09 de julho de 2026
Internacional

Chile: ex-morador de Borborema descreve susto com terremoto

Ana Borges
| Tempo de leitura: 3 min

“Estava no meu apartamento, que fica no 10º andar, com minha namorada, quando começou a balançar tudo. Achei que seria mais um tremor de curta duração como estou acostumado aqui. Pensei que passaria rápido, mas, ao invés disso, foi aumentando. Tanto que chegou num ponto que descemos pelas escadas correndo e fomos para a rua. O depoimento foi dado à reportagem do JCNET por telefone na manhã desta quinta-feira (17) pelo brasileiro Caio Zentil, natural de Borborema (77 quilômetros de Bauru). Ele trabalha como consultor de tecnologia da informação (TI) em Santiago, no Chile, onde vive há cerca de 4 anos. O país foi atingido por um forte terremoto, de magnitude 8,3, que deixou dez mortos, no início da noite de quarta-feira (16).

Divulgação 
O Serviço Geológico dos EUA informou que o terremoto teve magnitude de 7,9, mas rapidamente corrigiu para 8,3, provocando pânico geral

“Confesso que tenho  excesso de confiança. Achei que fosse mais um tremor e só. Minha namorada é chilena e também não sente mais medo desses abalos sísmicos. Porém, quando percebi que ela estava assustada, vi que o melhor era correr mesmo e sair logo de dentro do prédio”, relatou.  

Foram cerca de três minutos de medo generalizado, segundo o brasileiro. As áreas mais atingidas foram regiões costeiras.

Reprodução Facebook
O ex-morador de Borborema, Caio Zentil, vive em Santiago há 4 anos e disse que nunca havia vivenciado um terremoto tão forte no Chile 

Ainda segundo Caio, após o forte terremoto, aconteceram  outros tremores de menor intensidade durante toda a madrugada. Eles ainda continuaram na manhã desta quinta-feira (17). O brasileiro relatou ainda que poucos minutos antes de gravar a entrevista com o JCNET havia sentido outro abalo de intensidade mais fraca.

“Têm uns que são até imperceptíveis.  Ao todo, acho que, depois do terremoto maior, senti pelo menos outros 10 secundários. Mas, pela televisão, autoridades informaram que foram mais de 100 réplicas”. 

Caio reside no bairro de Nuñoa, onde não houve nenhum registro grave e ninguém ficou ferido.

“As pessoas estavam todas nas ruas com bastante medo e inseguras de voltar para dentro das casas, porque não sabíamos quando realmente passaria o tremor”. 

Apesar do clima de pânico generalizado, Caio disse que serviços de telefonia e energia elétrica não foram interrompidos. “O mais incrível é que, apesar de todo o forte impacto do terremoto, tudo funcionou em Santiago. Tivemos apenas problemas de congestionamento nas linhas telefônicas, porque todos queriam dar notícias aos familiares”. 

Para facilitar a vida de quem mora nas regiões atingidas pelo terremoto, o Facebook criou um botão que mostra que o usuário da rede social está em segurança. Dessa forma,  a ferramenta proporciona tranquilidade aos amigos e familiares.

"Hoje, aqui em Santiago, estamos às vésperas de um feriado de Festa Pátrias. A cidade está com pouco movimento nesta semana. Apesar do susto, não penso em voltar a morar no Brasil. Há coisas piores que terremoto. Mas nem todos reagem assim. Encontrei uma senhora cubana que estava em pânico, querendo sair logo do Chile,” revelou.

Intensidade

O Serviço Geológico dos Estados Unidos da América (EUA) informou que o terremoto teve magnitude de 7,9, mas posteriormente corrigiu para 8,3.

Autoridades dos EUA disseram que o tremor ocorreu no oceano Pacífico, às 19h54, e o epicentro foi a cerca de 280 quilômetros ao norte de Santiago e a 55 quilômetros da cidade de Illapel, a 25 quilômetros de profundidade.

Veja vídeos do terremoto: