A “adoção” é um processo simples. A Secretaria Municipal do Meio Ambiente (Semma) orienta que os requerentes procurem o Poupatempo com cópias dos documentos pessoais e o endereço da área que pretendem cuidar. Em geral, as empresas procuram áreas próximas de suas residências.
Bauru conta com 96 áreas verdes adotadas, segundo dados levantados pela Semma. E, nos últimos três meses, o aumento foi da ordem de 10%, considerando-se que no primeiro semestre do ano a conta havia fechado com 89 praças. A estimativa é de que a adoção de praças e canteiros centrais tenha crescido cerca de 30%, no período de um ano, mas pode ser que no fechamento do ano de 2015 esse número aumente.
Além das ações municipais, hoje a população está mais consciente em relação ao meio ambiente e à importância de se ter um espaço verde próximo de casa. E não só empresas são responsáveis por esses cuidados. Os adotantes normalmente são grupos de moradores, empresas privadas e clubes sociais. O desejo de manter a vizinhança limpa, sem lixo, entulho e mato alto também têm contribuído com a preocupação dos bauruenses. Com isso, eles saem de sua “zona de conforto” e ajudam a cuidar dos espaços de uso comum.
Há moradores que cuidam das praças sozinhos. E fazem disso um estilo de vida.
Mesmo assim, a Semma reconhece que há deficiências e que, infelizmente, muitos estão distantes da consciência ambiental. Para a titular da pasta, Lázara Gazzetta, em muitos dos locais como praças, terrenos baldios e canteiros centrais que ainda não são adotados, são colocados placas de “Proibido Jogar Lixo”. Mas só isso não resolve.
“Hoje, a educação ambiental voltada para conscientização de preservação do meio ambiente está em todas as mídias e é um tema recorrente. Não deveria haver mais este problema”. A secretaria, apesar de não possuir um programa específico, também mostra o que é correto. “Em todas as palestras, eventos, cursos, etc, essa preocupação com os resíduos, arborização e defesa animal é amplamente difundida com banners, materiais informativos e educativos, entre outros”, enfatiza Lázara.
A secretária lembra ainda que a educação ambiental é apresentada em todas as escolas municipais de forma transdisciplinar.
“Onde o tema meio ambiente é estudado por todas as faixas etárias em todas as disciplinas”, ressalta ela. Ou seja, é preciso, sim, que todos os munícipes façam a sua parte.
Praça Zé da Moto
Se os Ecopontos tiveram reduzidos seu horário de atendimento, o mesmo acontece com o Eco Verde Água do Sobrado, que também passará a atender de segunda a sexta-feira, das 8h às 12h e das 13h às 17h, e aos sábados das 8h às 12h. O Eco Verde Água do Sobrado recebe galhos dos serviços realizados pela Semma, Emdurb e por credenciados do curso de poda. É o local onde seria interessante que os moradores da praça Zé da Moto, na região do Parque Vista Alegre colocassem os entulhos de uma grande árvore cortada na semana passada. Jazia lá há dias, bem na esquina com a Cônego Aníbal Difrância. Os tocos da outrora frondosa árvore, bem como seus galhos, estão lá, à espera de quem os recolha. E o mais rápido possível. A razão é fácil de imaginar: se vier uma chuva forte, lá irão galhos e mais galhos e folhas secas para atulhar os bueiros.
Em tempo: das cinco praças percorridas pelo Jornal da Cidade, esta estava muito bem cuidada. E não foi só aquele dia não. Rosângela Dametto, dona de casa, 28 anos, usa a academia para se exercitar. “Venho aqui todas as tardes há seis meses, é um sossego, uma tranquilidade. A prefeitura faz um bom trabalho mesmo”. Com ela, concorda Miriã dos Santos que, com o marido, vende água de coco e caldo de cana. O carrinho fica estacionado bem na sombra. Miriã diz que não tem do que se queixar dos moradores da região. “Aqui todo mundo recolhe seu lixo, quem vem com cães recolhe as fezes dos animaizinhos e não há sujões”, garante.
Sem perdão para má ação
Até mesmo a praça na Vila Nova Cidade Universitária, onde os moradores se conscientizaram e fizeram uma boa ação, pagando um faxineiro e ainda colocando placas de conscientização, está travando uma luta contra os “sujismundos”, diz uma das mantenedoras da praça Salim Haddad Neto. Ela e outras amigas se reuniram para contar ao JC o que está ocorrendo.
Ali alguém já achou as plaquinhas bonitas e as roubou. Mais: as moradoras estão de olho em pessoas de bairros vizinhos. “Soube que há um carro que estaciona aqui toda noite. O dono deixa o cachorrinho fazer as necessidades, não recolhe e vai embora deixando a sujeira ali. Estamos doidas para pegá-lo fazendo isso, vai levar um esculacho”, diz uma das moradoras.
Outra faz questão de contar também que ao caminhar às seis da manhã sempre encontrava uma vizinha do seu próprio prédio levando o cachorrinho para fazer suas necessidades. “Comentei com o faxineiro que era fácil fazer isso, falei bem alto para ela ouvir. Não deu outra, no dia seguinte lá estava ela, mas trazendo o saquinho de lixo para recolher. Deu certo a indireta (risos)”. Por outro lado, a menos de uma quadra de distância, há um tradicional restaurante delivery que fica aberto 24 horas. Por isso, não raro as pessoas vão comer na praça e jogam os restos em qualquer canto.
As moradoras se mobilizaram mais uma vez e os donos do restaurante, agora, mandam um dos funcionários fazer a limpeza na praça e tirar todos os resíduos e caixas com a marca de seus produtos. “Não eram obrigados, mas foi o jeito que acharam para ajudar”, lembra uma das líderes do movimento. Um jeito torto, por sinal, porque estão limpando a sujeira alheia.
Deveria haver uma solução mais definitiva, sonham as moradoras.
‘Freio de mão puxado’
De qualquer forma, por conta dos cortes de serviços públicos, a municipalidade está “com o freio de mão puxado”. Este mês, por exemplo, entrou em vigor novos horários de serviços públicos, entre eles o funcionamento dos ecopontos, onde a população descarta o material que não é retirado pelos funcionários públicos.
A finalidade da criação dos Ecopontos é a de disponibilizar aos munícipes locais adequados para o depósito de entulho, pneus, móveis, eletroeletrônicos, lâmpadas, pilhas e baterias, tudo em pequenas quantidades, ou seja, até 01m³ (equivalente a uma carroceria de picape), colaborando assim com a preservação do meio ambiente.
Os sete Ecopontos não abrirão mais aos sábados à tarde, passando a funcionar de segunda a sexta-feira, das 8h às 12h e das 13h às 17h, e aos sábados, das 8h às 12h.