08 de julho de 2026
Geral

Greve dos bancários: caixas eletrônicos "suportam" 5º dia útil

Marcus Liborio e Tisa Moraes
| Tempo de leitura: 6 min

Marcus Liborio
Em agência na Ezequiel Ramos, clientes tiveram que enfrentar as longas filas dos caixas eletrônicos

No quinto dia útil - período de grande movimento nos bancos em razão da liberação dos salários e benefícios - e segundo dia da greve dos bancários, nessa quarta-feira (7), a alternativa para quem precisava pagar contas e fazer transações diversas foi recorrer aos caixas eletrônicos. Ao final do dia, a adesão à paralisação na cidade havia crescido em Bauru e região, segundo informou o Sindicato dos Bancários de Bauru e Região/CSP Conlutas, que não divulgou novos percentuais.

Mas, considerando que 63 das 72 agências e outras unidades de atendimento ao público amanheceram fechadas nesta quarta, o que se viu foram filas e transtornos, uma vez que muitos esperaram de 40 minutos a uma hora para chegar “na boca” do equipamento.

Foi o caso do comerciante João Henrique, 45 anos. Ele estava em uma agência da quadra 3 da Ezequiel Ramos, no Centro, cujos funcionários aderiram à greve ontem. “Tem caixas com defeito e, daqui a pouco, vai acabar o dinheiro, porque os funcionários não abastecem os equipamentos, única opção nos bancos de pagar contas e resgatar o salário, por exemplo”, criticou.

Por meio de nota, a Federação Brasileira de Bancos (Febraban) informou que os bancos dispõem de um sistema que detecta automaticamente a falta de dinheiro nos terminais de autoatendimento. Quando isso ocorre, a instituição financeira aciona a transportadora de valores para fazer o reabastecimento das cédulas. A entidade não confirmou, contudo, se o procedimento realizado pela prestadora de serviço precisa ser acompanhado por um funcionário.

No mesmo banco, outro cliente que preferiu não se identificar estava há uma hora na fila para pagar contas. Com os boletos em mãos, ele reclamava da demora. “É uma falta de respeito e o dia não rende”.

Sem conflitos

A reportagem do JC se deparou com a mesma cena em outras agências na região central. Na quadra 7 da rua Primeiro de Agosto, a aposentada Ana Rossi, 74 anos, também precisou enfrentar fila demorada para ter acesso ao caixa eletrônico.

Na fatura do cartão de crédito, dois saques que ela diz não ter feito a levaram à procurar ajuda na agência. “Vim à toa”, diz, sem reclamar da greve. Pelo contrário, Ana é a favor da paralisação. “Estão no direito deles. O meu problema pode esperar”.

Em outra agência localizada na mesma quadra, o secretário Renato Ferrari, 37 anos, lamentava o tempo gasto na fila do caixa eletrônico, sem sucesso. “Vai atrasar os serviços bancários”, disse, mostrando vários boletos do clube em que trabalha.

Nessa quarta (7), inclusive, uma mulher chegou a perder R$ 1,5 mil em uma agência lotada da rua Rio Branco após a golpista ter oferecido ajuda à vítima (leia mais na página 10).

Apesar do dia tumultuado dentro nas áreas de autoatendimento, até o meio-dia de ontem não havia sido registrado nenhum conflito entre grevistas e clientes, mas muitas pessoas estavam em busca de informações para o pagamento de contas. De acordo com a Febraban, além dos terminais de autoatendimento, a população pode recorrer aos caixas eletrônicos de locais públicos, como aeroportos, shoppings, supermercados, entre outros, para realizar operações bancárias, como sacar dinheiro.

Também é possível fazer saques nos correspondentes bancários, como casas lotéricas, redes de supermercados e outros estabelecimentos comerciais credenciados. Os saques são limitados a R$ 1 mil por dia.

Para outras operações, que não incluem saques, o consumidor têm opções como o internet banking, o aplicativo do banco no celular (mobile banking) e o telefone.

