| João Rosan |
| "Nunca aceitaria um convite para comandar uma equipe do nível do Bauru se não estivesse pronto" Demétrius |
“É o maior desafio de minha carreira. Sou movido a desafios, eles fazem a gente crescer”. Esta frase de Demétrius Ferracciú na entrevista coletiva dessa quarta-feira (21), no Ginásio Panela de Pressão, que marcou sua apresentação oficial como novo técnico do Paschoalotto/Bauru, resume o que espera o treinador em seu novo emprego, onde tem contrato de dois anos.
Em sua apresentação, Demétrius falou sobre os planos para o restante da temporada, onde tem pela frente o NBB e a Liga das Américas, a “sombra” de Guerrinha e as comparações com o seu antecessor, o pouco tempo para fazer a transição de estilos de jogo, entre outros assuntos. Confira os principais trechos da entrevista:
Imprensa – Como você lida com a responsabilidade de comandar um elenco qualificado como o do Paschoalotto e substituir um treinador que foi campeão de tudo?
Demétrius – Estou preparado com as experiências que já tive no basquete, tanto como jogador quanto como técnico. Sei da responsabilidade e desafio. Eu poderia estar em uma zona de conforto, mas minha personalidade não é esta. É um momento importante e bom para minha carreira. As comparações com o Guerrinha são inevitáveis, principalmente por tudo o que o Guerrinha teve o mérito de conquistar. Mas tenho minha maneira de trabalhar, meu pensamento, meus objetivos e metas. Minha expectativa e objetivo é ser campeão.
Imprensa – Bauru tem grandes chutadores de três. Você se notabilizou por montar times com uma transição defesa/ataque muito forte. Você vai tentar montar isso aqui?
Demétrius – A gente vai tentar tirar sempre o máximo de cada jogador. A questão talvez não seja o volume de jogo que o Bauru vai ter de três pontos. É como vai ter. Você pode chutar dez bolas de três porque a defesa lhe deu esta condição, a questão é como vamos tomar as decisões. Minha ideia é diversificar as opções de estilo de jogo, jogo interior e exterior. Mas o importante é a maneira de que vamos criar as situações para decisão. Fiz uma clínica na Euroliga e vi situações muito interessantes. Vou começar a colocar meu trabalho e tem bastante coisas diferentes do que Bauru já fazia. Vou tentando colocar minha cara como técnico para o time ir se adaptando.
Imprensa – O prazo que você terá para trabalhar a adaptação do elenco é curto, a estreia no NBB contra o Flamengo é no dia 2 de novembro. Como pretende fazer esta transição?
Demétrius – No dia a dia vamos ver como os jogadores irão se adaptando. Já solicitei à diretoria a realização de dois amistosos (os times e datas ainda não foram definidos) para ver como estão sendo executadas no jogo as informações que vamos passar. É importante avaliar em cima dos dois jogos o que vamos fazer. Não posso falar que vou dar um conteúdo 100% do que eu quero adaptar. Vai ser muito em cima da situação e de como os jogadores vão se sentindo no dia a dia do trabalho.
Imprensa – Neste período até a estreia, vai ter mais conversa ou trabalho em quadra?
Demétrius – Vai ter conversa e parte tática. Não tenho uma receita do que vou fazer. É muito do dia a dia, o que você sente e como vai lidando. Como fui jogador, eu sei o que é o técnico falar com o jogador e me sinto muito à vontade.
Imprensa – Qual o planejamento para o NBB?
Demétrius – Nosso foco é ficar no G2 para ter vantagem. Entre G1 e G2. Mas, pela qualidade da nossa equipe, podemos ganhar em qualquer lugar. Se não tivermos vantagem podemos ganhar no Rio, em Bauru... O importante é a experiência que o grupo tem.
Imprensa – Você é assistente do Rubén Magnano na seleção. Esta situação foi conversada com a diretoria do Paschoalotto para conciliar seu trabalho em Bauru na seleção?
