| Fotos: João Rosan |
| No Horto Florestal, Irani perdeu insulina por conta do apagão |
| Eliane mostra a geladeira: leite desnatado para o filho estragou |
Dos 4.500 imóveis que ficaram “no escuro” após o temporal de domingo em Bauru, quase 1 mil (4 cerca de mil pessoas, considerando a média de quatro moradores por residência) ainda permaneciam sem energia nessa terça-feira (29) até o meio-dia, segundo a CPFL Paulista.
No Horto Florestal, o problema só foi solucionado às 16h, ou seja, o apagão nesta região perdurou por 42 horas, já que as rajadas de vento de até 70 quilômetros por hora e a chuva de 19,3 milímetros ocorreram por volta das 22h de domingo.
Aliás, os blecautes de longa duração viraram rotina no município. Conforme levantamento feito pelo JC, a população enfrentou ao menos quatro apagões nessas proporções somente neste ano: em janeiro, maio e dois neste mês - em um intervalo de apenas 15 dias.
Nessa terça, oito famílias que vivem no Horto Florestal de Bauru, na Vila Cardia, ficaram “às escuras” até as 16h. A preocupação da auxiliar de serviços gerais Eliane Mendonça da Silva era com a alimentação específica do filho Gabriel, de 19 anos, que sofre de diabetes.
Para não perder os dez frascos de insulina (armazenados na geladeira), ela precisou levá-los para casa de familiares. “Ele só pode comer arroz integral e leite desnatado, que já estragou”, lamentou, enquanto o seu imóvel ainda estava sem energia, pela manhã.
A poucos metros dali, o mesmo drama: Irani Aparecida Alves, 56 anos, segurava nas mãos um frasco de insulina que perdeu por causa da falta de energia. “É muito tempo para restabelecer a energia. Minha diabetes (glicose), hoje, está 230, mas o normal é 110. Sem o medicamento, pode subir ainda mais”, pontuou a dona de casa, reclamando de dores de cabeça.
O aposentado Luiz Carlos de Oliveira, 58 anos, morador do Jardim Pagani, enfrentava um problema inusitado: a residência dele, que fica na quadra 1 da rua Valter Fernandes Cardoso, é a única que estava sem energia entre as demais do quarteirão.
“Vi galhos de árvore sobre o poste em frente de casa, o que deve ter ocasionado o problema. Até agora (na hora do almoço), nada de consertarem. É um desrespeito demorar tanto para consertar. Eu ligo na CPFL e ninguém me atende. Um absurdo!”, reclama.
Mais prejuízos
A energia no Distrito de Tibiriçá, mais precisamente no bairro Shinohara, só foi restabelecida ao meio-dia de ontem, ou seja, 38 horas após o temporal. O produtor rural Luiz Teixeira perdeu 800 quilos de mandioca que mantinha no freezer: prejuízo de R$ 2 mil.
Já a perda do criador de vacas leiteiras Manoel Faria foi ainda maior. “Sem energia, a ordenhadeira (equipamento para tirar leite) não funciona. Mesmo que tirarmos manualmente, não tem como mantê-lo sem o resfriador funcionando. Perdi 200 litros de leite”.
Não é de hoje que o proprietário de uma empresa especializada em melhoramento genético de suínos, Paulo Rangel, enfrenta problemas com falta de energia. Em janeiro deste ano, um “apagão” foi responsável por um prejuízo de R$ 10 mil, conforme o JC divulgou na época.
O transtorno, no entanto, se repete mais uma vez. “A situação chegou em um ponto que temos que andar com as próprias pernas. Precisei locar dois geradores e já estou pensando em comprar o equipamento para não ficar de novo na mão”, critica.
Outro lado
Em nota, a CPFL Paulista manteve a mesma posição em relação aos blecautes: alega que a situação climática registrada foi totalmente atípica e trabalhava sem interrupções para solucionar o problema. Novamente, a companhia não detalhou as causas dos apagões.
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Apagões em 2015
De acordo com levantamento extraoficial feito pelo JC, somente neste ano, foram ao menos quatro blecautes de longa duração em Bauru. O primeiro ocorreu após temporal que atingiu a cidade no dia 12 de janeiro, quando 688 imóveis ficaram “às escuras” por mais de 15 horas.
Em maio, no dia 10, uma chuva acompanhada de granizo e ventos de até 60 quilômetros por hora foram responsáveis pela queda de energia na cidade. A CPFL demorou dezenas de horas para reestabelecer a energia a 30 mil clientes – em torno de 120 mil pessoas.
No dia 8 deste mês, ao menos 3 mil clientes ficaram “no escuro” por cerca de 27 horas, após forte chuva que atingiu a cidade. Entre a última sexta e domingo, dois temporais castigaram Bauru e resultaram em 4.500 imóveis sem energia, conforme o Jornal da Cidade divulgou.
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