O grande movimento de pessoas dentro das áreas de autoatendimento das agências e a dependência de caixas eletrônicos para a realização das transações em razão da greve dos bancários podem colocar em risco a segurança financeira dos correntistas, especialmente os idosos. Nos primeiros dois dias de greve, justamente no período de pagamento de salários e benefícios, duas situações relatadas ao Jornal da Cidade demonstram que os usuários precisam redobrar a atenção no momento de usar estes equipamentos.
Já no primeiro dia de paralisação, uma aposentada perdeu R$ 1,5 mil após ser “ajudada” por uma desconhecida, que ficou ao seu lado enquanto ela realizava o pagamento de duas faturas. Até agora, a correntista, de 73 anos, não sabe como o saque foi realizado.
A usuária conta que foi a uma agência da rua Rio Branco na última terça-feira (6), por volta das 11h, quando a área de autoatendimento estava bastante movimentada. “Tinha fila e duas mocinhas (funcionárias) estavam ajudando. Mas eu não precisava de ajuda e fui até o caixa sozinha”, lembra.
Neste momento, segundo ela, uma mulher branca, alta, magra, de cabelos pretos longos e ondulados, vestindo roupa preta, se aproximou. “Com voz empostada, ela deu a entender que era funcionária do banco. Perguntou que tipo de transação eu iria fazer e começou a dar orientações. Eu disse que sabia usar o caixa, mas ela apertou um item na tela e pediu para eu ser rápida”, detalha.
Após pagar as faturas, a idosa imprimiu uma cópia do extrato e foi para casa, quando percebeu o saque de R$ 1,5 mil, realizado no mesmo horário em que efetuou as transações no banco. Imediatamente, ela ligou para o banco, que se comprometeu a devolver o valor, caso as imagens captadas pelas câmeras de segurança da instituição financeira comprovarem o golpe.
“Até agora, não consigo entender como isso aconteceu comigo”, lamenta.
Pura Sorte
O segundo caso foi registrado por volta das 16h dessa quarta-feira (7). Um outro idoso poderia ter um enorme prejuízo se não tivesse a sorte de encontrar alguém bem intencionado para ajudá-lo a fazer um saque no caixa eletrônico de uma agência bancária.
Conforme conta o estudante universitário Guilherme Augusto Correa, 19 anos, um homem aparentando ter cerca de 80 anos o abordou na área de autoatendimento do estabelecimento, localizado em frente à Praça Rui Barbosa. “Ele disse que não enxergava direito e pediu para que eu sacasse R$ 1 mil da conta dele. Cheguei a dizer que eu não trabalhava no banco, mas, diante da insistência, resolvi ajudar. E ele foi me passando todos os dados: senha numérica, senha de letras e todas as informações para confirmar a transação”, comenta, em tom de alerta.
Segundo Guilherme, o homem possuía R$ 20 mil na conta e poderia ter sido lesado se encontrasse um oportunista pelo caminho. “Facilmente, ‘passariam a perna’ nele. Vivemos em um mundo em que não se pode confiar em ninguém, muito menos quando o assunto é dinheiro”, reitera, cobrando dos bancos a manutenção de assistentes que possam prestar auxílio aos usuários durante o período de greve.
Outro caso
Um homem de 31 anos perdeu R$ 6.020,00 após desistir de efetuar um depósito bancário na tarde dessa quarta (7), em uma agência da rua Ezequiel Ramos, no Centro de Bauru. A vítima alega que não conseguiu realizar a transação em razão da greve e, ao deixar o local, foi abordada por dois indivíduos em uma motocicleta, que anunciaram o assalto e exigiram a entrega do dinheiro.
Sob ameaça, o homem obedeceu à ordem dos bandidos e entregou a quantia, que estava junto com um aparelho celular e alguns documentos pessoais, incluindo o cartão do banco. Os criminosos fugiram e nenhum suspeito havia sido identificado até a noite dessa quarta.