| João Rosan |
| Amâncio desfila principalmente pelas ruas da região do Núcleo Geisel, em Bauru, como se comandasse um cavalo |
“Se for macho é Zulão, se for fêmea é Zuleide.” Essa é a dúvida do bauruense Amâncio Pinheiro sobre o nome de sua bicicleta azul. Com uma corda grossa amarrada sobre o guidão torto e com o banco forrado por um plástico grosso, Amâncio desfila principalmente pelas ruas da região do Núcleo Geisel, em Bauru, como se comandasse um cavalo.
A corda lembra uma rédea e o banco, a sela de montaria. Impedido de participar de rodeios após uma súplica da esposa, ele transformou a bicicleta em seu alazão.
Vestido com bota montaria e um cinturão, ele comenta que para pilotar a “azulzinha” com este método criado por ele mesmo há mais de 15 anos, vários tombos ficaram registrados em sua memória.
“Um dia eu estava passando por um viaduto e quase caí dele. Quem me salvou foi a corda amarrada. Eu a segurei e pulei da bicicleta. Uma mulher estava passando por lá e perguntou se estava tudo bem, eu disse que comigo sim, enquanto a bicicleta estava pendurada. Ela salva vidas”, brinca. Por isso, é melhor não tentar imitar as peripécias de Amâncio pelas ruas de Bauru.
Como funciona
Amâncio ensina como o método funciona para ele: o guidão deve ser entortado para dentro da bicicleta para que, durante a queda, não haja perigo de perfuração do corpo.
A corda deve estar bem presa e ser segurada de maneira que fique esticada. Os pés devem estar firmes e, então, o ciclista pode pedalar.
“Quando você perde o equilíbrio, você segura a corda e pula da bicicleta para não cair. A bicicleta não quebra e você não se machuca”, demonstra.
Quando tudo começou
Desde muito jovem, Amâncio conta que gosta de andar a cavalo e participar de competições de rodeio. Há mais de 20 anos, em uma dessas competições, em Barretos, ele se envolveu com uma mulher e decidiram morar juntos. Preocupada com o perigo da vida de caubói, ela proibiu que ele voltasse a montar em bois e touros em uma arena. Ele acatou a decisão da mulher. Conforme o tempo passava, a saudade dos rodeios vinha à tona. Um dia ele passou pelo pasto de seu sítio e viu uma bicicleta encostada em uma árvore. Naquele momento, uma ideia clareou sua mente e ele alimentou uma nova paixão: transformar sua bicicleta em um “cavalo”.