09 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

Um gato no telhado e seus (mil) partidos

Marco Zambon
| Tempo de leitura: 2 min

Hoje (26/09), lendo o jornal, um misto de terror me toma o sentimento. Quando vemos que escancaradamente um ladrão declara, exatamente depois de sair da cadeia e ser preso novamente, que não tem nada a perder e que vai ser solto novamente pois seu advogado alegará que ele é usuário e será libertado.


No mesmo diurno, leio sobre as trocas de partidos, o namoro e assédio dos políticos em via das eleições que se aproximam. Ora, me pergunto: onde está o ideal de cada um? Porque, ao escolher o seu partido de origem, não o fez com conhecimento e propriedade para ver se estava alinhado com seu pensamento? Aliás, qualquer partido para mim só deve ter uma linha de pensamento: “O Bem Comum”. Quanto às práticas e aos regimes para se chegar ao mesmo, por experiências vividas, já sabemos que algumas não funcionam tão bem como se propagam.


Voltando ao troca-troca de legendas, penso que se trata mais de uma transferência de um time para outro, com luvas, contrato e tal, coisa de profissional mesmo, onde o ideal e o romantismo perderam para a carreira e o ego. Por conta de tal prática é que temos 34 partidos políticos no Brasil.


Será que há tanta diferença assim de pensamento, que se permita a criação de tantos partidos, alguns apenas fonte de barganha como já sabido? Por conseguinte temos agora 39 ministérios, 523 deputados, 81 senadores e quase 100 mil indicados políticos. Com uma máquina deste tamanho, quem consegue operar? Isto é um desgoverno, um caos total.


Por acaso, estamos assistindo à derrocada do País perante este sistema que parece ter saído da antiga Roma. Por estas e outras temos também como consequência obras que não terminam nunca. Aqui vimos a novela do viaduto e agora a ETE já começando com um primeiro capítulo especial, o aditivo de R$ 11 milhões já estudado e diminuído, um circulo vicioso derivado da falta e centralização de comando e poder.

Me desculpem, mas por esta e outras sinto até uma pequena nostalgia de quando ainda tínhamos um pouco de disciplina e eram apenas dois partidos.