08 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

O SUS ameaçado


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Não fossem somente as questões relativas à corrupção, o governo Dilma faz uma grande contribuição para enterrar definitivamente o que é uma das maiores conquistas do povo brasileiro: o Sistema Único de Saúde (SUS). Esse sim uma conquista da luta dos trabalhadores em geral e dos diversos serviços de saúde, associações de bairro, conselhos populares de saúde, associações e conselhos profissionais. É só rever o que foi a 8ª Conferência Nacional de Saúde em 1986. Desde sua implementação, nos anos 1990, o SUS  vem sofrendo no Legislativo um ataque articulado no campo privatista e vinculado financeiramente aos grandes laboratórios e empresas de equipamentos hospitalares, bem como as empresas de planos de saúde. As dificuldades, principalmente de financiamento, passam por essa articulação. A indicação de nomes para o Ministério da Saúde comprometidos com o SUS sempre foi um desafio dos movimentos sociais nesse cenário neoliberal e privatista, avesso às políticas públicas sociais. Nesse contexto de crise, resultado das barganhas para acomodar os oportunistas de plantão, rifou-se o Ministério da Saúde e entregou ao que há de pior, mesmo no PMDB. Esse senhor não tem nenhum indício de que vai trabalhar para o avanço do SUS, bem como da reforma psiquiátrica, apesar de ser psiquiatra de formação. Fez declarações em relação à diminuição da maioridade penal que merece estar na lista de absurdos que se publica relacionado às provas de redação do vestibular. Porém, para além da chacota, esse senhor é um deputado federal, portanto cheio de poderes e vai comandar um ministério. Lembrando que  a Agência Nacional de Saúde (ANS), formada no período FHC, é constituída por grandes empresários da Saúde. Mas seu parceiro de bancada Cunha, além de ser financiado pela Bradesco Saúde (dados do TSE), foi relator da medida provisória que anistiava as dívidas dos planos de saúde com o SUS. A Lei Nº 13.097, que pretendia reajustar a tabela do Imposto de Renda,  teve adicionada  a ela a permissão de capital estrangeiro na assistência à saúde, presente no Art. 142. Até aqueles cidadãos que dizem não precisar do SUS, pois têm planos de saúde, estão ameaçados, pois o capital estrangeiro tende a aumentar os valores dos planos e estabelecer novas exigências. Se o SUS falir, os planos de saúde serão igualmente inacessíveis para a grande maioria da população, pois vão ser regulados pela tal “lei de mercado”. Essa “lei” só favorece empresários e patrões. Ou seja, precisamos nos mobilizar em defesa do SUS, principalmente conselhos de saúde, conselhos gestores, associações e conselhos profissionais, associações de moradores, sindicatos, gestores públicos e todos aqueles comprometidos com a saúde de qualidade para toda a população.


Osvaldo Gradella Júnior