09 de julho de 2026
Política

Câmara reage a cortes de comissionados

Vinicius Lousada
| Tempo de leitura: 3 min

Após oito demissões de cargos comissionados de livre nomeação da Prefeitura de Bauru nos últimos 10 dias – alguns deles iniciados por vereadores, parlamentares subiram o tom de críticas a Rodrigo Agostinho (PMDB) na sessão da Câmara Municipal de ontem, sob o argumento de que o chefe do Executivo tenta, por meio das exonerações de supostos apadrinhados, desviar o foco das reais motivações para a grave crise econômico-financeira enfrentada pelo município.

Ao dizer que o governo não pode atribuir a solução para os problemas à exoneração desses cargos – medida a qual ele diz defender - Sandro Bussola (PT) sugeriu que é de interesse da administração desgastar o Legislativo e deixar seus representantes em situação difícil.

O petista afirmou ainda que seria mais prudente que o Palácio das Cerejeiras revisse alguns de seus contratos – de telefonia, por exemplo – para reduzir despesas de custeio, sem afetar a população.

Malavolta Jr.
Sandro Bussola (em pé) sugeriu interesse do Poder Executivo em desgastar o parlamento; já o líder da base governista, Markinho da Divesidade, pouco pôde defender o governo na sessão 

Telma Gobbi (PMDB) complementou o discurso do petista: “Sem falar na abobrinha”, fazendo referência aos preços acima da média pelos quais a prefeitura vem comprando alguns produtos hortifrutigranjeiros utilizados na merenda escolar. 

A vereadora lembrou ainda que, como noticiado na última semana, todos os órgãos do Poder Executivo passarão a pagar mais por combustíveis, por conta da reforma do posto próprio da Secretaria de Obras. “É uma desorganização”.

Líder da oposição, Lima Júnior (PSDB) reiterou que “jogar responsabilidades nas costas de terceiros” é a forma de agir do prefeito e desafiou Rodrigo a nominar quais parlamentares o chantageiam em troca de cargos. “Não fique só lançando poeira para abafar a incompetência. O problema não está em meia dúzia de comissionados. Parece que a administração não lê jornais”, provocou o tucano.

Na mesma linha, Roque Ferreira (PSOL) pontuou que Agostinho tem deixado sua base de sustentação na Câmara em saia justa. “Nos momentos de crise, os escrúpulos são mandados às favas”.

Ele – ao frisar que não possui indicações junto ao governo – convocou seus pares que as têm a se manifestarem. Arildo Lima Júnior, Artemio Caetano (PMDB), Raul Gonçalves Paula (PV) e Moisés Rossi (PPS) subiram à tribuna para garantir que não.

O último, aliás, sugeriu que Rodrigo Agostinho desse início a um “processo de moralização” da administração demitindo os comissionados emplacados pelo PMDB. “Quem está mais próximo dá exemplos”.

Sobre o tema, não houve defesas por parte do líder do governo no Legislativo, o vereador Markinho da Diversidade (PMDB), nem de parlamentares da base mais aguerridos, como Carlão do Gás (PR).

 

Moral

 Junto a uma série de medidas de ajustes para conter despesas, por conta do estouro dos gastos com pessoal em relação à Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF), o prefeito Rodrigo Agostinho sinalizou a demissão de cerca de 25 cargos comissionados de livre nomeação que trabalham no Palácio das Cerejeiras. As primeiras três exonerações foram publicados no dia 10 de outubro. No último sábado, saíram mais cinco.

O chefe do Executivo tem dito que as dispensas não geram economias relevantes, mas entende que possui o dever moral de determiná-las, reconhecendo pressões de vereadores, responsáveis por algumas das indicações.

Caso Rodrigo exonere os 25 assessores, a administração pode deixar de gastar cerca de R$ 200 mil até o final do ano, equivalente a 10% da meta estabelecida pela equipe anticrise do governo.