| Alex Mita |
| Nessa sexta-feira (23), a Festa da Ciência reuniu escolas públicas e particulares, empresas, além de universidades, para mostrar que a ciência não tem fronteiras |
Escolas públicas e particulares, empresas, além de universidades, conseguiram se reunir em prol de um único objetivo: mostrar que a ciência não tem fronteiras. Essa afirmação, inclusive, ficou bastante evidente durante a Festa da Ciência, que se deu nessa sexta-feira (23), das 8h às 22h, no Recinto Mello Moraes, em Bauru. A iniciativa finalizou a 12.ª edição da Semana Nacional de Ciência e Tecnologia (SNCT), que ocorreu entre os dias 19 e 23 de outubro.
Com o tema “Luz, Ciência e Vida”, a 12.ª SNCT contou com quatro eventos principais: um concurso de redação, o “Ciência Vai à Escola”, o “Ciência Tour” e a Festa da Ciência. O primeiro, conforme o JC já divulgou, deu início ao restante. A competição de textos se destinou aos alunos do 8.º e 9.º anos do ensino fundamental público de Bauru, que escreveram dissertações acerca do assunto central do evento (leia mais abaixo).
Já o “Ciência Vai à Escola” e o “Ciência Tour” privilegiaram a troca de informações entre alunos, empresas e instituições de pesquisa. Cerca de 1 mil estudantes participaram da iniciativa durante a semana. Por fim, a Festa da Ciência trouxe 76 estandes, montados por 28 parceiros da comunidade científica de Bauru, tais como universidades, centros de formação e repartições públicas.
Os participantes interagiram com experimentos das mais diversas áreas: física, matemática, saúde, astronomia, biologia, design, engenharia, meteorologia, comunicação, mecânica, meio ambiente, aeronáutica e medicina. Dando uma volta na feira, era impossível não notar um dos projetos desenvolvidos pelos alunos da Escola Estadual Professor José Aparecido Guedes de Azevedo: um cart com motor sustentável movido a hidrogênio.
Segundo a diretora da escola, Vânia Moreto, a instituição conta com diversos projetos para incentivar os estudantes a descobrir a carreira que pretendem seguir e esse é um deles. “O cart ainda está em fase de conclusão, mas a ideia é ligar o veículo, proporcionar um curto-circuito que provoque a quebra das moléculas de hidrogênio e oxigênio para fazer com que o motor funcione”, explica o estudante Carlos Eduardo de Freitas Campos, 16 anos.
Colega de Carlos, Ashiley Maiara Agostinho, 17 anos, já definiu o projeto de vida a partir da proposta da escola. “Eu pretendo fazer engenharia automotiva”, acrescenta. Era exatamente esse o intuito da 12.ª SNTC, conforme explica o coordenador da iniciativa em Bauru, Lourenço Magnoni Junior. “É a ciência não apenas para a comunidade científica, mas para a sociedade como um todo”, completa.
Já na universidade...
Em um estande um pouco mais em frente ao dos alunos da Escola Estadual Professor José Aparecido Guedes de Azevedo, não deu para deixar de notar a impressora 3D, desenvolvida pelo Departamento de Artes e Representação Gráfica da Unesp de Bauru em parceira com a Faculdade de Engenharia de Bauru (FEB). O desenho é feito via computador e o item imprime em diversas camadas de plástico até formar o objeto em si.
É o que explica o estudante de pós-graduação da FEB, Ricardo Amaral Silva, 26 anos. “O custo é baixo e a impressão sai em cerca de uma hora e meia. As peças podem ser utilizadas para desenvolver produtos, que, muitas vezes, ainda não existem. Outra função é a didática. Ao invés de mostrar a figura da proteína em uma aula de biologia, por exemplo, dá para imprimir uma peça palpável”, argumenta.
Já o professor do Departamento de Artes de Representação Gráfica da Unesp Luiz Antonio Vasques Hellmeister conta que a instituição descobriu outra função da impressora 3D: a construção de próteses de membros do corpo humano. “É uma tecnologia multidisciplinar e já tem gente imprimindo tecidos humanos através dela. Quem sabe não servirá para reproduzir órgãos? Seria um grande passo para a medicina”, finaliza.
| Alex Mita |
| Sérgio Purini, coordenador do JC na Escola: “Nós reunimos artigos de pesquisadores e as redações dos alunos nesta publicação” |
Redações nota 10
Após um concurso, as 12 melhores redações foram publicadas no livro “JC na Escola Ciência: Luz, Ciência e Vida”, lançado durante a Festa da Ciência. Os autores ganharam troféus, além de diplomas para as respectivas escolas.
A publicação terá 40 mil exemplares, que serão distribuídos em escolas, empresas e universidades de Bauru e região. “Nós reunimos artigos de pesquisadores e as redações dos alunos”, frisa o coordenador do JC na Escola, Sérgio Purini. O livro também terá uma versão digital para que todos possam ter acesso. A publicação foi organizada em parceria com o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), o JC, a Agência de Inovação INOVA Paula Souza, a Estratégia Internacional para a Redução de Desastres da ONU e a Associação dos Geógrafos Brasileiros de Bauru.