Já responsável por um profundo aumento nos gastos da administração pública ao longo do ano, os combustíveis darão novo “golpe” nas contas da Prefeitura de Bauru, do DAE e da Emdurb. A partir da semana que vem, estes órgãos passarão a comprar gasolina, etanol e diesel de postos varejistas e não mais de distribuidoras dos produtos, tornando-os muito mais caros.
Isso porque o posto de combustível da Secretaria de Obras, que tem abastecido as viaturas do poder público municipal, será completamente reformado para se adequar às novas normas exigidas pela Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb) e não funcionará pelo período de um a dois meses; tempo previsto para que todas as intervenções sejam concluídas.
Graças à estrutura própria, a prefeitura tem condição de comprar os combustíveis pelo preço do atacado, diretamente de distribuidoras. A aquisição é feita por meio de atas de registro de preço, das quais são vencedoras as empresas que oferecem maior percentual de desconto sobre o valor do litro vigente no momento dos pedidos.
DAE e Emdurb, que também consomem altos volumes de combustível, não possuem postos próprios e compravam também valendo-se do sistema de registro de preços, no varejo.
Nos últimos meses, porém, os órgãos da administração indireta têm utilizado – pagando por eles – a gasolina, o etanol e o diesel adquiridos pelo posto da Secretaria de Obras, a fim de gozar do baixo custo, em função das severas dificuldades financeiras que atravessam.
Agora, com a reforma da estrutura própria, todos os entes da administração municipal de Bauru não terão como escapar, ao menos temporariamente, das compras junto ao varejo.
VARIAÇÃO
Presidente do DAE – órgão que enfrenta maior dificuldade orçamentária –, Giasone Candia diz que a autarquia terá que se esforçar para manter a prestação dos serviços à comunidade pagando mais caro pelo combustível.
A variação do valor do litro que será comprado no varejo em relação ao pago à prefeitura vai ser de 14% para o diesel, 14,5% para o diesel S10, 20,3% para gasolina e 28,6% para o etanol.
Entre janeiro e setembro deste ano, a autarquia gastou R$ 461mil com combustíveis. “Só em no último mês, quando começamos a sentir novos aumentos no preço, pagamos mais de R$ 79 mil”, pontua Giasone.
Cortes
O aumento do custo do combustível para a Prefeitura de Bauru reduzirá os efeitos da medida de ajuste anunciada pelo governo com o intuito de diminuir despesas.
Como já noticiado pelo JC, por determinação do prefeito Rodrigo Agostinho (PMDB), a partir de outubro, todas as secretarias terão que consumir 30% a menos em gasolina, diesel e etanol.
A administração direta tem gasto, em média, R$ 300 mil por mês com combustíveis ao longo do ano.
Atraso na obra
A reforma no posto de combustível da Secretaria de Obras já deveria ter começado há cerca de um mês. A ordem de serviço, porém, foi postergada a pedido do DAE, que não tinha condições de reservar dinheiro para comprar os produtos no varejo, em razão do maior custo.
“A gente segurou o quanto deu, mas, na próxima semana, termina o meu prazo negociado com a empresa contratada. Além disso, o Tribunal de Contas vinha questionando o porquê de termos concluído a licitação, sem começar a obra”, explica o secretário Sidnei Rodrigues.
Presidente do DAE, Giasone Candia afirma que o empenho dos recursos para a aquisição de combustível em postos particulares já foi feita, mas não garante a disponibilidade de recursos para o resto do ano. “A gente trabalha para pagar tudo até dezembro, mas tudo pode acontecer. Temos uma frota de 220 veículos”, ressalta.