11 de julho de 2026
Polícia

Tentativa de ministrar curso em condomínio vira caso de polícia

Tisa Moraes
| Tempo de leitura: 2 min

A tentativa de duas agentes sociais do programa Minha Casa Minha Vida de ministrar um curso de artesanato no Residencial Três Américas 2, no Núcleo Edson Francisco da Silva, terminou em registro de boletim de ocorrência na Central de Polícia Judiciária (CPJ) de Bauru. De acordo com as funcionárias, elas foram hostilizadas por moradores e impedidas, por cerca de dez minutos, de deixar o condomínio, localizado na quadra 1 da rua Manoel Rodrigues Maduro.

O incidente ocorreu por volta das 10h da última quinta-feira (8), quando ambas chegaram ao endereço. Segundo o boletim de ocorrência, as servidoras, de 26 e 52 anos, relataram teriam sido ofendidas com xingamentos por um grupo de cinco moradores e pressionadas, inclusive pelo síndico, a dar uma solução para o problema crônico de entupimento da rede interna de esgoto do residencial.

De acordo com o síndico, que preferiu manter o anonimato, moradores descartam continuamente diversos tipos de resíduos na tubulação, como alimentos, fraldas descartáveis e até barbeadores, algo que poderia ser evitado, segundo ele, se a devida orientação fosse prestada aos condôminos. “Nós não temos mais dinheiro para continuar resolvendo este tipo de problema, que não vai parar de se repetir se este trabalho social não for feito”, completa.

Ele nega, contudo, ter participado do tumulto, anteontem, que foi registrado como difamação e desacato na CPJ. “Elas estão mentindo. Eu sequer vi as duas lá dentro”, assegura.

‘Impossível’

Conforme a assistente social Vanessa Ramos, as duas agentes confirmaram que o síndico participou da confusão e exigiu que elas encontrassem a solução para um problema que, mesmo com orientação, não poderia ser resolvido de maneira imediata. “O pedido não foi para que fizéssemos este trabalho socioeducativo, mas para que solucionássemos a questão naquela hora. E isso é impossível”, reitera.

CONFUSÃO

Com o tumulto instalado, as servidoras decidiram ir embora e acionaram um motorista da prefeitura, momento em que, ainda de acordo com o boletim de ocorrência, o grupo de moradores teria impedido o porteiro de liberá-las. Cerca de dez minutos depois, o portão foi aberto e as funcionárias deixaram o residencial. Ninguém ficou ferido.

Segundo Vanessa, agentes do programa Minha Casa Minha Vida continuarão executando as ações sociais dentro do Três Américas 2, em cumprimento a uma exigência imposta pela Caixa Econômica Federal e pelo Ministério Público Federal, órgãos que já foram informados sobre a ocorrência de quinta (8).