10 de julho de 2026
Geral

Bauru se mobiliza contra o suicídio e parque Vitória Régia terá iluminação em tons amarelos

Dulce Kernbeis
| Tempo de leitura: 7 min

Divulgação
O suicídio é considerado um problema de saúde pública

As secretarias de Cultura e de Obras da Prefeitura Municipal de Bauru aderiram ao evento Setembro Amarelo - movimento mundial que busca conscientizar a população sobre a realidade do suicídio e mostrar que existe prevenção em mais de 90% dos casos. O suicídio é considerado um problema de saúde pública e mata um brasileiro a cada 45 minutos e uma pessoa a cada 40 segundos em todo o mundo. Por isso, a Organização Mundial de Saúde (OMS) definiu a data de 10 de setembro como o Dia Internacional de Prevenção do Suicídio.

O movimento Setembro Amarelo é estimulado mundialmente pela Associação Internacional pela Prevenção do Suicídio (Iasp) e consiste em iluminar ou sinalizar locais públicos com faixas ou símbolos amarelos.

No Brasil, uma das instituições que trabalham pela causa é o Centro de Valorização da Vida (CVV), entidade que atua gratuitamente na prevenção do suicídio há 53 anos e tem 70 pontos de apoio em todo o País. Um deles é o de Bauru.

Adesão

A entidade já conseguiu a adesão da Prefeitura Municipal. Segundo José Carlos dos Santos, coordenador do CVV em Bauru, a própria entidade está comprando gelatinas amarelas para iluminar alguns prédios e praças públicas na cidade, contando com o apoio das secretarias de Obras e de Cultura, que vão iluminar o anfiteatro do Vitória Régia de amarelo e darão apoio para a apresentação da Orquestra de Câmara Jovem Musicrescer, de Duartina, às 20h, desta quinta-feira.

A orquestra tem cerca de 20 integrantes - e é de câmara com cordas, como violinos, violas, cello e contrabaixo - e haverá também apresentação do cantor lírico José María Mora Delano, um tenor chileno.

“A partir desse evento, para o qual convido todos os bauruenses porque será realmente algo muito especial, vamos focar na caminhada em favor da vida”, acrescenta José Carlos, complementando que a data para este segundo evento será divulgada em breve.

Vestimenta

Além do apoio da prefeitura e de empresas públicas e privadas, José Carlos está também convocando a população para que usem amarelo - ou pelo menos uma fitinha dessa cor - para mostrar o envolvimento e sensibilidade para o assunto. Defender a vida e conversar sobre o tema é um dos principais lemas da campanha.

Quem já está engajado é o psiquiatra Fabrício Bértoli Gimenez. Ele e sua secretária Gizsele Bressan já começaram o mês trabalhando com uma peça de roupa e ou uma fita que lembrasse a causa.  O médico também faz um apelo para que as pessoas estejam atentas ao assunto (leia mais ao lado). “Fugir e se calar não é a melhor solução”, garante o especialista.

‘O suicida envia sinais de sofrimento’

João Rosan
Psiquiatra Fabrício Bértoli

Falar sobre o problema é fundamental. E conhecer os mecanismos que levam uma pessoa a desistir da vida faz com que ela seja preservada.

Para o psiquiatra Fabrício Bértoli Gimenez, o suicida desenvolve o pensamento de que não possui nenhuma chance diante de seus dilemas. Mas e o motivo dessa atitude tão radical quando há, inclusive, evidências de recomeço que a vida oferece? “O maior problema do mundo é o nosso próprio problema. Não conseguimos medir qual é o maior ou o menor problema, apenas quem esta vivendo aquela situação sabe o quanto se sente desestabilizado”, responde o médico e, por essa razão, as queixas não devem ser minimizadas.

Especialmente porque não existem exames, do ponto de vista científico, para “identificar qual problema é mais grave. Por isso, a comparação entre problemas não deve ser feita. Cada indivíduo tem o seu próprio limite, cada um tem sua personalidade, cada um sabe onde é seu ponto fraco”.

Planejamento ou impulso?

Também não há um consenso se o espírito suicida é fruto de um impulso ou é algo que as pessoas ficam planejando ou conjecturando durante anos. Algumas pessoas têm ideias de suicídio que nunca levarão adiante; outras planejam durante dias, meses, anos antes de agir; e outras ainda tiram a própria vida em um impulso, sem premeditação.

Na avaliação do médico, “diversas são as causas que podem levar uma pessoa a cometer o suicídio, alguns problemas de saúde podem aumentar a chance de uma pessoa cometer o suicídio, como o abuso de álcool, depressão, entre outros”.

O que motiva tal atitude pode ser diversos fatores, como, por exemplo: o pensamento autodestrutivo como forma de resolver seus problemas e acabar com o sofrimento da maneira mais rápida, dando um ponto final em tudo sem medir as consequências do que esse ato poderá trazer para outras pessoas.

Sinais

Pode ocorrer também de familiares serem pegos de surpresa com atos das pessoas. “Nem sempre as tentativas de suicídio são comunicadas a pessoas próximas, porém. a pessoa suicida envia sinais de sofrimento, sim” esclarece o profissional. Esses sinais, às vezes são difíceis de serem observados, porém, quando alguém identificar o risco de suicídio “deve procurar o serviço de saúde mais próximo e oferecer ajuda, pois se trata de uma emergência”, lembra. Não se deve desprezar nem minimizar uma tentativa.

Como agir?

O médico lembra que tratamento psiquiátrico resolve. E psicológico também. A pessoa em um surto precisa e deve conversar. Expor os dilemas que a afligem e, em muitos casos, fazer uso de medicamentos controlados. “O tratamento especializado diminuiu consideravelmente o índice de suicídio. Existem tratamentos diferentes para cada tipo de pessoa, para cada problema há de existir uma solução, se não conseguimos resolver nossos problemas naquele momento, que tenhamos, pelo menos, a calma e serenidade para esperar passar”, enfatiza o médico.

Não há culpados

“Para os que ficam, saibam que, quando uma pessoa realmente quer se suicidar, não importa o lugar ou a hora. Evitar o suicídio muitas vezes foge do nosso alcance”, faz questão de enfatizar o psiquiatra Fabrício Bértoli Gimenez. “Devemos saber que não conseguimos responder pelos atos alheios. Por isso, não devemos nos sentir culpados por uma escolha que não é a nossa. Somente quem passa por tal ato de desespero sabe o que está sentindo: cada um de nós tem os próprios limites e suas verdades”, finaliza.

Há vida depois da tentativa

Fotos: Internet/Divulgação
O músico inglês Elton John tentou se matar por asfixia com gás de cozinha, porém, seu sócio Bernie Taupin o encontrou a tempo de salvá-lo. Juntos, os dois compuseram a canção “Someone Saved My Life Tonight” (Alguém salvou minha vida esta noite), para falar da história. Hoje, Elton John está feliz da vida, com o título de “sir”, concedido a ele pela rainha da Inglaterra.
O cantor Netinho, célebre intérprete da canção “Mila”, participou do programa Encontro, da Rede Globo, e falou sobre seu retorno aos palcos após dois anos. A volta do baiano aconteceu em Recife, no Manhattan Café Theatro, nos dias 28, 29 e 30 de agosto. Ele repetiu o que já havia dito: pensou em morrer quando, usuário de anabolizantes, teve três AVCs, e chegou a ser desenganado pelos médicos. Ele ficou depressivo por conta da situação. “Hoje digo para as pessoas que têm depressão: saia. Só você pode sair”. Atualmente, ainda em recuperação, o cantor valoriza cada minuto de vida, após dois anos sem se apresentar.
Nando Reis confidenciou a Marília Gabriela, no GNT, que já pensou em cometer suicídio sob o efeito de drogas. O cantor admite ter usado cocaína e abusado do álcool durante muitos anos. E explica como o vício afetou sua relação com os filhos. “Só é legal para quem usa. Para quem está do lado e não usa, é horrível. Meus filhos percebiam que era um estado de isolamento, além de situações embaraçosas”, explica ele. Aos 51 anos, 32 de carreira, ele vive hoje outro momento: o de se valorizar.

Números fortes

Segundo estudos norte-americanos, são 650 mil tentativas de suicídio por ano naquele país. E, dessas, 30 mil pessoas conseguem a morte de fato, ou seja, uma média de um suicídio a cada 20 minutos.  Lá, está um dos principais locais de suicídio no mundo: é a ponte Golden Gate, em São Francisco com mais de 1.200 suicídios desde a sua abertura, em 1937. No local, existe inclusive uma placa com palavras para desaconselhar o suicídio além de oferecer uma linha telefônica de apoio para as pessoas com problemas.

“Nos últimos 10 anos, o índice de suicídio aumentou cerca de 30% entre homens de 25 a 34 anos”, diz Fabrício Bértoli. O médico acredita que a média de crescimento de casos no Brasil equivale à da comunidade americana. “A gente não tem números, mas o suicídio esta aumentando rapidamente entre os jovens, em particular entre os homens entre 15 a 25 anos”.

O médico lembra ainda que as mulheres tentam o suicídio com mais frequência em relação aos homens, e acabam conseguindo menos, pois, na maioria das vezes, as tentativas de suicídio no sexo feminino são mais brandas. Já os homens tentam menos o suicídio, porém, acabam conseguindo mais, pois suas tentativas normalmente são mais incisivas e agressivas.