08 de julho de 2026
Geral

Escuridão leva medo a universitários

Marcus Liborio
| Tempo de leitura: 3 min

Duas rotatórias, um viaduto e muita escuridão. Esse é o drama de quem precisa atravessar, a pé, o trecho que liga o campus da Unesp à moradia estudantil e o Centro de Meteorologia de Bauru (IPMet). O local não possui iluminação e a sensação de medo já tomou conta dos universitários. Em 15 dias, dois estudantes foram assaltados.

Eles reivindicam a instalação de postes, mas o trâmite para que isso ocorra não é tão simples. A universidade já até elaborou um projeto e a prefeitura concordou em executar a obra, mas a autorização da concessionária Centrovias, que administra o trecho, depende de documentação que ainda não foi entregue (leia abaixo).

Há duas semanas, o estudante de design da Faculdade de Arquitetura, Artes e Comunicação (Faac), Raul Molina Jeronymo, 18 anos, foi alvo de assalto quando seguia do campus à moradia estudantil, por volta das 22h. Havia um carro preto parado no gramado da passarela, com dois rapazes.

“Um deles me abordou e pediu carteira e celular. Eu entreguei o celular e ele disse: ‘volta para o lugar de onde você veio e não olhe para trás’”, narrou o jovem, que retornou à portaria da Unesp e precisou pedir carona para ir embora.

Na semana seguinte, a vítima foi a estudante de meteorologia Thais Gomes de Souza, 19 anos. Ela foi roubada no mesmo lugar, por volta das 20h, em ação semelhante. “O rapaz me pegou pelos braços e me empurrou. Bati no muro que separa a passarela da pista e, depois, ele fugiu levando meu celular”, contou.

Os dois não são os únicos que vivem o drama. Ao todo, 40 universitários residem na moradia estudantil, além dos alunos de meteorologia (cerca de 70) que também passam por ali em trajeto até o IPMet. Para chegar aos dois locais é preciso percorrer duas rotatórias no viaduto que passa por cima da rodovia Comandante João Ribeiro de Barros (SP-255), a Bauru-Jaú.  

Há cerca de três meses, a Centrovias construiu uma passarela entre as rotatórias. Porém, existe um único poste na avenida Engenheiro Luiz Edmundo Carrijo Coube, antes da primeira rotatória. Depois, só vai ter iluminação no início da avenida José Sandrin, onde fica a moradia e o IPMet.

“Na maioria das vezes, eu preciso passar por ali à noite por causa das aulas no Centro. Os alunos não aguentam mais essa situação precária”, aponta o estudante de meteorologia, Matheus Morandi, 20 anos.

“Sempre tem pessoas suspeitas em cima do pontilhão. Agora, temos que combinar de ir embora todos juntos, mas nem sempre os horários batem. É uma situação muito complicada”, acrescenta a estudante de artes visuais da Faac, Lidia Arruda Bardaouil, 24 anos.

Atenção especial
O número de assaltos na área das rotatórias, apresentado pela PM, não é tão expressivo. De acordo com o capitão da PM Marcelo Noronha, este ano foram registrados três roubos no local: dois em fevereiro e outro há duas semanas (o último não entrou na estatística).

“A intenção é que não tenha nenhum. Vamos entrar em contato com esses estudantes e dar uma atenção especial para o problema. De início, iremos aumentar o patrulhamento”, prometeu.


Sem dinheiro, prefeitura alega que só pode executar a obra em 2016

A Unesp elaborou um projeto e a prefeitura concordou em executar a obra de iluminação nas rotatórias entre o campus e IPMet. Em nota, a concessionária Centrovias, que administra o trecho, informou que espera documentação pendente para autorizar os trabalhos.

No entanto, mesmo que já estivesse tudo certo, nada aconteceria, pelo menos neste ano. O secretário de Obras, Sidnei Rodrigues, disse que a obra custa em torno de R$ 300 mil, mas a pasta só terá recursos em 2016. “Quando foi apresentado o projeto, no início do ano, tínhamos como executá-lo”, ponderou.

Vice-diretor da Faculdade de Engenharia (FEB) da Unesp, Luttigardes de Oliveira Neto, explicou que a universidade pagou pelo projeto elétrico, que contempla a instalação de seis postes - três em cada rotatória.

Ele explicou que, para a Centrovias dar entrada ao processo junto à Agência de Transportes do Estado de São Paulo (Artesp), precisa de um laudo de vistoria do Departamento de Estradas e Rodagem (DER). “Faltam também alguns documentos tanto da Unesp quanto da prefeitura. Vamos tentar agilizar isso”, disse Luttigardes.