-feira, os mesmos trabalhadores comemoraram a decisão do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP), que determinou a volta do estado de falência da empresa após apelação (agravo regimental) protocolada pelo administrador judicial. 

A Justiça de Bauru já havia decretado a falência do Mondelli em dezembro do ano passado, mas, em maio de 2015, o TJ concedeu liminar para suspender o efeito da sentença, após os sócios-proprietários ingressarem com recurso (agravo de instrumento). Agora, o mesmo tribunal decidiu pela volta do estado falimentar, suspendendo a liminar, condição que permite ao administrador judicial realizar o levantamento e venda de todos os bens da empresa e de seus sócios – inclusive o próprio frigorífico - para o pagamento de credores. 

Assim como da primeira vez, os empregados seguem trabalhando normalmente. “Ao sairmos de uma situação de incerteza que existia quando a fábrica estava em recuperação judicial,  nossa expectativa é de que os empregos de todos os funcionários possam ser mantidos. Estamos muito esperançosos, porque é um trabalho de que não apenas nós dependemos, mas todas as nossas famílias”, comenta Marcos Dea, que trabalha no setor de desossa do Mondelli e afirma falar em nome de todos os funcionários do frigorífico.

Empregada no mesmo setor, Rosana Candido salienta que, desde que a o administrador judicial e a empresa gestora assumiram a fábrica, os salários dos trabalhadores nunca atrasaram. “E sempre fomos tratados com muita dignidade. Temos nosso valor reconhecido”, completa.

Abaixo-assinado

 

Por este motivo, segundo outra funcionária, Ivete Cristina Jovêncio, quando a decretação da falência foi suspensa em maio deste ano, os trabalhadores chegaram a fazer um abaixo-assinado para manifestar apoio aos atuais gestores e administradores. “A adesão foi praticamente unânime”, salienta, contando que cerca de 600 dos 664 funcionários assinaram o documento.

Com a nova decisão do TJ, os lucros do Mondelli, que vinham sendo contabilizados para o caixa da empresa, voltam a ser destinados ao pagamento dos credores, com quem o frigorífico tem uma dívida estimada em R$ 65 milhões. A decisão também retoma o bloqueio de todo o patrimônio em nome da empresa e de seus sócios desde janeiro de 2007, que poderão ir a leilão para a quitação de dívidas.

O mérito da ação, contudo, não foi julgado pelo TJ e os acionistas ainda podem recorrer da decisão que suspendeu os efeitos da liminar. O advogado dos sócios, Ricardo Sayeg, não foi encontrado para comentar o assunto.

Advogado da Hapi, Thiago Munaro destaca que o Tribunal decidiu retomar o estado falimentar do Mondelli porque entendeu que há provas de que os acionistas cometeram irregularidades durante o processo de recuperação judicial. “Então, não havia qualquer motivo para suspender a eficácia da falência”, completa.