08 de julho de 2026
Geral

Comerciantes bauruenses já esperam o Natal

Cinthia Milanez
| Tempo de leitura: 3 min

Embora tímida, a decoração de Natal se manifesta em algumas lojas do comércio central de Bauru. Há exatos dois meses da data festiva, os lojistas já começam a pensar em promoções, exposição dos produtos típicos e decoração. Eles encaram a proximidade das festas de final de ano como uma solução viável para enfrentar a crise econômica.

Quem leva a sério esta época do ano é o gerente José Carlos Zaratine, que até se veste de Papai Noel para trazer alegria à garotada, mas não na loja onde trabalha. É algo que vai além da obrigação. Contudo, Zaratine também não deixa o Natal de lado enquanto gerencia o estabelecimento comercial, que vende produtos de todos os tipos.

Ele já chegou a presentear crianças, cujos pais não tinham condições de comprar sequer uma lembrancinha. “Existem mães que não têm condições de comprar e nós procuramos colaborar. Eu faço questão de presentear as crianças pessoalmente. Sinto uma alegria imensurável”, desabafa o gerente.

Além disso, a loja onde Zaratine trabalha começou a pensar nas festas de final de ano logo que acabou o Dia das Crianças. Inclusive, já apresenta algumas novidades aos clientes e uma delas é a árvore de fibra ótica, que conta com as luzes embutidas. “Nós também temos Papai Noel e boneco de neve de pelúcia, pisca-pisca em Led, presépios, além de vários enfeites”, diz.

E tem consumidor que resolveu adiantar as compras. Esse é o caso da professora Ivone Baptista Stein, 45 anos. “Já comecei a pesquisar os preços e adquirir os enfeites. Se eu deixar para última hora, as novidades se esgotarão”, justifica a mulher, que sente falta de mais ofertas antecipadas de produtos típicos por parte das demais lojas do comércio central.

Da mesma forma que o gerente José Carlos Zaratine, o comerciante Rogério Henrique Pradelli resolveu investir no Natal logo que acabou o Dia das Crianças. “Contudo, a compra dos produtos para o estoque começou entre os meses de junho e julho”, revela. Inclusive, em uma das lojas de Pradelli, os enfeites natalinos já se destacam nas primeiras prateleiras.

Mas a decoração em si ficará para novembro. Já quando chega o mês da data festiva, a rotina se transforma em correria. “Nós trabalhamos muito, porque mais faturamento decorre de mais trabalho. Até os funcionários acabam gostando, porque a pior coisa do mundo é quando você não tem nada para fazer no trabalho e, na época de Natal, a hora passa rápido”, destaca.

É nesse período que o comerciante se sente grato pela função que exerce. “Eu trabalho em um segmento que vende itens de R$ 1,00. Um dos fatores mais gratificantes é quando uma pessoa humilde chega à boca do caixa e agradece, porque terá um Natal diferenciado. Nós damos condições para que ela tenha um pouco mais de fartura por um preço acessível”, frisa.

Quem trabalha bastante nesta época do ano é o gerente de uma loja de artigos esportivos Celso Tadashi Nakamura. Ele já está pensando em uma decoração que proporcione aquele espírito natalino e chame a atenção da clientela.


Opiniões divididas

É impossível conversar com os lojistas e deixar de questionar quanto eles esperam vender durante o mês de Natal. O gerente de uma loja que trabalha com produtos de todos os tipos José Carlos Zaratine é otimista e pretende vender 5% a mais em relação ao mesmo período do ano passado. “É uma data tão sublime, que as pessoas se esquecem da crise”, completa. Todavia, não são todos os lojistas que pensam da mesma forma. Rogério Henrique Pradelli, que é sócio proprietário de uma loja de itens de R$ 1,00 acredita que não haverá queda nem aumento. Já Celso Tadashi Nakamura, gerente de uma loja de artigos esportivos, aguarda uma redução nas vendas. “Desde o começo deste ano, está complicado”, argumenta. Gerente de uma loja de vestuário, Alcindo Rodrigues Lopes Junior não parecia tão otimista, mas espera que o consumidor reaja. “Muitas pessoas recebem a primeira parcela do 13.º salário em novembro e temos de pensar de maneira positiva. Pelo menos, nós trabalhamos para que haja um aumento nas vendas”, finaliza.