10 de julho de 2026
Regional

Oficina de argila resgata cultura indígena em Lençóis

Rita de Cássia Cornélio
| Tempo de leitura: 2 min

João Rosan
Alunos do Colégio Francisco Garrido moldaram peças de argila em evento no Museu de Lençóis

Na semana em que se comemora a 9ª Primavera dos Museus, um evento estadual, o Museu Alexandre Chitto de Lençóis Paulista realizou várias ações para resgatar a história dos indígenas e aproximá-la do público infantil. Uma oficina de argila fez com que a geração tecnológica pusesse, literalmente, a mão na massa.

Para a diretora do Colégio Francisco Garrido, Sandra Lima, os alunos participantes da oficina de cerâmica viveram momentos inéditos. “Esses alunos lidam bem com as novas tecnologias e perderam o hábito de sentir a terra, a areia e a argila. Aqui eles puderam sentir a argila que, somada à história, deu a eles uma outra visão sobre o passado dos indígenas que habitaram a nossa região. A aula prática é a melhor para o aluno adquirir conhecimento. Ele não esquece, porque é uma experiência de vida.”

Para ela, mostrar como viveram os antepassados e as situações que os indígenas enfrentaram é também uma maneira de valorizarem o passado. A coordenadora Educacional das Ações Culturais e Pedagógica do Museu Alexandre Chitto, Conceição Langone, explica que durante a semana foi comemorada a primavera de museus. “Este é um evento estadual e como o nosso museu está cadastrado no Sistema Estadual de Museus participamos desse evento. O tema é escolhido por eles e este ano foi a cultura indígena. Atendendo a proposta, fizemos uma exposição. Nosso acervo infelizmente não tem muitas peças indígenas.”

De acordo com ela, há  pouco conhecimento sobre os indígenas que habitaram a região de Lençóis Paulista. “Sabemos que eram índios caingangues, violentos. Eles defenderam muito o território, tanto é que não temos quase resquícios dos indígenas. Os índios defendiam seu espaço com arco e flecha enquanto o homem branco usou a pólvora e dizimou as tribos.”

Embora o acervo do museu não tenha muitas peças, algumas são bastante interessantes como uma pedra usada para fazer pontas nas lanças usadas pela população indígena, comenta Langone. “Essa pedra foi encontrada no córrego da Graminha, em 1945, na fazenda do mesmo nome. Acredita-se que os veios existentes nela eram provocados pelo atrito de outra pedra usada para fazer as lanças.”

Uma urna funerária infantil confeccionada em barro é outra peça rara de ser vista e está exposta no museu de Lençóis. “A urna foi encontrada na fazenda Inhumas próximo a Lençóis em 1680. No interior foram encontrados ossos e dentes de crianças.  Um senhor estava roçando o terreno e bateu em um objeto oco com tampa. Ela é chamada de igaçaba.”