10 de julho de 2026
Geral

Bauru conquista 68 dias sem um novo caso de dengue

Tisa Moraes
| Tempo de leitura: 3 min

Neide Carlos/Arquivo JC
Segundo Luiz Sabbag, diretor da Urgência de Bauru, os casos suspeitos continuam sendo submetidos a exame sorológico

Após registrar sua maior epidemia de dengue, Bauru completou, nessa terça-feira (13), 68 dias sem nenhum novo registro da doença. Mesmo com um inverno mais quente e com o setembro mais chuvoso dos últimos 15 anos, o mosquito Aedes aegypti parece ter “dado uma trégua” aos moradores da cidade, cumprindo – com certo atraso - o ciclo natural da doença no início de agosto.

Mas a boa notícia não deve ser motivo para negligenciar as medidas de combate à dengue, já que uma nova epidemia não está descartada para 2016, conforme alertou o secretário municipal de Saúde, Fernando Monti, em matéria publicada pelo Jornal da Cidade no mês passado e reitera o diretor da Divisão de Vigilância Epidemiológica da pasta, Ezequiel Aparecido dos Santos. “Até então, depois de uma epidemia, tínhamos anos seguidos com poucos casos. Mas, em algumas cidades da região metropolitana do Estado, já há registros de anos consecutivos com número elevado de pessoas infectadas. E isso também pode ocorrer em Bauru no ano que vem”, afirma.

Em 2015, o município registrou recorde histórico da doença, com comunicação de seis mortes e 8.711 casos - um para cada 42 habitantes da cidade. Em todo o Estado, foram quase 600 mil notificações. Desde o dia 6 de agosto, no entanto, mais nenhum novo registro foi divulgado pela Secretaria Municipal de Saúde.

“Normalmente, de meados de junho até o final da primavera, em dezembro, há redução drástica no número de casos”, destaca Santos. Mas, em razão do inverno com poucos dias frios, o ciclo foi prolongado, neste ano, até o início de agosto – no dia 6, foram 231 novos casos confirmados.

Infestação

E o diretor da Divisão de Vigilância Epidemiológica não descarta a possibilidade de o Aedes aegypti voltar a infectar a população mais cedo, caso o período de chuvas mais frequentes, previsto para ter início no verão, for antecipado. Por este motivo,  é imprescindível eliminar potenciais criadouros da dengue – uma responsabilidade que também precisa ser assumida pelo município, que mantém, um terreno com carcaças de veículos no Jardim Carolina e preocupa os moradores.

Dados da Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo apontam, contudo, que 80% dos criadouros do mosquito da dengue estão localizados dentro de propriedades particulares. A concentração de larvas do Aedes na cidade, inclusive, já está sendo pesquisada pelo município, por meio de visitação às residências para elaborar o Levantamento Rápido do Índice de Infestação por Aedes Aegypti (Liraa), que deve ser divulgado em novembro.

“A expectativa é de que não tenha diminuído e, se este resultado se confirmar, permanece o alerta de possível epidemia para o ano que vem”, adianta Santos. No final do ano passado, o índice de infestação em Bauru foi de 1,9, quase o dobro do limite máximo preconizado pelo Ministério da Saúde, que é de 1%.

Queda drástica

Diretor do Departamento de Urgência e Unidades de Pronto Atendimento (Duupa) da Secretaria Municipal de Saúde, Luiz Antônio Bertozo Sabbag destaca que o número de pessoas com os sintomas clássicos da dengue caiu drasticamente, mas reforça que os casos suspeitos continuam sendo submetidos a exame de sangue (sorológico) sempre que há indicação médica. “As recomendações para diagnóstico e tratamento continuam sendo as mesmas”, frisa.  

O diretor da Divisão de Vigilância Epidemiológica, Ezequiel Aparecido dos Santos, lembra, com o fim do ciclo da doença, os testes laboratoriais – que vinham sendo pagos pela administração municipal - voltaram a ser custeados pelo Estado. “Uma nova cota, de 350 exames, foi liberada. Mas, assim que esta cota acabar, o município volta a pagar os testes”, destaca.