| Malavolta Jr./Arquivo |
| Mudanças, segundo o sindicato, tiram autonomia da unidade São Paulo Interior, sediada em Bauru |
Os Correios estão passando por uma reestruturação que, segundo o Sindicato dos Empregados de Bauru e Região (Sindecteb), tirou parte da autonomia das diretorias regionais, incluindo a unidade São Paulo Interior, sediada em Bauru. A empresa afirma que o processo em curso, iniciado em junho, visa garantir sustentabilidade aos Correios, para que continue como empresa pública e estratégica para o Brasil mesmo diante da redução do tráfego mundial de mensagens físicas provocado pela popularização das novas tecnologias de comunicação.
Em razão da mudança, o presidente do Sindecteb, José Aparecido Gimenes Gandara, explica que os diretores regionais, agora, serão responsáveis por tomadas de decisões de cunho mais estratégico, informação que é confirmada pelos Correios em Brasília (DF). Às recém-criadas macrorregiões – no Estado, sediadas em Campinas e na Capital -, passam a caber a condução das atividades de operações e negócios da empresa.
“O trabalho realizado por várias gerências regionais fica subordinado a estes macrogestores, que respondem diretamente à vice-presidência dos Correios, em Brasília. Antes, atividades da área postal, de atendimento e suporte, por exemplo, eram responsabilidade da diretoria regional em Bauru. Agora, não mais. É um processo em andamento, mas ela perde, sim, status e importância”, analisa Gandara.
Sem demissões
Apesar das mudanças, a empresa garante que não haverá demissões ou mesmo remanejamento de funcionários para outras cidades. Afirma, ainda, que os cargos de diretores não serão extintos e que ganham, inclusive, “representatividade”.
Eles, contudo, ficam responsáveis, agora, apenas por conduzir atividades estratégicas e institucionais de gabinete, assessoria de comunicação e de gestão e relações sindicais e do trabalho. “O diretor passa a ser o representante institucional da empresa no âmbito do Estado, atuando em situações de risco e de denúncias, bem como em ações de prevenção de irregularidades, e realizando regionalmente o alinhamento empresarial e institucional das diretrizes da diretoria-executiva”, esclarece, em nota, a assessoria de comunicação da empresa em Brasília.
Já as áreas de suporte e recursos humanos ficam ligadas diretamente à vice-presidência e as de operações e negócios, às gerências de macrorregiões, subordinadas aos macrogestores. “Foram criadas, ainda, mais seis gerências de macrorregiões com atuação no Interior de São Paulo: encomendas comercial, encomendas operacional, rede e varejo comercial, rede e varejo operacional, postal operacional e tecnologia da informação e comunicação”, detalha a nota.
Após 13 dias, greve da categoria chega ao fim
Após nova audiência mediada pelo Tribunal Superior do Trabalho (TST), os funcionários dos Correios decidiram encerrar a greve da categoria, que teve treze dias de duração. Os empregados retornam ao trabalho nesta terça-feira (29) e se comprometeram a compensar os dias parados no prazo de 90 dias.
Em Bauru, a decisão foi tomada em assembleia realizada na manhã de ontem. Segundo os Correios, 14 dos 36 sindicatos em todo o País decidiram encerrar a paralisação, sendo que outros 16 não chegaram a aderir ao movimento.
A proposta aprovada pelos trabalhadores foi apresentada pela empresa em audiência realizada na última sexta-feira (25), no TST, em Brasília. Com o acordo, os R$ 200,00 que haviam sido inicialmente oferecidos pelos Correios como gratificação serão, agora, incorporados aos salários, sendo R$ 100,00 em janeiro de 2016, R$ 50,00 em agosto e os R$ 50,00 restantes em janeiro de 2017.
| Neide Carlos/Arquivo JC |
| Gandara, do Sindecteb: “A gerência regional perde importância” |
Quando decidiram deflagrar a greve, os funcionários reivindicavam reposição da inflação de 9,56%, mais reajuste real de 10%. A proposta aprovada nessa segunda-feira (28), contudo, não irão sequer repor a inflação aos empregados que ganham acima de R$ 2 mil mensais, segundo aponta o presidente do Sindicato dos Empregados dos Correios de Bauru (Sindecteb), José Aparecido Gimenes Gandara.
“Tendo em vista a atual conjuntura econômica do País, os índices de desemprego e a queda da arrecadação da empresa, não conseguimos avançar o quanto gostaríamos. Como a negociação foi levada a dissídio, a proposta acabou não sendo muito boa, mas a categoria conseguiu alguma coisa”, completa.
Entre as conquistas, está o reajuste de 9,56% sobre os valores do vale-alimentação, vale-cesta, reembolso creche/babá e sobre o auxílio para os empregados que têm filho com deficiência. O acordo também prevê que, até dezembro de 2016, as entregas de correspondências em todo o País sejam realizadas somente no período da manhã.
Os Correios também propuseram reduzir o desconto na folha de pagamento sobre o valor do vale-alimentação – dependendo da referência salarial, de 5% para 0,5%, de 10% para 5% ou de 15% para 10%. Os termos também preveem que qualquer alteração nos planos de saúde terá de ser discutida e aprovada por uma comissão de trabalhadores, que deverá ser formada dentro de 30 dias. Os funcionários tiveram, ainda, a garantia de que os dias parados não serão descontados dos salários.
Novas áreas de atuação
Os Correios esclarecem que a nova estrutura organizacional visa atender às necessidades geradas pelo processo de revitalização da empresa e pela diversificação de suas atividades, decorrentes da sanção da lei 12.490/11 - que ampliou o escopo de atuação da estatal e permite, agora, seu ingresso nos segmentos de serviços postais financeiros, eletrônicos e de logística integrada, além de possibilitar a participação acionária em empresas já constituídas e a atuação no Exterior.
“A exemplo da estrutura adotada por outras grandes empresas postais ao redor do mundo, o novo modelo dá enfoque a unidades estratégicas voltadas aos negócios e aos clientes (rede e varejo, postal, logística, encomendas). Também conta com unidades estratégicas meio (finanças e controle, gestão de pessoas, corporativa, serviços), comitês e a subsidiária CorreiosPar, criada para gerir as participações acionárias estratégicas dos Correios”, acrescenta a assessoria.
Diagnóstico
De acordo com a estatal, o novo modelo, que será implantando gradualmente, é resultado de diagnóstico realizado pela empresa de consultoria Ernst &Young, posteriormente avaliado por centenas de profissionais dos Correios em todo o Brasil, em um trabalho que durou cerca de um ano e meio.
“A implantação da nova estrutura visa fortalecer os Correios como empresa pública, a exemplos de correios de outros países que, após adequação de seu modelo de governança, vêm se apresentando de forma promissora no mercado postal, com o consequente incremento de suas atividades e participação de mercado, como também a valorização do seu quadro de empregadas e empregados”, afirma a assessoria de comunicação.