| Fotos: Douglas Reis |
| Agentes de trânsito cruzam os braços até, pelo menos, amanhã, quando haverá reunião na Emdurb |
| Rogério Siqueira, 38 anos, se feriu na cabeça e braço: “Estamos nos sentindo desprotegidos” |
Os 40 agentes do Grupo de Operações no Trânsito (GOT) da Emdurb paralisaram as atividades nas ruas após colega de trabalho ter sido agredido com barra de ferro por um motorista e o filho dele, quando fazia autuação por eles estacionarem irregularmente em uma vaga de idoso no Centro de Bauru (leia mais abaixo).
Em repúdio ao ato de violência, os servidores prometeram cruzar os braços, inicialmente, até essa sexta-feira (16), quando haverá uma reunião entre os trabalhadores, sindicato e autarquia, para serem discutidas medidas para ampliar a segurança dos agentes.
Entre as reivindicações, estão 30% de adicional de periculosidade sobre o salário-base, treinamento de defesa pessoal e autorização para o uso de armamento como tonfas (um bastão) e gás de pimenta.
“Eles querem ainda melhores equipamentos e que a empresa adote uma política de marketing para mostrar à população a importância da atividade dos agentes do GOT na cidade”, explicou o advogado do Sindicato dos Servidores Municipais (Sinserm), José Francisco Martins.
Durante a reunião, ficou decidido que os servidores apenas cumprirão o expediente na sede do GOT, que fica na quadra 10 da rua Cussy Junior, região central. As blitz estão suspensas até que a situação seja discutida na Emdurb nesta sexta de manhã, em horário a ser definido.
Em nota, a autarquia declarou que, após o episódio e com um levantamento de ocorrências policiais (leia mais abaixo), irá “repensar a segurança de seus agentes”. A Emdurb também disse que repudia a violência e está bastante preocupada com o fato. “Medidas serão tomadas para a melhoria e desenvolvimento do serviço e que apoia a continuidade o trabalho dos agentes na organização do trânsito da cidade de Bauru”, disse, ainda em nota.
Adicional
Conforme o JC noticiou no mês passado, a Justiça do Trabalho em Bauru realizou audiência entre o departamento jurídico da Emdurb e a defesa de 27 agentes de trânsito, que protocolizaram ação trabalhista reivindicando 30% de adicional de periculosidade sobre o salário base por utilizarem motocicleta no trabalho e pela exposição dos servidores a ameaças e agressões nas ruas.
Na ocasião, para o departamento jurídico da empresa, os agentes de trânsito utilizam as motocicletas de forma eventual e para deslocamento em tempo reduzido, o que não configuraria direito ao adicional de periculosidade. A demanda, no entanto, segue tramitando pela 1.ª Vara, que solicitou perícia.
“Sobre o adicional de periculosidade, a Emdurb informa que existe ação judicial que trata do assunto. Esta ação ainda está sendo discutida em primeira instância. Paralelamente, estão sendo estudadas outras formas de benefícios aos agentes”, informa a empresa municipal, em nota.
O episódio
“Em nenhum momento fui mal educado com eles”, disse o agente do GOT Rogério Siqueira de Mira, 38 anos, sobre a agressão sofrida Na última terça-feira (13) e que culminou na paralisação dos funcionários. Conforme o JC divulgou, os acusados de agredí-lo seguiam em um Fiat/Punto engatado com uma carreta e um barco e o estacionaram em uma vaga de idoso, na quadra 4 da rua Presidente Kennedy, para ir a um despachante.
Ao perceber a irregularidade, Rogério comunicou o motorista Florismar Primo, de 59 anos, que iria multá-lo. Com ânimos exaltados, o filho dele, Antônio Primo, pegou a barra de ferro, de cerca de 4 quilos, e partiu para cima do agente, que sofreu ferimento no rosto e braço.
“Ele não tinha credencial e foi orientado a tirar o veículo, mas disse para que eu fizesse a autuação, se negou a tirar o carro e saiu. Quando voltou, o filho dele me viu fazendo o auto de infração e pegou a barra de ferro e desferiu um golpe contra mim, mas consegui esquivar-me e acertou a parede, onde chegou a abrir um buraco”.
“O segundo golpe pegou no meu rosto. Aí o imobilizei até a chegada do outro agente e da polícia”, acrescentou Rogério, e pontuou que a situação é recorrente. “Nós sofremos agressão verbal todos os dias. Estamos nos sentindo desprotegidos, não temos nada para nos defender e a população não vê a gente com bons olhos”, desabafa.
| Douglas Reis |
| Advogado do Sinserm, José Francisco Martins: “Agentes querem que Emdurb dê mais segurança e ainda mostre para a população a importância da atividade do GOT na cidade” |
Advogado afirma que agente ofendeu seus clientes e que golpe acertou muro
Advogado dos acusados de agressão, Felipe Braga de Oliveira alegou que Florismar foi insultado pelo agente. Rogério teria dito que o motorista parecia um velho, mas ainda não era, o que teria motivado a discussão. “Eles foram truculentos e, temendo serem agredidos, o filho (Antônio) pegou a barra de ferro e acertou o muro, só para intimidá-los. O objeto não estava nem na linha de alcance dos agentes”, disse.
“Foi então que o agente imobilizou ele, enforcando-o, e os dois caíram. Tudo indica que os ferimentos ocorreram em razão da queda. No hospital, inclusive, foi constatado tratar-se de machucados leves, descartando o fato de os golpes terem sido diretos contra o agente”, acrescentou Felipe.
Rogério permanece afastado das atividades e será submetido à perícia que deve avaliar suas condições físicas e psicológicas para retomar o trabalho.
Investigação
Na delegacia, pai e filho foram autuados por lesão corporal dolosa e, após assinarem um termo circunstanciado, foram liberados para responder o processo criminal em liberdade. “Ainda hoje (ontem) encaminharei ao fórum”, disse o delegado que dará andamento ao caso, Eduardo Sganzela.
“Se o resultado do exame de corpo de delito apontar agressão de natureza grave, esse termo circunstanciado será transformado em inquérito policial. Agora, vamos investigar os fatos para entender as reais circunstâncias da agressão”, finaliza o delegado.
51 ocorrências policiais
Nessa quarta-feira (14), em posicionamento oficial, a Emdurb assumiu que irá repensar a segurança dos agentes, uma vez que, “por questões culturais, as pessoas têm dificuldade em aceitar fiscalizações seja de que origem for, voltando-se contra os fiscais, sem buscarem contudo corrigir a sua conduta”.
A empresa também divulgou um levantamento oficial, apontando que, de 2014 até quarta, foram elaborados 51 boletins de ocorrência de conflitos entre a população e os GOTs.
Neles, estão inseridos os casos de “vias de fato”, “lesão corporal”, “ameaças” e “desacatos”.
Lei também:
Agente de trânsito é agredido com barra de ferro de 4 kg
| Divulgação/Redes Sociais |
| O agente Rogério Siqueira foi agredido com golpes de raspão de barra de ferro e chutes em Bauru |