10 de julho de 2026
Geral

Casal 70 cai na estrada até a 'terra do fogo'

Nélson Gonçalves
| Tempo de leitura: 3 min

Arquivo Pessoal/Divulgação
Por definição, Sílvio e Marlene Bueno se consideram estradeiros

“Parceiros pra sempre”. O casal Sílvio Celso Bueno e Tereza Marlene Bueno que acumula mais de uma década de companheirismo e superação dos naturais obstáculos da arte de viver a dois, decidiu partir para a viagem mais longa de suas vidas. São 40 dias programados para este setembro. No final do mês, de caminhonete, eles vão sair em direção à “terra do fogo”: Ushuaia, na Argentina.

Por definição, eles se consideram estradeiros. “Nós viajamos pelo menos uma vez por ano em uma viagem mais longa. Depende ‘do caixa’. As viagens mais longas são rodoviárias. É quando planejamos quase tudo e não deixamos de aproveitar as oportunidades que a viagem oferece”, conta Sílvio.

Planejam “quase tudo” porque, em se tratando de estrada e liberdade, desobedecer ao que foi escrito é quase uma condição. “A Tereza pesquisa muito antes. Discutimos paradas, locais, percursos, paisagens. Onde e o que visitar. Mas toda viagem oferece uma surpresa e o jeito é não perder nenhuma, aproveitar”, observa.

A esposa conta que faz uma espécie de diário de bordo do percurso. “Eu vou anotando tudo, lugares, hotéis, comida, natureza, curiosidades. O que acho interessante anoto. Isso torna a viagem um aprendizado o tempo todo”, conta a esposa.

Eles elencam as vantagens da viagem estradeira. “De caminhonete, a vantagem é que, se não for bom o lugar, a comida ou qualquer outra surpresa, você reassume o volante e cai na estrada. Sai em procura de algo novo à frente, ou simplesmente muda, o que pode não estar bom”, opina Sílvio.

Tereza acrescenta que o planejamento do roteiro associado à flexibilidade reduzem as surpresas. “Uma viagem por estrada bem planejada permite que você observe tudo, experimente a natureza, o contato com as pessoas o tempo todo. Em uma viagem por avião ou mesmo cruzeiro você aproveita, mas fica limitado aos horários do grupo e do roteiro coletivo”, lembra.

Nos caminhos por onde passaram, surpresas ficaram memorizadas. “Pegamos uma nevasca o ano passado, indo do Chile para a Argentina. Ficamos com o veículo preso na estrada porque com a nevasca caminhões se enroscaram na estrada. Tivemos de esperar. É preciso paciência e entender que é algo que vai passar”, menciona o marido.

Tereza menciona que eles fotografam muito. “Hoje já utilizamos muito o telefone celular, que produz boas fotos, em boa resolução. No passado, tínhamos de usar os filmes de rolo, com 36 poses para revelar. Você lembra disso?”, arrisca Sílvio.

Sobre o novo roteiro, de 40 dias, o casal conta que resolveu voltar. “Já fui de avião até Argentina e de lá até Ushuaia. Mas, como disse, assim a mobilidade fica reduzida. Conheci pouco. E anotei lugares que quero ver e conhecer. Detalhei vários na minha pesquisa. Tem um museu arqueológico no roteiro que quero muito ver”, adianta a esposa.

Das viagens, além do convívio, da troca de experiências e de cultura, o casal costuma trazer lembranças. “Sempre trazemos artesanatos, peças típicas dos lugares. Mas já compramos tanto que dissemos aos netos e filhos que, desta vez, não vamos trazer nada, até porque o dólar está em cotação elevada”, brinca.

Sílvio trabalhou por 30 anos no Banco do Brasil e Tereza por 20 anos. Ambos são aposentados do banco estatal. Ela também foi professora. “Levo, além do roteiro, da pesquisa, e do caderno para anotações, uma máquina fotográfica para poses especiais, GPS, alguns medicamentos básicos e roupas”, lista.