10 de julho de 2026
Política

Falta de verba na Secretaria de Obras pode parar tapa-buraco

Vinicius Lousada
| Tempo de leitura: 4 min

Quioshi Goto
Quadra 1 da rua Mara Lúcia Vieira, ontem: uma cratera aberta para reparos do DAE e outras cinco estão espalhadas pela via

É só andar pela cidade e constatar que as ruas de Bauru estão tomadas por buracos. Parte deles provocada pelo desgaste no asfalto antigo de alguns bairros, somado à interferência das fortes chuvas do último mês. Outra parte é resultado dos consertos do DAE em vazamentos de água e esgoto, que exigem o recorte do pavimento, muitas vezes não reposto de imediato. Até o fim do ano, o cenário, que já é ruim, pode ficar pior, pois não há mais dinheiro reservado para a produção de asfalto pela usina da prefeitura e o serviço de tapa-buracos será bruscamente afetado.

Secretário de Obras, Sidnei Rodrigues alerta que os insumos já comprados garantem o serviço por mais 20 dias e o dinheiro reservado para essa finalidade no ano de 2015 já acabou.

O orçamento do ano havia reservado R$ 3 milhões para a usina. Contudo, os cortes promovidos na administração em função da queda na arrecadação de impostos reduziram o valor para R$ 1,5 milhão.

Como noticiado pelo JC em agosto, o ajuste levou o poder público municipal a suspender a implantação de asfalto novo e o recape de 180 quadras inicialmente programadas para até o fim do ano. Antes preservado, agora o tapa-buraco está em xeque.

Marcos Garcia, secretário de Finanças, garante que o serviço não será integralmente interrompido, mas admite adequações. “Não vai ser feito no volume ideal, desejado pela Secretaria de Obras”.

Ele afirma que, acabando o material disponível atualmente, serão empenhados R$ 50 mil a cada 20 dias para garantir a continuidade dos tapa-buracos, viabilizados graças a algumas ações programadas, mas que não sairão do papel.

Sidnei Rodrigues, no entanto, pontua que seriam necessários pelo menos R$ 100 mil por mês para garantir a prestação do serviço. O secretário espera que sobre dinheiro em consequência a outras medidas de ajuste, como a proibição das horas extras de servidores e a exigência da redução em 30% do consumo de combustível (não de 20% como divulgado anteriormente).

No DAE

O impasse afeta diretamente a reposição asfáltica nos buracos abertos para reparos na rede de água e esgoto do DAE. Isso porque a autarquia utiliza o material produzido pela usina da prefeitura.

A reportagem tentou, mas não conseguiu contatar o presidente Giasone Candia, que estava fora. A assessoria de imprensa do departamento avisou, no entanto, que não foi informada sobre a eventual suspensão ou redução de produção de pavimento. Nessa quarta-feira (14) mesmo, seus três caminhões que atuam no tapa-buraco retiraram asfalto na usina municipal.

O secretário Sidnei Rodrigues diz que, neste momento, seria interessante que o DAE colaborasse com a prefeitura comprando asfalto de empresas privadas, mas pondera que o órgão também enfrenta dificuldades financeiras.

“Mas diante dessa situação, nós, da prefeitura, já demos uma parada e não estamos mais tapando os buracos abertos pelo departamento”.

Números

Levantamentos extraoficiais apontam que existam cerca de 800 buracos em Bauru abertos pelo DAE. A assessoria de imprensa da autarquia não conseguiu confirmar o número nessa quarta (14) porque o funcionário responsável pelo controle passou o dia fora da sede do departamento, em reuniões, acompanhando o presidente Giasone Candia.

Já a quantidade de buracos decorrentes do desgaste da pavimentação deve ser equivalente, totalizando cerca de 1.600 pontos esperando a reposição asfáltica na cidade.

Secretário de Obras, Sidnei Rodrigues confirma que, em alguns bairros, a situação é mais grave, por conta da pavimentação de mais de 20 anos. “A gente está com muitos problemas na região da Vila São Paulo, no Ipiranga e também no Terra Branca”, exemplifica.

Quioshi Goto
Rua Shimpei Okiyama, quadra 3, Vila Maria, precisa de reparo no asfalto, mas terá de esperar

Demora para reposições repercute

Na última sessão legislativa, o vereador Carlão do Gás (PR) disse que o DAE está transformando a cidade em um queijo em função dos buracos deixados após o conserto de vazamentos.

“Eles já demoram para fazer os reparos nas redes e deixam a água limpa jorrar por dias e dias. Depois, vem a segunda novela: a massa asfáltica não chega e, quando chove, vira tudo uma lama”, relatou.

Na mesma linha, Fabiano Mariano (PDT) mostrou o caso das ruas Mara Lúcia Vieira e Shimpei Okiyama, que ligam a Bernardino de Campos, na Vila Giunta, à avenida Castelo Branco, na Vila Independência.

“São mais de seis crateras ao longo das duas vias e mais de 30 ou 40 remendos, sendo que elas foram recapeadas há pouco mais de um ano. E é assim que acontece em todas as ruas da cidade, pontuou o vereador, ao criticar a desarticulação nas ações entre a Secretaria de Obras e o DAE.

Para ele, o município joga dinheiro fora ao recuperar a pavimentação das vias sem substituir suas antiquíssimas rede de água e esgoto.