08 de julho de 2026
Geral

Bancários iniciam greve nesta terça

Tisa Moraes
| Tempo de leitura: 3 min

Após quase dois meses de negociações, os bancários decidiram entrar em greve por tempo indeterminado, a partir da 0h de hoje. Ainda na noite de ontem, a categoria se reuniu para definir as estratégias do movimento, que deverá contar com piquetes em frente às agências para garantir a adesão do maior número de funcionários já nas primeiras horas de expediente.

Conforme o JC divulgou, a paralisação local foi definida em assembleia realizada em 29 de setembro, na sede do Sindicato dos Bancários de Bauru e Região/CSP Conlutas. Na semana passada, bases sindicais de todo o País também deliberaram pela greve, que começa hoje em âmbito nacional.

Segundo Marcos Assis, um dos diretores do sindicato de Bauru, a categoria reivindica reajuste salarial de 32,21%, além de mais contratações, fim das demissões imotivadas e das terceirizações, bem como melhores condições de trabalho, com o fim das metas que consideram abusivas. Os bancos, contudo, ofereceram 5,5% de aumento e abono imediato de R$ 2,5 mil.

“Entregamos nossa pauta em 11 de agosto e esta primeira oferta, rebaixada, que não repõe sequer a inflação, foi feita somente em 25 de setembro. O abono não é interessante porque não reflete em qualquer direito trabalhista, como férias e 13º salário”, reclama.

De acordo com a Federação Nacional de Bancos (Fenaban), ligada à Federação Brasileira de Bancos (Febraban), o reajuste de 5,5% está alinhado com a expectativa de inflação média para os próximos 12 meses. 

A entidade avalia, ainda, que a negociação das cláusulas não econômicas, ainda em curso, vem se desenvolvendo de maneira positiva, e reitera que continua aberta a negociações e que avaliará contrapropostas que venham a ser apresentadas pelas representações sindicais. 

De acordo com Marcos Assis, as políticas de abono foram adotadas pelos bancos nas negociações ao longo dos anos, o que teria provocado perdas salariais que, hoje, chegam a 90%. “Ou seja, estamos ganhando cerca de 90% menos do que deveríamos, se o índice inflacionário tivesse sido aplicado em todos os anos, desde 1994”, comenta.

Greves anuais

 

Ele diz, ainda, que o número de bancários no País caiu pela metade em 20 anos, passando de 1 milhão de trabalhadores para os atuais 500 mil. “E a demanda de serviço só aumentou, o que vem gerando sobrecarga de trabalho e, consequentemente, queda na qualidade do atendimento”, cita, acrescentando que, mesmo diante de um cenário de crise, os bancos continuam registrando recordes de lucro. 

“Somente no primeiro semestre deste ano, foram mais de R$ 37 bilhões. Eles conseguem pagar os salários dos funcionários apenas com as tarifas que cobram dos clientes”, completa Assis.

Segundo o diretor, a categoria vem realizando greves anualmente nas últimas duas décadas devido à dificuldade de firmar acordos com os bancos ainda durante as rodadas de negociação. “Nos últimos anos, temos conseguido reajuste de 1% a 1,5% acima da inflação oficial, que fica aquém das perdas históricas. Mas, antes, os ganhos eram ainda menores”, observa.

Atualmente, a base sindical de Bauru, que abrange 39 municípios, conta com 3,2 mil bancários. Somente na cidade, são cerca de 70 agências e unidades administrativas. Até ontem, o sindicato não soube precisar quantas deveriam permanecer fechadas, hoje. Durante o período de paralisação, contudo, os caixas de autoatendimento permanecerão funcionando normalmente.

 

Outro lado

A Fenaban informa que a proposta econômica já apresentada às lideranças sindicais prevê a participação nos lucros dos bancos, de acordo com uma fórmula que, aplicada, por exemplo, ao salário-piso de um caixa bancário (de R$ 2.560,00), pode garantir até o equivalente a quatro salários. 

No que diz respeito ao lucro dos bancos, a proposta, nos termos da convenção coletiva do setor, prevê distribuição de 5% a 15% do lucro líquido aos bancários, como regra básica, além da parcela adicional que distribui mais 2,2% do lucro de cada instituição, respeitados os tetos estabelecidos na convenção coletiva de trabalho. Ainda de acordo com a Fenaban, a fórmula de cálculo dessa distribuição é idêntica à adotada anteriormente com aprovação dos sindicatos e pode chegar a mais de R$ 24 mil, dependendo da lucratividade do banco. A entidade afirma que participação nos lucros paga pelos bancos aos bancários é, há vários anos, um destaque dentre todas as categorias, pela sua abrangência e pelos valores individuais e coletivos envolvidos.