10 de julho de 2026
Polícia

Irmãos adolescentes mataram e depois carbonizaram jovem

Marcus Liborio
| Tempo de leitura: 3 min

A Polícia Civil, através da Delegacia de Investigações Gerais (DIG), esclareceu o assassinato de Francieli Natália Lima da Silva, 23 anos, encontrada há pouco mais de três meses em matagal no Jardim Tangarás, em Bauru, com o corpo parcialmente carbonizado (leia mais abaixo). 

João Rosan
Corpo de Francieli (no detalhe) foi localizado parcialmente carbonizado, em matagal no Tangarás 

Dois irmãos, de 14 e 17 anos, são apontados como autores do crime. Ambos foram apreendidos por tráfico de entorpecentes dias após o homicídio e cumprem medida sócio educativa em unidade da Fundação Casa. 

Os menores (os nomes não foram divulgados em respeito ao Estatuto da Criança e do Adolescente) tinham um ponto de guarda de drogas e arma de fogo no Ferradura Mirim. A investigação apontou que a vítima, usuária de drogas, teria furtado a arma dos irmãos, motivo pelo qual foi executada com tiros na cabeça. 

Antes de serem detidos por tráfico, os dois foram interrogados já com a suspeita de assassinato, mas negaram a acusação e, inclusive, que teriam feito uso de arma de fogo. Entretanto, um exame residuográfico – teste feito com material colhido das mãos dos suspeitos para verificar se existem resíduos de pólvora ou chumbo – confirmou o contrário. 

A tese da polícia foi reforçada depois do depoimento de uma testemunha, que diz ter ouvido quando os dois “pronunciaram” a execução, um dia após o crime. 

“Desde que a família registrou o desaparecimento da jovem, uma semana antes do corpo ser localizado, já denotava que ela vinha sendo ameaçada por uma dupla de adolescentes, do bairro Ferradura Mirim”, reforça o delegado titular da DIG, Kleber Granja.

“No curso das investigações, localizamos uma testemunha, que confirmou a autoria dos irmãos no crime, pois ela disse ter ouvido quando eles pronunciam a execução, como forma de identificar o poder de criminalidade do traficante da área”, acrescenta o delegado. 

Segundo Granja, os menores têm passagens por tráfico e o mais velho, inclusive, já foi investigado por tentativa de homicídio. Eles podem responder também por ocultação de cadáver. “A queimadura se deu pós-morte, ou seja, ela foi executada e depois os dois ocultaram o corpo”. 

Com a jovem identificada, a DIG conseguiu, através da PM, identificar os apelidos dos adolescentes suspeitos, o que facilitou a localização deles. “O exame residuográfico somado ao depoimento da testemunha foram fundamentais para o esclarecimento”, diz Granja. 

‘Frios e calculistas’

 

Granja destaca que os adolescentes pretendiam fazer ainda outro vítima. “Eles foram cobrar a arma da jovem, mas a ideia era executar também o namorado dela. Após a morte de Francieli, o rapaz conseguiu fugir”, destacou o delegado. 

“São violentos ao extremo e não demonstraram remorso. Pelo contrário, são muito frios, calculistas e debochados”, acrescentou, frisando que já pediu a apreensão deles também por homicídio duplamente qualificado e ocultação de cadáver.  

O crime

O corpo de Francieli Natália Lima da Silva foi encontrado em uma trilha dentro de um matagal próximo à ponte que dá acesso ao bairro Tangarás, na quadra 1 da rua Natal Fornazari, por volta das 13h do dia 26 de maio. 

Desaparecida

 

O cadáver, em avançado estado de decomposição e parcialmente carbonizado, foi localizado por um homem que levava cabeças de gado para pastagem. Na ocasião, Francieli estava desaparecida há cerca de uma semana.