11 de julho de 2026
Política

Aloysio: Brasil precisa de definição sobre impeachment para sair da crise

Vinicius Lousada
| Tempo de leitura: 4 min

Aceituno Jr.
Senador Aloysio palestrou no encerramento de evento do curso de Relações Internacionais da USC, na noite dessa sexta-feira (23)

O senador por São Paulo Aloysio Nunes Ferreira (PSDB) esteve nessa sexta-feira (23) em Bauru, onde ministrou palestra de encerramento da III International Relations Week da Universidade do Sagrado Coração (USC).

Presidente da Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional do Senado, o tucano explanou sobre os trabalhos do grupo, fez considerações sobre a política externa brasileiro e abordou alguns pontos das legislações que versam sobre os refugiados e imigrantes no Brasil.

Antes do compromisso, Aloysio visitou o espaço Café com Política e concedeu entrevista na redação do Jornal da Cidade. Para ele, a saída da crise econômica está no desembaraço dos impasses políticos e no drástico corte de gastos por parte do governo federal. Em meio a isso, Nunes considera imprescindível a necessidade de definição sobre o futuro da presidente Dilma Rousseff à frente do Palácio do Planalto.

Estiveram também no Café com Política o subsecretário da Casa Civil do governo do Estado, Rubens Cury; o prefeito Rodrigo Agostinho, vereadores Arildo Lima Jr. e Fernando Mantovani, do PSDB; Marcelo Borges, dirigente municipal do PSDB, o chefe de Gabinete do prefeito, Arnaldo Ribeiro; Sérgio Murilo, assessor do deputado Arnaldo Jardim; os vereadores tucanos de Pederneiras Mauro Gonçalves Soldado Teixeira e Zezé Pegatin, o membro da coordenação regional do PSDB Vinicius Bessa e o presidente da Juventude  do PSDB, Thyerre Bertone Vieira, Fernando Sá, João Lourenço e Valdir Caso.

Jornal da Cidade - A superação da recessão econômica depende da solução para a crise política?

Aloysio Nunes - Acredito que sim. Além de uma monumental inépcia administrativa, falta hoje à presidente Dilma um projeto político capaz de agregar sua base de sustentação e, sobretudo, a definição de perspectivas para o País. Hoje, sua preocupação exclusiva é evitar o impeachment. E não dá pra governar assim, muito menos deixando se aprofundar um modelo de ocupação de cargos que resulta em uma degradação ainda maior administração públicas. Ela entrega cargos importantes para quem não tem qualificação, apenas com objetivo de obter apoio e evitar que sejam atingidos os 342 votos fatais [necessários para o impeachment].

JC - O impeachment da presidente é a alternativa para a esse cenário?

Aloysio Nunes - Precisamos resolver essa questão do impeachment. Não pode perdurar o vai ou não vai. Nós da oposição já temos o ponto de vista de que a presidente é passível de punição com a perda de mandato por ter cometido crime de responsabilidade, como prevê a Constituição Federal. Essa pena é aplicada pela Câmara dos Deputados e depois pelo Senado. Já fizemos representação ao presidente da primeira Casa pedindo a instauração do processo. A maioria da população brasileira quer. Só que o Supremo Tribunal Federal, em decisão recente, coloca dúvidas sobre esse procedimento jurídico. É preciso que o STF resolva isso. O resultado será acatado, mas não podemos deixar essa questão envenenando o ambiente político e sugando as energias do País.

JC - O Supremo extrapolou suas atribuições neste caso?

Aloysio Nunes - Não. Ele foi provocado [por um mandado de segurança impetrado pelo PT]. Eu entendo que há precedentes para que a decisão sobre o prosseguimento do pedido de impeachment seja do presidente da Câmara, cabendo recurso ao plenário. Quando Fernando Henrique Cardoso era presidente, o PT protocolou 20 pedidos desse tipo. Um deles foi negado pelo Temer [Michel, então presidente da Casa]. O partido recorreu, mas o plenário reiterou a decisão. Agora, o Supremo entendeu que esse procedimento não era aplicável. Mas eles precisam julgar o mérito e a questão ser resolvida para não agravar ainda mais a situação de incerteza política, que tende a piorar o cenário econômico.

JC - O PSDB tem reiterado sua posição contrária ao aumento da carga tributária. Dá para sanar o problema das contas públicas sem criar novos impostos?

Aloysio - Cortando despesas. Falei hoje com dois prefeitos [Rodrigo Agostinho, de Bauru, e Bel Lorenzetti, de Lençóis Paulista]. Ambos estão sendo alvo de abrupta queda na arrecadação, que é consequência da recessão e das isenções de tributos concedidas pela União. Eles estão cortando gastos na carne. O governo federal tem 22 mil cargos de confiança e 32 ministérios.

JC - Esses cortes devem se restringir aos cargos?

Aloysio - Existe uma medida de gestão que precisa ser tomada por qualquer governo eficiente, sobretudo em momento de vacas magras- examinar contrato por contrato da administração pública, verificar onde tem gordura e renegociar. Foi o que Serra [senador José Serra] fez quando assumiu a Prefeitura de São Paulo, com apenas R$ 16 mil no caixa. E ainda conseguimos pagar em dia. Deu um trabalho danado. A inflação no setor público dos últimos 10 anos foi de 140%. No setor privado, de 80%. Tem alguma coisa errada nisso e não é só corrupção. A empresa sabe que vai receber com atraso. Precisa ralar para governar, com equipe competente, coisa que o governo federal não fez. Se a presidente rompesse e apresentasse projeto consistente de reformas, algumas delas urgentes, como a tributária, a trabalhista e previdenciária, combinadas com a redução drástica da burocracia e com a mudança na política externa para o Brasil entrar nos grandes fluxos de comércio, nós apoiaríamos. Mas isso não acontece.

JC - Sua posição sobre o caso Eduardo Cunha

Aloysio - Não tem condição de presidir a Câmara dos Deputados. São contas secretas no exterior e denúncias do Ministério Público. Ele não tem como continuar.