| Douglas Reis |
| Bauruenses contam como é viver a história mágica das princesas “Elsa” e “Anna” do filme Frozen |
“Você quer brincar na neve?” ou “Let It Go” remetem ao universo de “Frozen” e fazem parte da vida de qualquer família que tenha alguém entre 2 e 12 anos de idade. Um ano depois, duas estatuetas do Oscar - melhor animação e melhor canção original - o filme “Frozen - Uma aventura congelante” continua sendo febre entre crianças (e até adultos), e sinônimo de cifras elevadas em bilheteria, visualizações das músicas no YouTube, venda de DVDs e de produtos licenciados, como roupas e adereços que chegaram a faltar no último Natal.
Se o reino do gelo tomou o mundo e levou os negócios de entretenimento às alturas, a esse sucesso comercial coletivo (foi no mundo todo e não só no Brasil) acrescente-se a história pessoal de duas jovens bauruenses que descobriram como realizar os próprios sonhos: encarnando Elsa e Anna, as irmãs, princesas da fantasia infantil. Com uma pitada de drama pessoal, porque a motivação veio após a morte da mãe de uma delas.
Márcia Caroline Gonçalves, a Elsa
Jornal da Cidade – Quando pensou em ter essa profissão?
Márcia – Depois que perdi minha mãe (Lourdes Pacheco Gonçalves), de infarto fulminante, aos 61 anos, em 2013, entrei em depressão profunda, nem conseguia trabalhar, nada fazia sentido... Porém, eu e minha mãe sempre tivemos o sonho de levar alegria para crianças, isso ficou dentro de mim.
JC – A morte dela foi repentina?
Márcia – Sim, ela morreu no dia do meu aniversário. Na véspera, quando foi deitar, estava ótima e disse para minha cunhada que iria fingir que esqueceu meu aniversário e esperar até 13h15 - hora em que eu nasci - para me dar um abraço. Me lembro que às 5h20 minha cunhada já chamou o Samu e meu irmão nem deixou eu me aproximar porque já parecia não ter jeito. Duas viaturas do Samu vieram e às 6h20 ouvi do quarto, onde eu só orava, o médico dando os pêsames para meu irmão. Foi horrível.
JC – Vocês eram muito ligadas?
Márcia – Demais, ela era meu porto seguro, minha companheira, me ajudava a criar meu filhinho, não desgrudávamos.
JC – Como está a família hoje?
Márcia - Até hoje moro com meu filho Lucas, meu irmão com a esposa e minha sobrinha na casa onde já morávamos antes (tenho mais duas irmãs).
JC – E como a Elsa apareceu?
Márcia – Sempre assisti e assisto desenhos infantis, um dia, assistindo “Frozen”, minha sobrinha Zaine, que mora comigo, disse: “Tia, você parece a Elsa. Faça uma trança”. E, para agradá-la, eu fiz. Foi o estalo.
JC – E daí?
Márcia – Daí, quando dei por mim, estava investindo o valor do meu último mês de seguro-desemprego em uma fantasia de Elsa, real, bem acabada, e entrei nessa com a cara e a coragem (e penso que com minha mãe me iluminando também).
JC – Começou sozinha?
Márcia – Sim e já comecei em um evento grande, o ano passado no palco do aniversário de Bauru.
JC – Se encontrou aí?
Márcia – Sim, sim, a personagem me fez reviver uma alegria que eu não tinha dentro de mim.
JC – E foi logo com a Anna?
Márcia– Comecei sozinha. E o retorno foi tão grande, a procura imensa, que resolvi procurar uma Anna, alguém que se identificasse com o público infantil e quando encontrei a Lissandra Mello, por ela já ter feito teatro, casou. Fizemos uma ótima parceria, pois fazemos com amor. Não a conhecia pessoalmente, a encontrei no Facebook, mas parece que já nos conhecemos há anos.
JC – Onde fazem as apresentações?
Márcia Caroline – Fazemos em locais fechados e abertos, em escolas e festas, enfim, onde tiver criança.
JC – Já estão ganhando dinheiro?
Márcia Caroline – Não. Poderia estar ganhando bem agora, mas eu insisto em fazer apresentações beneficentes, de graça em entidades que cuidam de carentes. Estamos por enquanto na fase de investimento. E olha que temos até quatro shows por dia.
JC – Como vai ser quando a febre Frozen passar?
Márcia Caroline – Virão outras personagens infantis. Agora não saio mais do palco (risos).
