11 de julho de 2026
Economia & Negócios

Famílias devem planejar 2016 já e redobrar atenção com gastos

Thiago Navarro
| Tempo de leitura: 6 min

Para começar 2016 sem dívidas e com dinheiro para pagar as despesas típicas de começo de ano, o planejamento deve ser traçado já neste mês. Já mesmo.

Quem garante são dois economistas ouvidos pelo Jornal da Cidade, que afirmam: em um cenário de crise, as pessoas devem redobrar a atenção com os gastos, procurando já reservar parte do orçamento mensal para encarar sem problemas as contas de janeiro a março, quando vencem impostos como o IPVA, além de ser época de matrícula nas escolas, com a consequente compra de material escolar.

O economista Reinaldo Cafeo aponta a necessidade de um ajuste no orçamento familiar desde agora.

“As famílias que não pararam para ajustar seus gastos já estão perdendo tempo. É o momento de aplicar a famosa frase: fazer mais com menos. Quem está se organizando, está conseguindo administrar melhor esta fase”, comenta.

Para ele, não é necessário deixar de consumir, mas sim ponderar e avaliar a real necessidade de cada compra. “Primeiro, as pessoas devem olhar para cada item do orçamento e aí começar a perceber onde podem cortar gastos. Hoje por exemplo, vemos que muita gente gasta demais com internet, TV a cabo e telefone fixo. É algo que a família pode rever, procurar um plano mais em conta. Energia é outro aspecto. A família tem que analisar onde está gastando energia elétrica desnecessariamente, aparelhos que podem ser desligados, uso excessivo de lâmpadas e ar condicionado. Estamos para entrar na época de calor, com o preço atual da energia pensar em passar uma noite com o ar condicionado ligado é quase proibitivo”, avalia.

“O segredo é adequar o gasto com a renda. Não adianta a pessoa frequentar bares e restaurantes, sendo que no final do mês esse dinheiro vai fazer falta. E aí vira uma bola de neve, a pessoa vai para o crédito especial, acaba pagando juros altos, sendo que em situações normais a renda deve ser suficiente para cobrir as despesas do mês e, se possível, ainda sobrar um pouco. Se você estiver gastando mais do que ganha e usando uma reserva, por exemplo, algo está errado e precisa ser revisto”, destaca.

Éder Azevedo/Arquivo
Mauro Gallo: “As famílias que não pararam para ajustar seus gastos já estão perdendo tempo”

Cenário

Já o economista Mauro Gallo é enfático: a crise não vai cessar rapidamente.

“Não é algo de curto prazo, de dois, três meses. É crise de dois ou três anos. Então as pessoas naturalmente estão com receio de perder o emprego. Em geral, nós brasileiros não gostamos de planejar as coisas, achamos que estamos perdendo tempo, quando na verdade o planejamento é para que você não perca tempo e dinheiro no futuro. Chegou a um ponto em que não vai ter jeito, todos terão de ajustar seu orçamento”, cita.

Gallo afirma que as pessoas devem poupar e reduzir gastos desnecessários.

“Vamos ter a virada de ano mais difícil desses últimos tempos. Então, no final de ano agora as pessoas devem gastar apenas com aquilo que é estritamente necessário, e avaliar bem antes de comprar algo. E já deveriam estar poupando, para entrar em 2016 em condições de pagar as despesas de janeiro e fevereiro”, completa. “E claro, pesquisar bastante na hora de comprar, avaliar se aquilo é realmente necessário, e se for comprar, pechinchar também”, lembra o economista.

Uso do 13º

Reinaldo Cafeo dá uma dica interessante para encaixar o 13º salário dentro do planejamento para as festas de fim de ano e o começo de 2016.

“A maioria dos trabalhadores da iniciativa privada recebe primeira parcela do 13º em novembro. O ideal é guardar esse dinheiro para suportar as despesas de dezembro, como presentes e os preparativos das festas. Já a segunda parcela do 13º vem em dezembro, essa menor porque vem tributada, com desconto. Esta segunda parcela deve ficar livre integralmente para as despesas de janeiro, já ajuda a dar um fôlego para entrar com caixa no ano novo”, menciona.

Empréstimo e emprego temporário

Para quem já está endividado e não vê perspectivas, o economista Mauro Gallo diz que empréstimo bancário é menos prejudicial do que cartão de crédito ou cheque especial.

“O ideal é não recorrer a nada disso. Mas se for uma situação mesmo inevitável, um empréstimo no banco, um CDC, tem taxa de juros com metade do valor do cartão de crédito ou cheque especial. Esses últimos a pessoa não deve entrar mesmo. Fuja do cartão de crédito e do cheque especial”, aponta.

Empregos temporários também devem aparecer entre novembro e dezembro, apesar de em ritmo menor do que nos anos anteriores, comenta Reinaldo Cafeo.

“Os comerciantes estão esperando o movimento para saber se vão contratar mais gente ou não para o fim de ano. Talvez menos lojas contratem desta vez, mas sempre há oportunidades. Aqui em Bauru também há empresas do setor de recuperação de crédito, que devem contratar mais gente por conta da inadimplência do País. Mesmo não sendo um emprego que pague muito, pode ser uma alternativa para quem está totalmente sem renda”, acredita Cafeo.

Envolvimento de todos em casa

O economista Reinaldo Cafeo pondera que toda a família deve estar empenhada em economizar. “Isso é algo que eu sempre reitero, todos na casa devem participar da discussão do orçamento e se empenhar para que ele seja seguido. Para quem tem filhos adolescentes, que ainda não estão no mercado de trabalho, o desafio é ainda maior, pois muitas vezes os jovens nessa idade não tem a devida noção da dificuldade de se conquistar as coisas, pensa que o dinheiro nasce em árvore”, comenta.

“É fundamental conversar, não adianta ser algo imposto de um para todos. Mas é necessária essa cooperação. De repente os filhos saem toda semana, vai ter que ser a cada 15 dias, a família vai reduzir a quantidade de passeios, se vai viajar, fazer uma mais curta, ou até mesmo abrir mão. Não é necessário deixar de ter o lazer, mas sim enquadrar dentro da nova realidade”, conclui.

FALA POVO:

Você já está planejando seu orçamento para 2016?

Fotos: Malavolta Jr.
“Ainda não parei para pensar nisso, mas um pouco de dinheiro eu estou guardando, sim. A verdade é que, neste ano, está mais difícil de conseguir guardar.” José Luciano da Silva, 40 anos, pedreiro
“Este ano as coisas estão mais difíceis. Eu economizo sempre porque trabalho por conta, então já me previno, então guardo um pouco de dinheiro todo mês.” Cleber Padial, 33 anos, autônomo
“Eu tenho o hábito de economizar sempre, fazer um caixa para as despesas que surgem. Mas esse final de ano vai ser mais difícil que o habitual.” Anésio da Silva, 61 anos, aposentado
“Eu ainda não parei para pensar nisso. Pretendo sim guardar um pouco de dinheiro, mas acho que só vou conseguir mesmo no ano que vem.”

Cirsa Castorino Vilela Justo, 42 anos, servidora pública municipal

“Eu procuro planejar, e tento economizar sim. É importante guardar uma parte do dinheiro, para conseguir fazer uma viagem comprar presentes e pagar as contas do começo do ano.” Luciane de Paula G. França, 36 anos, autônoma
“Agora não está dando para guardar dinheiro, mas estou planejando para entrar no ano novo bem, cortando gastos e trabalhando mais no fim do ano.” Ivan Lucas Onofre, 29 anos, segurança