Espectador e participante de carteirinha porque não perco nenhum desfile no Sambódromo, no último 7 de Setembro, Dia da Pátria, dia preguiçoso porém marcante, dezoito mil pessoas e mais eu lá estivemos nos comprazendo, vibrando e homenageando este nosso tão carente Brasil. Aquilo que parecia pouco ou quase nada, foi muito. Algum leitor tem todo o direito em considerar esta matéria já ultrapassada, extemporânea ou inoportuna, mas em meu entendimento como cidadão, chefe de família e educador, não existe medida de tempo para manifestação de respeito, civismo e amor à Pátria. Pois todo tempo é tempo. As autoridades que pontualmente hastearam as três bandeiras, as outras e os convidados que estiveram no palanque oficial, os empolgados militares, reformados, pais, professores e alunos, acompanhantes, malabaristas, acróbatas, atletas, motorizados assim como as pessoas desconhecidas que participaram do desfile, todas, indistintamente, transmitiam incontida euforia e legítimo patriotismo. Havia uma interação sensível entre o homem, a máquina e a Pátria. A beleza cívica, a originalidade e a criatividade transcenderam a tudo e a todos durante todo o tempo em que durou o desfile. Foram momentos em que não se pensou em corrupção e Lava Jato, dólar e inflação, mas na Pátria, neste Brasil em que nascemos, crescemos, estamos vivendo neste tempo e que continuará por outros tempos.
E dentro daquela imensa multidão, muitos devem ter filosofado como eu o fiz. Em determinado momento do desfile, ao ver aquela multidão formada de crianças, jovens e adultos que vinha despontando na cabeceira do Sambódromo, caminhando e portando faixas, veio-me à mente aqueles milhares de refugiados sírios e afegãos que, partindo da Hungria, caminharam procurando vencer centenas de quilômetros que tinham pela frente para chegar à França e Alemanha. E pensei então que desta multidão que vinha se aproximando, felizmente, após o término do desfile, cada um estaria retornando ao aconchego do seu lar para gozo da preguiçosa tarde. E pensei ainda: será que estes maus brasileiros que estão emporcalhando a nossa honra e empobrecendo este mesmo Brasil que estamos homenageando tiveram durante suas vidas a humildade e a ventura de assistirem algum desfile como este? De ver de longe a inocência das crianças, outros exemplos e das mensagens que transmitiram? Pode ser que, quando crianças e alunos tenham participado e orgulhado seus pais como acontece conosco; mas depois de serem cidadãos plenos não teriam tempo a perder! Pois, de fato, nada rende. O meu lugar, quase em frente à banda e ao palanque, já está marcado para o próximo desfile de 7 de Setembro de 2016. Cabe-me agora cumprimentar a todos, organizadores e participantes pela maravilha do desfile. Parabéns!
Prof Joaquim Eliseo Mendes- Membro efetivo da ABLetras