Demétrius – Em termos de datas, praticamente não bate. No ano que vem as Olimpíadas são um pouquinho para frente (5 a 21 de agosto) e normalmente os campeonatos da seleção são no final de agosto. Não teriam campeonatos simultâneos e nem problema.
Imprensa – Na sua conversa para acertar com Bauru foi feita alguma menção a respeito de aproveitamento dos garotos das categorias de base?
Demétrius – A gente já conhece alguns jogadores da base e sabe da estrutura que existe. O foco principal é o adulto, mas iremos avaliar. Já fui técnico da seleção brasileira sub-17, 18 e 19 e venho acompanhando esta geração. Sei do potencial e da característica dos jogadores. Assim que tiver oportunidade, se eles estiverem prontos, vamos aproveitar.
Imprensa – Você conversou com Guerrinha nesta ‘passagem de bastão’?
Demétrius – Sempre que o Guerrinha era campeão, eu ligava para dar os parabéns. Quando ele perdia, ligava para apoiar. Joguei junto com ele em Franca e temos uma relação de muito respeito, sinceridade e lealdade. Eu liguei para ele justamente para dar um apoio, mesmo sabendo que meu nome estava envolvido para ser o substituto. Ele sabe que eu não tenho nada a ver com isso (saída), porque eu estava empregado. Ele sabe da minha índole, do meu caráter. Fiquei muito tranquilo em conversar com ele e dar uma força, pela consideração e respeito que tenho por ele.
Imprensa – Você costuma montar um time muito bem postado defensivamente. Qual a importância de ter o Alex, considerado o melhor defensor do Brasil?
Demétrius – Para mim, o Alex é um dos melhores defensores do mundo. Mas defesa não se consiste de um jogador. O importante é o que ele contagia e garante de defesa.
Paschoalotto admite desgaste com Guerrinha
Rodrigo Paschoalotto, presidente da Paschoalotto, empresa patrocinadora master do Bauru Basket, e membro do comitê gestor, que determinou troca de Guerrinha por Demétrius no comando do time, afirmou que a mudança veio motivada pelo desgaste de relação com o antigo treinador, em função dos sete anos à frente da equipe. “A gente não discute a qualidade do Guerrinha. Talvez não tivesse basquete em Bauru sem ele. Queremos oxigenar. Tinha muita coisa interna que ninguém acompanhava. Mas agora não vamos fazer caça às bruxas. É hora de energia boa”, entende o empresário.
O gestor Vítor Jacob falou sobre a mudança no meio da temporada e às vésperas do início do NBB, obsessão da equipe. “Precisávamos de algo novo para o NBB e o momento foi agora porque estamos para começar o NBB. Pensando para frente, precisa desta mudança, desta nova estratégia, novo sistema. Foi muito difícil esta decisão pelo histórico do Guerrinha e pelos resultados alcançados com ele no comando”, declara. “Seria muito mais cômodo para não fazer nada. A gente poderia ter uma boa campanha do NBB. Mas eu acho que do jeito que estava o caminho não era de vitória”, acrescenta Paschoalotto.
O comitê gestor é composto por nove membros, entre diretoria, representantes dos patrocinadores e pessoa envolvidas com o basquete da cidade. Integram o comitê gestor Vítor Jacob, Rodrigo Paschoalotto, Eric Garms, Cássio Cerimelli, Bráulio Ribeiro, Beto Fornazari, Luciano Humberto, Joaquim Figueiredo e Sandro Fabiano. Paschoalotto negou ainda que a saída de Guerrinha tenha relação ou decrete o final do ciclo da empresa como patrocinadora do time bauruense neste momento. “A Paschoalotto não vai sair do basquete. Temos contrato com o Bauru Basket. Nossa vontade é não sair. Mas não estamos a salvo da crise econômica do País. No futuro, daqui a dois, três anos, é outra história”, pondera.