Depois do prefeito de Jaú, Rafael Agostini, oficializar a sua filiação ao PSB, outro chefe do Poder Executivo da região desiste de continuar no PT. O prefeito de Santa Cruz do Rio Pardo (90 quilômetros de Bauru), Otacílio Parras Assis, teve a ficha abonada, anteontem, em São Paulo, em ato com a presença do vice-governador, Márcio França. É o mais novo integrante da legenda socialista, pertencente à base partidária do governador Geraldo Alckmin (PSDB).
Após 13 anos filiado ao PT, tendo disputado duas eleições municipais, com vitória no último pleito de 2012 e cotado para buscar à reeleição, Otacílio confirmou ao JC ontem por telefone, no retorno da viagem à capital, que deixou o ex-partido “por motivos particulares”.
Num levantamento até o final de agosto, em números absolutos a debandada representa 20% das 68 prefeitura que o PT comanda no Estado.
O JC procurou o Diretório Estadual petista para saber os números atualizados, mas o partido não retornou a ligação até o fechamento desta edição.
Antes de aderir ao PSB, Otacílio chegou a receber a visita do ministro das Cidades, Gilberto Kassab, no município ligado ao PSD. Kassab também vem tentando atrair os descontentes petistas para a sua legenda, mas quem mais está conseguindo novas filiação é o PSB.
A justificativa dos prefeitos petistas descontentes é o desgaste que a legenda enfrenta politicamente e a impopularidade da presidente Dilma Rousseff.
Perguntado do motivo de trocar de partido, Otacílio desconversou sobre a crise no partido. Ele admitiu, porém, que o PT é uma legenda que sempre encontrou resistência em Santa Cruz. “Aqui a cidade sempre foi conservadora. A sigla PT nunca foi bem votada em Santa Cruz. Ganhamos a eleição pelo nome e não pelo partido. E agora também não seria diferente, os tucanos se ganharem será pelo nome e não pelo partido. No caso PSB e PT não faz diferença nenhuma no resultado da eleição”, afirmou.
Mesmo deixando o PT, o vice-prefeito de Santa Cruz, Benedito Batista, vai continuar na legenda e não seguirá com o atual prefeito no novo partido. Questionado o fato de Otacílio ingressar em um partido que está na base de sustentação do governo Geraldo Alckmin o que poderia facilitar mais acesso a recursos estaduais, ele negou. “O relacionamento sempre foi bom e não precisa melhorar nada”, acrescentou.