| Aceituno Jr. |
| Raul e Gazzetta, as duas lideranças da legenda, estiveram presentes na reunião realizada ontem |
Quase todos os filiados ou interessados em ingressar ao PV que discursaram durante a reunião do partido, realizada na manhã de ontem, na Câmara Municipal, tomavam o mesmo cuidado: não melindrar as duas principais lideranças da legenda. Tanto o vereador Raul Gonçalves Paula quanto o ambientalista são apontados como possíveis candidatos à Prefeitura de Bauru. O primeiro admite a intenção. O segundo diz que não quer, contudo, neste domingo, pregou que o nome para encabeçar a chapa dos verdes na sucessão a Rodrigo Agostinho (PMDB) seja definido com maturidade.
Gazzetta reitera que, depois de tantas tentativas de chegar ao Palácio das Cerejeiras, firmou-se o acordo de que, no ano que vem, a vez seria de Raul, conforme combinado entre ambos anteriormente.
“Pessoalmente, não quero concorrer. Mas a gente tem que avaliar os cenários. Os dois têm boas chances. Precisamos analisar o cenário que será construído nos próximos seis meses com bastante maturidade para sair quem tiver mais condições. Vamos ouvir todo mundo”, pontua Gazzetta.
O ambientalista reitera, contudo, que não há qualquer tipo de acordo firmado formalmente junto ao vereador Raul, que, por sua vez, alerta para os prováveis ataques de outras forças políticas, incomodadas com, segundo ele, as reais chances de o PV chegar à Prefeitura de Bauru. “Vão tentar criar discórdia aqui dentro”.
Os dois negam a existência de conflitos internos pela disputa. No entanto, cada um se vale, discretamente, de seus instrumentos em busca de maior espaço no partido. Raul levou para a reunião de ontem representantes de outras legendas com as quais já dialoga em busca de alianças para 2016, como o PSC, o PSD e o PR.
Neste último caso, inclusive, por meio de Fábio Manfrinato, recordista de votos em 2012, que não descarta a possibilidade de integrar uma chapa majoritária em eventual dobrada com o parlamentar do PV.
Clodoaldo Gazzetta, por sua vez, pediu cautela na composição das alianças partidárias. “Não vamos misturar andorinhas com urubus. Não adianta juntar 15 partidos [em referência à coligação que elegeu Rodrigo Agostinho] e não conseguir governar. Temos que procurar parceiros com o mínimo de identidade”, pontua.
REDE
Os rumores de que o ambientalista deixaria o PV para se candidatar à Prefeitura de Bauru se intensificaram nos últimos dias, após o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) ter liberado a criação da Rede Sustentabilidade, legenda idealizada pela ex-senadora Marina Silva.
Gazzetta reconhece a identificação com o ideário da ambientalista e afirma que a fundação da nova sigla é necessária para o País. “Sei quem está organizando o partido por aqui, mas não há qualquer conversa em torno da minha filiação. Tenho uma história muito antiga no PV e não dá para sair de uma hora para outra”.
O cenário eleitoral de 2016, porém, só deve ser definido daqui a seis meses. Há a expectativa de que, nesta semana, seja publicada a sanção da presidente Dilma Rousseff (PT) ao texto de minirreforma política aprovado pelo Congresso Nacional, que transfere de outubro para o início de abril do ano que vem o limite de prazo das filiações para os agentes interessados em concorrer a cargos eletivos.
Critérios
A reunião de ontem deliberou a criação de uma comissão que estabelecerá critérios para a escolha dos candidatos a vereador pelo PV em 2016. “É para que a gente não precise recorrer a sorteios de última hora, em função do número limitado de vagas na legenda, como já ocorreu em anos anteriores”, pontua Clodoaldo Gazzetta.
A sigla tem o objetivo de ampliar de dois para três o número de parlamentares no Legislativo de Bauru.
Muitos militantes torcem para que, caso não se viabiliza na disputa pela prefeitura, Gazzetta se lance a vereador e seja um importante puxador de votos para o PV, mas o ambientalista descarta a possibilidade. “Não penso nisso porque não acho correto abandonar mandatos e tenho o plano de me candidatar a deputado em 2018”.