Cerca de 100 gerentes, assistentes e trabalhadores com cargos comissionados do Banco do Brasil aderiram à greve dos bancários em Bauru, ontem, quando o movimento chegou em seu 15.º dia. Em razão da paralisação, segundo o Sindicato dos Bancários de Bauru e Região/CSP Conlutas, clientes conseguirão efetuar apenas saques e depósitos nas agências.
“Resgates, aplicações, compra de produtos, cancelamento de serviços e alteração de senha, por exemplo, estão suspensos a partir de hoje (ontem)”, destaca Priscila Rodrigues, uma das diretoras sindicais. A assessoria de imprensa do Banco do Brasil em Bauru não confirmou as informações, alegando que a Federação Brasileira de Bancos (Febraban) é o órgão que centraliza os posicionamentos sobre a greve. Mas destacou que os clientes que enfrentarem dificuldades para efetuar transações nas agências devem utilizar canais de atendimento alternativos, como o Banco Postal dos Correios, correspondentes bancários, portal BB (www.bb.com.br), aplicativo de celular ou a central de atendimento (0800 729 0001).
Segundo o sindicato, gerentes de bancos de Bauru não aderiam à greve desde 2004. Conforme o JC apurou, a mobilização teria sido motivada pelo receio dos funcionários dos bancos públicos em receberem uma proposta de reajuste rebaixada em relação à oferta aos trabalhadores dos bancos privados.
“Na região, gerentes do Banco do Brasil de Piraju, Lençóis Paulista, Itaporanga, Taquarituba e Avaré também já haviam cruzado os braços”, acrescenta Priscila. Até ontem, 90% das 72 agências de Bauru estavam de portas fechadas, sendo oito do Banco do Brasil .
PROPOSTA RECUSADA
Ontem, a Federação Nacional dos Bancos (Fenaban) realizou uma nova rodada de negociações com o comando nacional de greve, em São Paulo, e apresentou nova proposta à categoria. A oferta foi de ampliar o reajuste salarial de 5,5% para 7,5%, com a exclusão do abono imediato de R$ 2,5 mil inicialmente sugerido. Para os empregados que recebem o piso, o aumento seria de 8,5%.
Mas, ainda na mesa de negociações, os grevistas rejeitaram a contraproposta, que não será levada à apreciação dos trabalhadores em assembleia. Diferentemente do restante do País, que pede reajuste salarial de 16%, a base sindical de Bauru e dos Estados do Maranhão e Rio Grande do Norte, vinculados à Conlutas, reivindicam aumento de 32,21%.
A categoria também pede gatilho salarial a cada três meses, distribuição linear de 25% dos lucros, piso salarial de R$ 3.240,00, além de mais contratações, fim das demissões imotivadas e das terceirizações, bem como melhores condições de trabalho, com o fim das metas que consideram abusivas.