08 de julho de 2026
Regional

MP denuncia 2 médicos de Duartina

Lilian Grasiela
| Tempo de leitura: 2 min

PC Notícias/Divulgação
Jovem procurou três vezes Hospital Santa Luzia e, após agravar o quadro de saúde, morreu em Bauru

O Ministério Público (MP) em Duartina (38 quilômetros de Bauru) denunciou à Justiça dois médicos por homicídio culposo (quando não há a intenção de matar) em virtude de supostas falhas no atendimento prestado a uma paciente no Hospital Santa Luzia, no final de 2010. A jovem, na época com 20 anos, recebeu alta por duas vezes. Na terceira vez em que procurou a unidade, foi transferida em estado grave para Bauru e acabou morrendo.

A Polícia Civil instaurou inquérito para apurar a suposta negligência por parte dos profissionais depois que familiares da estudante Danielly Messias de Oliveira, que morava em Lucianópolis, registraram boletim de ocorrência contra o hospital por omissão de socorro.

O processo foi remetido ao MP e o promotor Enilson Komono considerou que os médicos Ana Márcia Menechelli Moraco e Marco Antonio Contrera Bérgamo, que atenderam a paciente, cometeram falhas que concorreram com a sua morte.

Na denúncia, ele alega que, na primeira vez em que a jovem procurou o hospital, no dia 25 de novembro, reclamando de dores abdominais e vômito, foi medicada e liberada no dia seguinte por Ana Márcia, que diagnosticou infecção urinária.

Danielly retornou à unidade na manhã do dia 27, com os mesmos sintomas, além de pressão baixa, febre e diarreia. Desta vez, foi atendida por Marco Antonio que, segundo o promotor, receitou analgésicos e, novamente, deu alta a ela no dia seguinte.

A jovem voltou a procurar o hospital na manhã do dia 30 e foi atendida pela médica Herli Meister, que pediu exames de ultrassonografia e radiografia. Os resultados revelaram necessidade de cirurgia e ela foi transferida para o Hospital Estadual (HE) de Bauru.

O quadro de saúde de Danielly se agravou e, mesmo com a cirurgia, ela não resistiu e morreu no dia 2 de dezembro em virtude de apendicite aguda e infecção generalizada.

‘Imperícia’

 

Com base em laudo do legista, o promotor concluiu que os profissionais, por “imperícia”, deixaram de realizar exame físico detalhado ou exames complementares de imagem que poderiam detectar a apendicite, além de concederem alta prematura à paciente.

“Os denunciados alegaram em suas defesas que realizaram exames físicos e que a paciente permaneceu assintomática durante as duas internações. Contudo, tais procedimentos não constam dos prontuários médicos e são contrários às anotações de enfermagem já descritas, evidenciando a falha na conduta dos denunciados”, diz.

‘Morte poderia ter sido evitada’

 

O MP defende que a morte “certamente poderia ter sido evitada se os denunciados prestassem atendimento médico adequado nas duas internações”. Se a Justiça acatar o pedido da Promotoria, os dois médicos podem ser alvos de ação penal. Ana Márcia informou ontem que não tinha conhecimento da denúncia. O JC telefonou duas vezes para Marco Antonio e deixou recado no celular informado pelo hospital, mas ele não atendeu as ligações. Em 2010, o hospital negou qualquer tipo de falha no atendimento da paciente.