Conta a estória que um menino chamado João, que morava com sua mãe, era muito pobre e possuía apenas uma vaquinha para o sustento. Um dia ele sai pra vender a vaca e acaba trocando-a por feijões mágicos, que crescem até o céu, onde mora um gigante de quem João rouba uma galinha que põe ovos de ouro. Problema financeiro resolvido, desce o pé de feijão, corta-o e mata o gigante.
Pois bem, nossos governantes, assim como João, o ladrão assassino, procuram uma saída mágica para a crise financeira que nos assola, porém, arar a terra e pagar o preço dá muito trabalho, busquemos uma saída miraculosa, mais impostos. Lembremos que nossa presidente disse em entrevista recente que fará “junções de ministérios”, o que não diminui a folha de pagamento.
A mágica saída que não requer tanto sacrifício por parte do governo do Estado, afinal, diminuir ministérios e cortar salários machuca, visa ressuscitar a antiga CPMF (Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira), agora, se aprovada, chamada de CPPrev - Contribuição Provisória para a Previdência. Na escola aprendi que “contribuição” é voluntária, do contrário é imposto. Será possível então não pagar? Então, você acredita em contos de fada?
Mais imposto, vindo da “galinha dos ovos de ouro” chamado povo brasileiro. A saída fácil para quem não quer buscar uma solução à crise que se agravou por um desgoverno que legisla em causa própria. Desalento do povo que não é representado pelas melhores cabeças.
A descrença do povo pelos seus representantes é nítida, entretanto, como nos defender de um alguém tão mais forte e que possui o poder e as ferramentas em seu favor?
Nossa Constituição registra em seu artigo 6º: “São direitos sociais a educação, a saúde, a alimentação, o trabalho, a moradia, o transporte, o lazer, a segurança, a previdência social, a proteção à maternidade e à infância, a assistência aos desamparados, na forma desta Constituição.” Pois bem, diga isso ao pai ou mãe que perdeu seu emprego e não vê luz no fim do túnel, ao contrário, tem sua energia elétrica aumentada constantemente, os produtos alimentícios em crescente aumento de preço, e por aí vai.
Na pequena cidade onde moro, aproximadamente 43 mil habitantes, várias empresas fecharam e mais de 3 mil pessoas foram demitidas somente no último semestre. Mas o choro do filho desse desempregado não chega até Brasília.
Mas o “novo” imposto não será para todos! Mesmo se assim fosse, me diga, poderá o imposto aplicado ao empresário não respingar nos funcionários? Afinal, para quem é a crise realmente?
Outra estória diz que um homem entrou numa alfaiataria para comprar um paletó; verifica vários modelos e preços e pergunta ao vendedor: “Quanto custa aquele paletó no fundo da sala, enrugado, de cor escura e envelhecido? Responde o vendedor: Aquele? Bom, aquele não tem preço, é feito com o couro mais caro que existe, o da classe média”.
Agora só falta o “João” matar o gigante, que havia acordado, mas que voltou a dormir.