A Polícia Civil, através da Delegacia de Investigações Gerais (DIG), esclareceu o assassinato de Francieli Natália Lima da Silva, 23 anos, encontrada há pouco mais de três meses em matagal no Jardim Tangarás, em Bauru, com o corpo parcialmente carbonizado (leia mais abaixo).
| João Rosan |
| Corpo de Francieli (no detalhe) foi localizado parcialmente carbonizado, em matagal no Tangarás |
Dois irmãos, de 14 e 17 anos, são apontados como autores do crime. Ambos foram apreendidos por tráfico de entorpecentes dias após o homicídio e cumprem medida sócio educativa em unidade da Fundação Casa.
Os menores (os nomes não foram divulgados em respeito ao Estatuto da Criança e do Adolescente) tinham um ponto de guarda de drogas e arma de fogo no Ferradura Mirim. A investigação apontou que a vítima, usuária de drogas, teria furtado a arma dos irmãos, motivo pelo qual foi executada com tiros na cabeça.
Antes de serem detidos por tráfico, os dois foram interrogados já com a suspeita de assassinato, mas negaram a acusação e, inclusive, que teriam feito uso de arma de fogo. Entretanto, um exame residuográfico – teste feito com material colhido das mãos dos suspeitos para verificar se existem resíduos de pólvora ou chumbo – confirmou o contrário.
A tese da polícia foi reforçada depois do depoimento de uma testemunha, que diz ter ouvido quando os dois “pronunciaram” a execução, um dia após o crime.
“Desde que a família registrou o desaparecimento da jovem, uma semana antes do corpo ser localizado, já denotava que ela vinha sendo ameaçada por uma dupla de adolescentes, do bairro Ferradura Mirim”, reforça o delegado titular da DIG, Kleber Granja.
“No curso das investigações, localizamos uma testemunha, que confirmou a autoria dos irmãos no crime, pois ela disse ter ouvido quando eles pronunciam a execução, como forma de identificar o poder de criminalidade do traficante da área”, acrescenta o delegado.
Segundo Granja, os menores têm passagens por tráfico e o mais velho, inclusive, já foi investigado por tentativa de homicídio. Eles podem responder também por ocultação de cadáver. “A queimadura se deu pós-morte, ou seja, ela foi executada e depois os dois ocultaram o corpo”.
Com a jovem identificada, a DIG conseguiu, através da PM, identificar os apelidos dos adolescentes suspeitos, o que facilitou a localização deles. “O exame residuográfico somado ao depoimento da testemunha foram fundamentais para o esclarecimento”, diz Granja.
‘Frios e calculistas’
Granja destaca que os adolescentes pretendiam fazer ainda outro vítima. “Eles foram cobrar a arma da jovem, mas a ideia era executar também o namorado dela. Após a morte de Francieli, o rapaz conseguiu fugir”, destacou o delegado.
“São violentos ao extremo e não demonstraram remorso. Pelo contrário, são muito frios, calculistas e debochados”, acrescentou, frisando que já pediu a apreensão deles também por homicídio duplamente qualificado e ocultação de cadáver.
O crime
O corpo de Francieli Natália Lima da Silva foi encontrado em uma trilha dentro de um matagal próximo à ponte que dá acesso ao bairro Tangarás, na quadra 1 da rua Natal Fornazari, por volta das 13h do dia 26 de maio.
Desaparecida
O cadáver, em avançado estado de decomposição e parcialmente carbonizado, foi localizado por um homem que levava cabeças de gado para pastagem. Na ocasião, Francieli estava desaparecida há cerca de uma semana.