Uma mulher, que ainda não foi identificada, morreu após uma discussão, ontem pela manhã, na região da favela São Manoel, em Bauru. Wagna Correa Chaves, 39 anos, assumiu ter cometido o crime com uma faca de cozinha, que, segundo ela, pertencia à vítima. Esse foi o 22.º assassinato deste ano, segundo levantamento extraoficial feito pelo JC. O total de casos não inclui só homicídios, mas também dois crimes de latrocínio e dois feminicídios.
De acordo com o delegado plantonista Mário Henrique Ramos, Wagna trabalhava como camareira em um hotel situado na região central da cidade, porém, há dois anos, começou a usar crack. Há três dias, a mulher estava consumindo a droga e se prostituindo para sustentar o vício. Tal comportamento, segundo Ramos, teria provocado certo desconforto na vítima, que também seria uma garota de programa e que teria ponto naquela região há mais tempo.
Por volta das 9h, quando Wagna chegou à rua Afro França, na região da favela São Manoel, a vítima a abordou e teria exigido que pagasse parte da quantia arrecadada com os programas. As mulheres começaram a discutir e, segundo a suspeita, a vítima a atacou com uma faca de cozinha. Nesse momento, Wagna sofreu um ferimento superficial na região da cabeça, mas conseguiu retirar a arma das mãos da suposta agressora.
Todavia, ao invés de fugir, Wagna resolveu esfaquear a mulher e uma testemunha acionou a Polícia Militar (PM). Quando a viatura chegou, a suspeita havia fugido e se escondido em um matagal, mas foi localizada pela polícia. A vítima, até agora desconhecida, foi encaminhada ao Pronto-Socorro Central (PSC) pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), mas não resistiu aos ferimentos e morreu à caminho do hospital.
Já a suspeita, que sofreu um ferimento superficial, foi levada até o PSC pela PM. Depois de passar por cuidados médicos, ela foi encaminhada à Central de Polícia Judiciária (CPJ). Na delegacia, Mário Henrique Ramos ouviu Wagna depois de ter passado o efeito das drogas que ela havia consumido. A mulher confessou que cometeu o crime para se defender e foi presa por homicídio simples. Ainda ontem, Wagna seria levada à Cadeia Pública de Pirajuí.
Local prejudicado
Com a chuva que atingiu a cidade, o local do crime ficou prejudicado para a perícia técnica. Contudo, a arma foi apreendida e a Polícia Civil já trabalha com um caso de autoria conhecida, porque a camareira confessou que cometeu o crime. Além disso, o corpo da vítima foi encaminhado ao IML e só o exame necroscópico detectará a quantidade de facadas, mas, segundo o boletim de ocorrência (BO), teriam sido, pelo menos, duas.
A partir de agora, conforme informações do delegado plantonista Mário Henrique Ramos, o caso será distribuído para um dos cartórios, já que a autoria é conhecida. “De agora em diante, provavelmente, o delegado responsável pela investigação do crime verificará se há mais alguma testemunha a ser ouvida e aguardará o laudo necroscópico para encerrar o inquérito policial”, finaliza.
Serviço
Até o fechamento desta edição, a Polícia Civil não havia fornecido as características físicas da vítima, que ainda está em processo de reconhecimento material para identificação. O que se sabe é que seria uma garota de programa que frequentava a região da favela São Manoel. Se alguém tiver informações para ajudar a polícia a identificar a mulher, basta ir até a CPJ, que fica na avenida Rodrigues Alves, 23-23, na Vila Cardia, em Bauru.