09 de julho de 2026
Bairros

Nuno de Assis vira "areia movediça"

Aline Mendes
| Tempo de leitura: 3 min

Palco das obras de instalação dos interceptores de esgoto que ocorrem há mais de um ano, a Nuno de Assis foi gravemente afetada pelas chuvas. Uma das principais avenidas da cidade teve um efeito “areia movediça”. Três veículos de grande porte afundaram na via, que está interditada.

Durante a madrugada, uma caminhonete foi “engolida” por buraco na quadra 11 da Nuno, esquina com a rua Araújo Leite. Mais tarde, o asfalto cedeu e um caminhão particular de lixo também ficou preso. 

Na manhã de ontem, um veículo da Secretaria de Obras foi socorrer o caminhão. Sem sucesso. Pelo contrário. Ele também acabou “sugado” pelo asfalto.

O motivo dos transtornos foi que a chuva afetou a obra dos interceptores. Por meio de sua assessoria de imprensa, o DAE informou que os prejuízos causados aos veículos, o conserto da via e dos interceptores é de responsabilidade da Stemag Engenharia, contratada para executar obra, ainda não concluída. Por enquanto, não há previsão de quando o trânsito será normalizado no local.

Por ironia do destino, na edição deste sábado, o Jornal da Cidade noticiou que esta obra deveria ficar quase R$ 300 mil mais barata que o previsto em contrato, valor que pode ser reduzido a pouco mais de R$ 164 mil, caso o DAE aceite o pedido de reequilíbrio financeiro feito pela Stemag devido ao aumento nos custos para a pavimentação. A expectativa era que a obra fosse entregue ainda esse mês.

“A situação é preocupante. A via está interditada e a população deve evitar o local. Uma avaliação preliminar estima que o reparo deve demorar pelo menos uma semana, pois foram danificados os interceptores de esgoto, a galeria, as caixas de centro sob o asfalto e a pavimentação”, informa Sidnei Rodrigues, secretário de obras do município.

Chuvas

A chuva que atingiu Bauru na sexta-feira contabilizou oito situações de risco envolvendo alagamentos, cinco árvores derrubadas, quedas de energia e vários estragos em residências e vias públicas. Segundo o Corpo de Bombeiros, contudo, não houve registro de feridos.
Conforme noticiado ontem, a chuva ultrapassou os 70 milímetros e provocou alagamentos nos pontos tradicionais: avenidas Nações Unidas, Rodrigues Alves e Comendador da Silva Martha.

“Retiramos mais de seis caminhões de entulho da Nações Unidas, na região do Poupatempo”. Outro ponto delicado foi o final da rua Afro França, na região da Vila Falcão.

“A água invadiu ao menos seis casas. Fizemos a limpeza da via e auxiliamos os moradores na limpeza das casas. Perdemos ali cerca de 100 metros quadrados de asfalto”, disse o secretário.

 Se o tempo ‘firmar’, a recomposição da massa asfáltica deve começar já nesta segunda-feira.

Muita sujeira

De acordo com Álvaro de Brito, coordenador da Defesa Civil de Bauru, ontem o dia foi de limpeza das vias e das casas que sofreram com a tempestade. O recape de buracos, por exemplo, só deve ser finalizado na terça-feira, pois não há pessoal e maquinário suficientes.

Na opinião dele, os estragos só não foram maiores porque as pancadas de chuva mais fortes se concentraram nas regiões sul e central. Nos bairros mais afastados, várias casas foram invadidas pela água, alguns muros cederam e duas árvores foram cortadas preventivamente. “Essa chuva foi uma mostra do que teremos pela frente até o começo do ano que vem. O aumento da temperatura alimenta as tempestades”, lembra Brito.

A orientação dele é que a população aproveite os dias sem chuva para verificar telhas, calhas, rufos e ralos, retirando possíveis folhas, animais mortos e ninhos desses locais. “Os moradores devem tomar essas medidas preventivas para drenar a água e diminuir os riscos de danos aos imóveis”, aconselha, reforçando a importância de não jogar lixo em locais impróprios, pois essa é uma das principais causas de enxurradas e enchentes.