11 de julho de 2026
Polícia

"Bandidos da moto vermelha" roubam o sossego na Bernardino de Campos

Marcele Tonelli
| Tempo de leitura: 4 min

Uma sequência de roubos cometidos entre o dia 11 de outubro e anteontem na rua Bernardino de Campos tem tirado o sossego de moradores e comerciantes. Com uso de uma motocicleta CB 300 vermelha, uma dupla de assaltantes fez três vítimas na via em um intervalo de menos de cinco minutos nas imediações da quadra três por volta das 22h10 deste dominfo. O fato ocorre uma semana após o JC noticiar dois assaltos seguidos a uma farmácia na quadra 17. Funcionários do estabelecimento afirmam que os bandidos também teriam utilizado uma motocicleta vermelha de mesmo modelo na fuga. 

Alex Mita
 
Imagem de câmera de segurança mostra o criminoso assaltando a farmácia no dia 11 deste mês 

Por sorte, nenhum dos casos resultou em vítimas feridas. A sequência de roubos já provocou reação por parte da Polícia Militar (PM), que intensificou o patrulhamento por lá e promete realizar hoje fiscalização específica para motocicletas (leia mais ao lado). 

Traumas

 

O policiamento deve trazer um pouco mais de paz, principalmente, aos funcionários da farmácia da quadra 17 da Bernardino e a uma moradora da quadra 3, que foi assaltada em pleno portão de casa. “Agora, até quando algum cliente entra, levamos susto. Ontem mesmo eu me assustei quando vi um cliente entrando de capacete e colocando a mão no bolso, achei que fosse um assaltante e que estava pegando uma arma”, comenta o homem de 47 anos, encarregado da farmácia, que pediu para ter a identidade preservada.

E tanto medo não é por menos. O local foi alvo de dois assaltos, por volta das 15h30 do último dia 11, e das 19h no dia seguinte. Crimes que resultaram em prejuízo financeiro de R$ 400,00.

No primeiro roubo, o funcionário afirma ter visto o assaltante fugindo com o comparsa em uma CB300 vermelha. “Mas não foi a primeira vez. Em oito anos, acho que fomos assaltados umas oito vezes”, completa.

Moradora da quadra 3 da Bernardino de Campos, a dona de casa de 44 anos que foi assaltada está com medo de sair da residência. “A vizinhança toda aqui tem medo de sair, principalmente quando escurece. Nem conheço direito os meus vizinhos. Estou até pensando em me mudar”, comenta a vítima, que teve o celular, uma bolsa com documentos e R$ 100,00 levados mediante força física, por volta das 22h10 de anteontem, quando voltava a pé da igreja.

Cinco minutos depois, a alguns metros do local, mãe e filha, de 44 e 16 anos, que também voltavam da igreja, tiveram duas bolsas, um par de sapatos, óculos de grau, um celular, uma bíblia e R$ 20,00 levados por bandidos em uma CB 300.

Investigações

 

Responsável pelas investigações, o delegado adjunto da Delegacia de Investigações Gerais (DIG), Eduardo Herrera, não descarta que a sequência de roubos tenha sido praticada por uma mesma dupla. “A suspeita existe, até pela proximidade e pelo modo como foram cometidos, mas não há 100% de certeza. Os casos ainda estão sob investigação”, frisa.

Caso seja verificada a mesma autoria, os crimes podem evoluir para roubo continuado, o que, juridicamente, aumenta a dosagem da pena aos autores.

Em todos os crimes, os bandidos utilizaram gorros e capacetes. As imagens do circuito interno da farmácia foram cedidas para a Polícia Civil, que trabalha no esclarecimento dos casos.

Operação da polícia fiscalizará motos nas imediações da via nesta terça-feira

 

A sequência de roubos na farmácia fez com que a PM direcionasse uma viatura da chamada Diária Especial por Jornada Extraordinária de Trabalho Policial Militar (Dejem), desde a última segunda-feira. Após o registro de casos anteontem, a patrulha receberá ainda mais reforço, hoje, com uma equipe da Ronda Ostensiva com Apoio de Motocicletas (Rocam). 

“É uma via movimentada, foram ações ousadas”, avalia o coordenador operacional interino do 4.º Batalhão de Polícia Militar do Interior (4º BPM-I), capitão Paulo César Valentim. “Amanhã (hoje) mesmo realizaremos a operação que chamamos de Cavalo de Aço (destinada à fiscalização de motocicletas) na via Bernardino, nos horários de maior fluxo da via e próximo aos locais em que os crimes ocorreram, com o objetivo de coibir essas ações”, finaliza.

 

'Está complicando'

 “Vigilante’ das tardes na Bernardino, Marcos Valério, 50 anos, diz que nunca presenciou nenhum tipo de crime. “Acho uma avenida bem tranquila, o problema é que de uns anos pra cá está complicando. As primeiras quadras começaram a ter problema com o tráfico. E as últimas com roubo por serem afastadas do movimento”, observa.