Adesão

O Sindicato dos Bancários de Bauru e Região/CSP Conlutas não divulgou, ontem, novos percentuais de adesão das agências da cidade à greve, mas garantiu que o movimento ganhou corpo no município e também na região. No primeiro dia de greve, na última terça-feira (6), conforme o JC noticiou, a entidade informou que 87,5% das 72 agências e outras unidades de atendimento ao público de Bauru ficaram fechadas.

Novamente, a Federação Nacional de Bancos (Fenaban) e a Febraban informaram  que não divulgam balanço sobre a greve que possa confirmar ou refutar os números apresentados pelo sindicado. Ontem, de acordo com as lideranças grevistas, um banco que não havia aderido à paralisação no primeiro dia fechou uma de suas seis agências.

Mas, de acordo com Carlos Alberto Castilho, um dos diretores do sindicato, o foco, ontem, foi visitar outras cidades. “É importante a gente ir para a região e ampliar a greve”, diz.

Até às 15h30 dessa quarta (7), bancos em Agudos, Ibitinga, Arealva e Duartina também haviam aderido ao movimento. Segundo a entidade sindical, também há agências fechadas em Avaré, Lençóis Paulista, Santa Cruz do Rio Pardo, Areiópolis, Bernardino de Campos, Fartura, Itaí, Manduri e Piraju.

Região tem reivindicação diferenciada

Diferentemente do restante do País, que pede reajuste salarial de 16%, a base sindical de Bauru e dos Estados do Maranhão e Rio Grande do Norte, vinculados à Conlutas, reivindicam aumento de 32,21%.

Segundo o sindicato local, o percentual leva em conta a inflação, a média de crescimento dos ativos dos bancos nos últimos 12 meses e das perdas salariais acumuladas nos primeiros anos do Plano Real. “Para os bancários da Caixa Econômica Federal, nossa reivindicação é de 90% de reajuste e, no Banco do Brasil, de 80%”, completa um dos diretores, Carlos Alberto Castilho.

Mas, como as negociações vêm sendo conduzidas pela Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT) e pela Confederação Nacional dos Trabalhadores nas Empresas de Crédito (Contec), eventuais contrapropostas dos bancos que forem aceitas pelas bases de todo o País também terão de ser consideradas pelo sindicato em Bauru, conforme reconhece Castilho. “Sabemos que não estamos sentados à mesa de negociações e que, após uma oferta ser acatada no resto do País, não seria possível manter a greve só em Bauru e mais dois estados. Mas nosso objetivo, ao pedir 32,21% de reajuste, é fazer com que esta nossa reivindicação histórica não seja esquecida”, pondera.

Além do percentual, a categoria também pede gatilho salarial a cada três meses, distribuição linear de 25% dos lucros, piso salarial de R$ 3.240,00, além de mais contratações, fim das demissões imotivadas e das terceirizações, bem como melhores condições de trabalho, com o fim das metas que consideram abusivas.

Os bancos, contudo, ofereceram 5,5% de aumento e abono imediato de R$ 2,5 mil. De acordo com a Fenaban, ligada à Febraban, o reajuste proposto está alinhado com a expectativa de inflação média para os próximos 12 meses. 

‘Temos que entender’

“Os bancários têm direito de lutar pelos seus interesses. Temos que entender”, disse a aposentada Margarida Pereira dos Santos, quando pagava uma conta no caixa eletrônico de uma agência da quadra 7 da Gustavo Maciel, onde também havia fila.

Em outra agência na quadra 5 da rua Rubens Pagani, na Vila Samaritana (em frente à Praça Portugal), a movimentação nos caixas eletrônicos era pequena e sem filas. Porém, tinha quem estivesse descontente com a greve, como o comerciante Hélio de Oliveira, 54 anos, que precisava fazer um depósito no nome de terceiro.

“Vou ter de entrar em contato com o beneficiário e combinar outra forma de pagá-lo. Nessa brincadeira, já rodei três agências na cidade e enfrentei muita fila”, aponta.