08 de julho de 2026
Política

Semel expõe limites e testa a aliança do PT com o PMDB

Vinicius Lousada
| Tempo de leitura: 3 min

Quioshi Goto/Arquivo
Saída de Roger do PT pode precipitar rompimento de aliados

A desfiliação de Roger Barude do PT pode antecipar o já delineado rompimento da legenda da vice-prefeita Estela Almagro com o governo de Rodrigo Agostinho (PMDB). Petistas querem a troca no comando da Secretaria de Esportes (Semel), compreendida como cota do partido na administração. Setores importantes do Palácio das Cerejeiras entendem, porém, que não há motivos para atender à reivindicação de uma legenda cuja aliança tem data marcada para terminar: as próximas eleições.

Apesar da cautela ao comentar o caso, o prefeito frisa que está contente com o trabalho desenvolvido por Roger Barude e diz que não acha “relevante” trocar o comando da pasta. “Não defini nada nem conversei com ninguém. Mas sabemos que ele terá que deixar o cargo em abril para poder se candidatar a vereador. Vou avaliar, conversar com todo mundo”.

Discretamente, Rodrigo não deixa de escancarar a situação de desgaste do PT, que deve perder seus dois únicos vereadores até o final do mês. “Até o presidente do partido vai sair do cargo”, pontua, referindo-se a Claudinho da Construção.

De qualquer forma, a articulação do governo deve se reunir com a vice-prefeita na próxima semana para discutir o assunto, com o objetivo primeiro de manter Barude na Semel, mas não antecipar, em definitivo, o fim da aliança dos petistas com o PMDB.

“A gente vai tomar cuidado, mas as críticas públicas da Estela ao Rodrigo estão escancaradas. Além disso, a conversa tem que acontecer nos termos corretos. Primeiro que, ao que tudo indica, o PT terá candidatura própria em 2016. Segundo que eles não estão mais com aquela bola toda. Não existe mais aquela euforia em torno do governo federal, da figura do Lula e muito menos da presidente Dilma”, avalia um peemedebista do alto escalão.

PERDAS
Petistas atribuem a eleição de Agostinho em 2008 ao massivo apoio do então presidente Lula, que garantiu à campanha do atual prefeito o papel de antagonista ao projeto político do PSDB, que tinha Caio Coube como candidato à época.

A relação do PT com o governo, no entanto, nunca foi das melhores. A sigla já deteve as indicações para as secretarias de Obras e Administrações Regionais (Sear), durante o primeiro mandato de Rodrigo. Hoje, comanda apenas a Agricultura, com Chico Maia.

Mesmo antes da desfiliação de Roger Barude, setores do partido já o consideravam como um apadrinhado da “cota pessoal” do prefeito.

O secretário chegou ao primeiro escalão do governo por meio de José Carlos de Souza Batata, a quem sucedeu em 2012, quando o petista abriu mão do cargo para se candidatar a vereador. Derrotado no pleito, o então marido de Estela Almagro até tentou, mas não retomou o posto. À época, petistas apontaram o episódio como uma traição do prefeito.

NA BRIGA
Membro da Executiva do PT, Jesus Garcia garante que o partido não vai abrir mão dos espaços que tem no governo. “Que já não são muitos, apesar da composição importante que fizemos”.

O dirigente critica ainda o fato de Roger Barude ter formalizado sua desfiliação diretamente no cartório eleitoral, sem comunicar previamente as instâncias do partido. “A gente lamenta. Ele entrou pela porta da sala. Não poderia ter saído pela porta da cozinha. Tínhamos, inclusive, deliberado uma conversa diante dos rumores de sua saída.


‘Já me acostumei’

Roger Barude diz que mantém a tranquilidade sobre seu futuro na Semel e provoca, alegando não estar surpreso com a vontade de petistas em tirá-lo da pasta. “A decisão é do prefeito. Enquanto eu estava filiado, já pediam a minha cabeça”, ironiza.

O secretário se refere às articulações de Estela Almagro e Sandro Bussola que tentaram, respectivamente, emplacar Batata e Júnior Rodrigues (braço direito do parlamentar) no comando do Esporte de Bauru.

Barude estuda propostas de três partidos que buscam sua filiação: PDT, PV e PMDB, partido do prefeito e destino mais provável do secretário. “Saí porque o PT não contemplava meus planos para o futuro”.