09 de julho de 2026
Regional

Arquitetura de Jaú tem o legado de Vilanova Artigas

Rita de Cássia Cornélio
| Tempo de leitura: 3 min

No ano em que se comemora o centenário de João Batista Vilanova Artigas, um dos mais importantes arquitetos brasileiro, as obras dele na cidade de Jaú (47 quilômetros de Bauru) ficaram em evidência. É que o arquiteto, engenheiro, urbanista e professor foi autor de 16 projetos naquela cidade. É bem verdade que nem todos foram executados, outros não cumpriram exatamente o que foi projetado e há ainda alguns que já foram demolidos.

Na vizinha cidade ele fez amigos e admiradores. Inspirou a profissão para um adolescente que o conheceu na década de 70. Edson Tadeu Maróstica tinha 14 anos e trabalhava de apontador na obra da Estação Rodoviária, uma obra de Artigas que contém os elementos que marcaram sua trajetória profissional. Pilares em forma de ramos de árvores, aproveitamento da iluminação natural e a mistura de público e privado.

O balneário I e II de Jaú foram projetados por Artigas. O primeiro foi executado e ainda hoje é usado, embora tenha sofrido modificações e necessite de restauro. O Balneário I é hoje o Centro Recreativo Balneário Aristides Coló. Nele é possível observar a visão futurista do arquiteto que, em 1975, construiu uma piscina fora dos padrões e fez paredes com ventilação. O balneário II foi executado e demolido.

A Escola Estadual Túllio Spindola de Castro, outra obra projetada por Artigas sofreu modificações. Originalmente ela não tinha muros. Hoje, a escola está toda murada, porém as colunas de sustentação ainda podem ser vistas pelo lado de fora. As colunas são características das obras projetadas pelo arquiteto.

O Centro Educacional de Jaú, projetado em 68 foi uma das primeiras obras de Artigas na cidade. Foi executado, já o Esporte Clube XV de Jaú, datado de 1970 também foi executado, mas não obedeceu o projeto original. A residência de Jorge Edney Atalla, de 1971, não chegou a ser executada. O mesmo aconteceu com o projeto do Centro de Abastecimento (Caja) de 1974.

Nascido em Curitiba no ano de 1915, ele se formou pela Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (Poli/USP) e participou da criação da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo (FAU/USP), onde lecionou. É um dos mais importantes arquitetos brasileiros. Recebeu em 1972  da Union Internationale des Architectes (UIA) os prêmios Jean Tschumi por sua contribuição ao ensino de arquitetura, e Auguste Perret, 1985, por sua obra construída.

Embora curitibano, foi em São Paulo que o arquiteto modernista mudou a paisagem com suas obras que são marcadas pela mistura do público e privado, nos anos 40, 50 e 60. O edifício Louveira, de 1946, é uma das obras mais conhecidas dele. Ele é considerado o fundador da chamada Escola Paulista de Arquitetura - marcada pela valorização da estrutura, como o uso do concreto aparente nas construções. Também é dele o projeto do Estádio do Morumbi.

Foi ele quem definiu a nova proposta de ensino da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da USP, a Universidade de São Paulo, baseada no desenvolvimento do projeto e do desenho. Conhecido por sua atuação política de esquerda e associação com o Partido Comunista Brasileiro exilou-se no Uruguai. Retornando pouco depois. Ele morreu em 1985 em São Paulo.