| Malavolta Jr. |
| Sindicato afirma que adesão no primeiro dia foi maciça na cidade |
O primeiro dia de greve dos bancários em Bauru, ontem, registrou forte adesão dos funcionários, segundo informou o sindicato da categoria. Ao final do dia, a entidade contabilizava o fechamento de 63 das 72 agências e outras unidades de atendimento ao público, o equivalente a 87,5% do total. A paralisação afetou todo o Brasil.
“A adesão em Bauru foi maciça, principalmente, nos bancos públicos. E existem, ainda, as chamadas áreas meio (de suporte), em que a adesão chegou a 90%”, afirma um dos diretores do Sindicato dos Bancários de Bauru e Região/CSP Conlutas, Carlos Alberto Castilho. Ontem, clientes relataram ter enfrentado dificuldades em razão da paralisação (leia mais ao lado).
De acordo com Castilho, a expectativa é de que o movimento seja ampliado em Bauru e região nesta quarta-feira, em pleno quinto dia útil, período de maior movimento nos bancos em razão da liberação do pagamento dos salários do funcionalismo público.
Atualmente, a cidade conta com cerca de 1,5 mil bancários, sendo que a base sindical, que abrange 39 municípios, soma 3,2 mil trabalhadores. “A tendência é que a paralisação cresça um pouco a cada dia”, ressalta Paulo Tonon, também diretor, acrescentando que algumas das estratégias para aumentar a adesão já começaram a ser executadas.
“Estamos orientando funcionários e promovendo piquetes em frente às agências privadas”, disse, antes de se reunir com bancários da agência do Banco do Brasil na quadra 7 da rua Primeiro de Agosto, localizada no Centro, ontem de manhã.
Sem balanço
Tanto a Federação Nacional de Bancos (Fenaban) quanto a Federação Brasileira de Bancos (Febraban) não têm balanço da greve em Bauru que possa confirmar ou refutar os números apresentados pelo sindicado.
Conforme o JC noticiou, após quase dois meses de negociações, os bancários decidiram entrar em greve por tempo indeterminado, a partir da 0h de terça. A paralisação local foi definida em assembleia realizada em 29 de setembro, na sede do sindicato. Na semana passada, bases sindicais de todo o País também deliberaram pela greve.
A categoria reivindica reajuste salarial de 32,21%, além de mais contratações, fim das demissões imotivadas e das terceirizações, bem como melhores condições de trabalho, com o fim das metas que consideram abusivas.
Os bancos, contudo, ofereceram 5,5% de aumento e abono imediato de R$ 2,5 mil. De acordo com a Fenaban, ligada à Febraban, o reajuste proposto está alinhado com a expectativa de inflação média para os próximos 12 meses.
Dicas
O Procon-SP orienta para que consumidores não sejam prejudicados durante a greve dos bancários. O órgão destaca que as empresas credoras têm obrigação de oferecer outras formas e locais para a realização de transações bancárias: Internet, sede do empreendimento, casas lotéricas, códigos de barras para pagar em caixas eletrônicos, entre outros.
Algumas redes de supermercados têm caixas específicos para o pagamento de faturas de água, luz, gás e telefone. Há ainda, a opção de recorrer aos correspondentes bancários, como é o caso das casas lotéricas.
Caso o fornecedor não disponibilizar opções para quitar o débito, o consumidor deve documentar o pedido (e-mail ou anotar o número de protocolo de atendimento) para que possa reclamar junto a um órgão de defesa do consumidor.
Segundo o Sindicato dos Bancários de Bauru e Região/CSP Conlutas, durante os piquetes em frente às agências, os usuários podem consultar os funcionários em greve sobre as soluções possíveis para suas pendências. “Pedimos a colaboração da população, porque a intransigência não é nossa, mas sim dos bancos, que não apresentaram uma proposta justa nestes quase dois meses de negociações”, observa um dos diretores, Carlos Alberto Castilho.
Usuários divididos em relação à paralisação
Com o aluguel de sua residência atrasado, a dona de casa Rosangela Oliveira, 37 anos, não conseguiu pagar, ontem, o boleto na agência do Banco do Brasil da quadra 7 da rua Primeiro de Agosto. “A greve atrapalha muito. Fui prejudicada, pois deixei meu filho em casa, perdi tempo e combustível para me deslocar até aqui. Agora, terei de procurar a imobiliária para ver o que pode ser feito”, critica.
Na mesma agência, um empresário, que preferiu não se identificar, lamentou que atrasaria o pagamento dos funcionários. “Preciso fazer uma transação na conta para retirar o montante, mas só é possível direto no caixa”.
Há quem seja a favor da greve, como é o caso do aposentado Carlos Alberto Gomes, 73 anos. “Trabalharam e têm direitos. Precisam de aumento como qualquer outro trabalhador”.
O representante comercial Ricardo Furlan de Oliveira, 40 anos, também pondera que a paralisação é um direito dos trabalhadores, mas acredita que os bancários deveriam manter um percentual mínimo de funcionários nas agências. “Eu tenho vários cheques de clientes que voltaram e não tenho como receber os valores. Vou ter de esperar o fim da greve”, comenta.
Já para a balconista Michele Ramalho Miranda, 24 anos, o movimento acaba não interferindo muito em sua rotina, já que costuma sacar todo o salário de uma única vez, em terminais de autoatendimento. “Dificilmente volto para a agência no resto do mês. Quando volto, é só para pagar conta e também uso o caixa eletrônico. Mas espero que possam chegar logo a um acordo, porque sei que prejudica muita gente”, completa.