Perfil
Nome: Márcia Caroline Gonçalves
Idade - 31 anos, nasci em 6/12/1983 em Bauru
Estudo - Ensino Médio na E.E. Joaquim Rodrigues Madureira
Mensagem – Levar alegria para as crianças, o brilho no olhar de cada uma afasta toda a tristeza que eu poderia sentir
Na televisão – Gosto de assistir desenhos (risos)
Música- Gospel, “Aos olhos do pai”, cantora Ana Paula Valadão
Para quem dá nota 10 – Para minha mãe
Para quem dá 0 – Difícil dizer
Email: marciacarolg@hotmail.com
Lissandra Mello, a Anna
JC – Você já tinha a veia artística, né?
Lissandra – Sim, sempre fui apaixonada pelas artes cênicas, já fiz trabalhos como modelo, apresentações em teatro, circo, dança entre outros.
JC – Isso vem desde pequena?
Lissandra – Com apenas 11 anos, entrei para o curso de teatro do professor Paulo Neves e foi esse curso que plantou em mim a sementinha do amor pelas artes, fiz muitas peças infantis, sempre gostei do lúdico.
JC – Você se realiza no teatro?
Lissandra – Sim, sim, sempre digo que entrei pro teatro uma pessoa e saí outra, com uma cabeça diferente e com outra visão do mundo. Bem melhor, claro (risos).
JC – Você é bem nova, mas alguma coisa já deixou marca nessa área?
Lissandra - Uma das últimas peças que fiz foi “ Quando o universo conspira” dirigido pela Leticia Ravanini e acredito ser a que eu mais cresci e aprendi. Em 2010 com 17 anos saí do teatro e comecei a me dedicar aos estudos.
JC – Desistiu?
Lissandra - Muitas coisas aconteceram, mas nunca abandonei a arte, sempre estive envolvida com alguma coisa...como circo, comerciais para a televisão e alguns curta-metragens.
JC – E a Anna como entrou na sua vida?
Lissandra – Minha mãe viu o anúncio da Márcia em uma rede social e já veio empolgada, dizendo “você vai ser a Anna do Frozen”. Falei com a Márcia e fizemos essa parceria incrível.
JC – E o encontro com a Márcia?
Lissandra – Estamos há dois meses neste projeto e já tenho a sensação de conhecer a Márcia há anos. Temos uma sintonia incrível em cena.
JC – E a família apoia?
Lissandra - Minha mãe ficou superfeliz em eu ter conseguido entrar para este projeto. Meus pais e minha avó são minhas inspirações de vida. Eu devo tudo que sou a eles, sempre me apoiaram e me incentivaram a seguir meus sonhos. Tenho um irmão mais velho, o Lucas, e a gente é muito ligado, ele sempre vai ver as apresentações.
JC – Não é casada, né?
Lissandra – Não, nem tenho filhos (risos), mas namoro um advogado, o Anderson, há um ano.
JC – Bom, nem precisa dizer que você vai continuar a carreira?
Lissandra – Espero continuar, com outros personagens lúdicos em festas, quando o Frozen passar. Fazer eventos é maravilhoso e quero continuar batalhando para conquistar meus sonhos.
JC – O que você tem em comum com a Anna?
Lissandra – Alegre, brincalhona, desastrada (risos). Para mim está sendo tudo maravilhoso. Eu simplesmente fico tranquila em cena. Procuro antes de cada espetáculo fazer exercícios corporais e mentalizar a personagem.
JC – É uma entrega?
Lissandra – Sim, quando entro em cena não me sinto mais a Lissandra e sim a princesa Anna que transborda uma alegria e uma ingenuidade que me contagia. Sinto em cada rostinho que ela contagia as crianças. São meus motivos para ficar linda, maquiada e com tudo perfeito. Cada criança me ensina algo. A gente sai melhor de cada evento.
Perfil
Nome: Lissandra Mello
Idade: 21 anos, nasci em 15/8/1994, em Bauru
Estudo: Faço Arquitetura e Urbanismo na USC, vou me formar em 2018
Na televisão – Eu amo a Disney.
Mensagem - Pode parecer infantil, mas sou também apaixonada pela história do “Pequeno Príncipe”. Ele mostra algo que devemos fazer em nossas vidas, que é cativar as pessoas e criar bons laços em elas, e, claro, nunca deixar morrer a criança existente dentro de nós.
Música- Todas do Ed Sheeran
Para quem dá nota 10 – Jhonny Deep, um artista completo em cena e Fábio Porchat, porque além de dublar o Olaf (o boneco de neve do filme), ele abre a boca e já estou rindo.
Para quem dá 0 – Muito complicado julgar alguém com uma nota tão baixa. Sempre podemos ser melhores. Quando entregamos coisas boas para o universo recebemos coisas melhores ainda.
Email: mellolissandra@gmail.com