| Éder Azevedo/Arquivo |
| Prefeito de Jaú, Rafael Agostini, decide deixar o PT, onde ficou filiado por período de 12 anos |
O prefeito de Jaú, Rafael Agostini, oficializou o seu desligamento do PT na terça-feira (15), legenda que ele estava filiado há 12 anos. Ele vai se transferir para o PSB, partido comandado no Estado pelo vice-governador, Márcio França. A carta que confirma a saída dele foi divulgada anteontem. O ato de ingresso no novo partido está marcado para sexta- feira ao meio-dia.
Interessado em buscar a reeleição no pleito municipal do ano que vem, o prefeito justifica que a decisão só foi tomada após um longo processo de amadurecimento de suas convicções. A reportagem apurou que a legenda está muito desgastada na cidade. No Estado, o PT já perdeu 20% dos prefeitos eleitos. No último levantamento de agosto do Diretório Estadual, pelo menos 14 dos 68 prefeitos petistas anunciaram a desfiliação da legenda.
O desgaste na imagem do partido pela repercussão negativa dos escândalos de corrupção como a operação lava-jato, a baixa popularidade da presidente Dilma Rousseff, a falta de repasse de recursos do governo federal e o assédio feito pelos partidos de apoio da base do governador Geraldo Alckmin, sobretudo o PSB do vice-governador, tem conseguido atrair os petistas insatisfeitos.
O JC não conseguiu localizar ontem Agostini. Ele divulgou uma carta em que diz que a experiência administrativa mostra que não é recomendável cair na armadilha do descontrole dos gastos públicos, o que em alguns casos cria uma falsa anestesia política, momentânea, das dificuldades da realidade.
Agostini quando assumiu a administração teve que tomar medidas duras por causa da situação econômica do município herdada do seu antecessor Osvaldo Franceschi Jr.
O prefeito não cita em nenhum trecho na carta a presidente Dilma Rousseff e nem o ex-presidente Lula, mas veladamente faz críticas aos dois ao afirmar que a manutenção e o aperfeiçoamento dos programas sociais em andamento, bem como a conclusão dos investimentos e obras públicas iniciadas só são possíveis se os governos mantiverem suas contas em dia.
Dilma enfrenta ameaça de impeachment e uma crise econômica grave, com sucessivas ameaças de aumento de imposto para cobrir as contas federais.
Na carta, o prefeito de Jaú diz que reconhece inúmeros avanços sociais no Brasil ao longo da última década, mas ressalta que tudo isso só foi possível por conta de princípios sólidos obtidos anteriormente na economia. “Apesar de respeitar as opiniões em contrário, entendo que o único caminho que leva à sustentabilidade dos investimentos públicos e do custeio social de um governo é o caminho da responsabilidade fiscal. O do respeito às contas públicas e à compreensão da necessidade de equilíbrio entre receitas e despesas”, diz o prefeito no texto.
Na região, o prefeito de Santa Cruz do Rio Pardo, Otacílio Parras Assis, também prepara sua desfiliação do PT e o ingresso no PSB. Ele chegou a ser sondado pelo PSD, do ministro das Cidades, Gilberto Kassab, também interessado em atrair os prefeitos petistas descontentes. Recentemente, o ex-prefeito de Botucatu Mário Ielo se desligou do PT para se transferir para o PDT.