09 de julho de 2026
Esportes

Histórico: Bauru X Real Madrid

Wagner Teodoro
| Tempo de leitura: 4 min

O Paschoalotto/Bauru entra em quadra hoje para protagonizar mais um momento histórico para o esporte bauruense. O time enfrenta o Real Madrid, a partir das 21h, no Ginásio do Ibirapuera, em São Paulo, na primeira vez na história que uma modalidade coletiva de Bauru disputa um título com status de Mundial.

O feito de garantir participação na Copa Intercontinental diante, sem nenhum exagero, de um dos gigantes da modalidade no mundo, por si só já é uma façanha inédita para o esporte bauruense. Qualquer que seja o desfecho da decisão do Mundial Interclubes – o segundo jogo da final ocorre no domingo, no mesmo local, às 12h – o Paschoalotto terá escrito seu nome na história do basquete de uma vez por todas.

O confronto opõe os respectivos campeões da Liga das Américas e da Euroliga 2015 e o Paschoalotto desafia um dos times mais tradicionais do mundo, que conta com um dos elencos mais poderosos do planeta. Soberano na Euroliga com nove conquistas, o time madrileno lutará também para estender seu reinado na Copa Intercontinental. Campeão do torneio quatro vezes entre o final da década de 70 e o início dos anos 80, o Real Madrid é a equipe com mais títulos mundiais na história.

Para fazer frente ao favoritismo do time europeu, o Bauru aposta no potencial de seu qualificado elenco, que é repleto de atletas com nível de seleção brasileira e com boa rodagem internacional, sob o comando do técnico Guerrinha, com vasta experiência como jogador e técnico, além do bom conjunto, já que a base da excelente temporada passada foi mantida e chegaram os reforços do ala Léo Meindl, ex-Franca, do ala/armador Paulinho Boracini, do ala Gui Deodato e do ala/pivô Rafael Mineiro, do Limeira e da seleção brasileira, que veio para substituir a única baixa do time, o pivô Murilo, que sofreu trauma no olho esquerdo.

Velho conhecido

 

Para três personagens do lado bauruense desta decisão o adversário é “velho conhecido”. O técnico Guerrinha vai enfrentar a esquadra espanhola pela segunda vez. Como armador de Franca, em 1981, perdeu por 101 a 60 também no Mundial.

Agora, 34 anos depois, estará no banco comandando o Bauru novamente diante dos espanhóis. “Estamos estudando o Real Madrid há algum tempo e já vínhamos acompanhando os jogos na ACB (Liga Espanhola) e Eurobasket. É um time que joga muito forte, até diferente do que é visto na Europa. Eles têm defesa muito boa e ritmo de jogo muito constante”, promete.

Já o ala Alex reencontra um time contra o qual está invicto. O ala/armador encarou o Real Madrid na temporada 2007/08 da Euroliga quando defendia o Macabi Tel-Aviv, de Israel, com duas vitórias.

E Rafael Hettsheimeir já vestiu a camisa do tradicional time merengue, onde foi campeão espanhol e vice europeu na temporada 2012/13.

Regulamento

 

Disputada em melhor de duas partidas, a Copa Intercontinental terá como campeão a equipe que vencer as duas partidas ou, no caso de uma vitória para cada time, conquistar o melhor saldo de cestas na somatória dos resultados dos dois confrontos.

Cobertura

O Jornal da Cidade vai contar com enviados especiais ao Mundial. O repórter Wagner Teodoro e o fotógrafo Malavolta Jr. estarão no ginásio do Ibirapuera acompanhando todos os detalhes da decisão entre Paschoalotto e Real Madrid.

SÓ AS FERAS

Em 1966, a FIBA (Federação Internacional de Basquete) reuniu quatro dos principais clubes do mundo para a disputa do primeiro torneio mundial interclubes de basquete, realizado na cidade de Madri, na Espanha. A competição, que ficou conhecida como Copa Intercontinental, teve o Ignis Varese, da Itália, como o primeiro campeão ao superar o Corinthians (SP) na decisão. O Real Madrid, da Espanha, e o Jamaco Saints, dos Estados Unidos, também participaram do torneio.


A Copa Intercontinental foi disputada 21 vezes, num período de 1966 a 1987, com uma edição extra em 1996. O Brasil esteve presente em todos os torneios e foi representado por equipes tradicionais do basquete nacional, como o Franca (SP), Sírio (SP) e Monte Líbano (SP), Corinthians (SP) e Botafogo (RJ). Neste período, o Brasil conquistou um título com o Sírio, em 1979, vices-campeonatos com Franca (1975 e 1980), o próprio Sírio (1973 e 1981), Monte Líbano (1985) e Corinthians (1966).

Durante o recesso da Copa Intercontinental, o basquete ganhou uma nova competição mundial interclubes. Desta vez, a NBA (National Basketball Association) resolveu entrar na disputa para atrair o mercado internacional. Foi criado o McDonald’s Championship, torneio realizado nos anos de 1987 a 1999. Nove edições do McDonald’s Championship foram disputadas e o Brasil participou em duas delas.

O Franca foi o primeiro brasileiro a atuar na competição, em 1993, na Alemanha. Os francanos ficaram com a quinta colocação, após uma derrota para o Bologna (ITA) e uma vitória sobre os donos da casa, o Bayer Leverkusen (ALE). Em 1999, na Itália, o Vasco venceu os dois primeiros jogos diante do Adelaide (AUS) e do Zalgiris Kaunas (LIT) e avançou à final para enfrentar o então campeão da NBA, o San Antonio Spurs, e ficou com o vice.

A Copa Intercontinental ressurgiu em 2013, com o atual formato, duelo entre o campeão da Liga das Américas e da Euroliga. No primeiro ano da “era moderna” do torneio, o Pinheiros perdeu para o grego Olympiacos, em Barueri. No ano passado, o Flamengo se tornou o segundo time brasileiro campeão ao superar o Maccabi Tel-Aviv, de Israel, no Rio de Janeiro.