10 de julho de 2026
Geral

Após 21 dias parados, bancários devem dar fim à greve em Bauru

Cinthia Milanez e Tisa Moraes
| Tempo de leitura: 3 min

Quioshi Goto
O Sindicato dos Bancários de Bauru e Região/CSP-Conlutas votou, em assembleia ontem, pela continuidade da greve, porém, afirma que deve seguir as diretrizes acatadas pela maioria do País

O Sindicato dos Bancários de Bauru e Região/CSP-Conlutas deve pôr fim, nesta terça-feira (27), à greve da categoria, que durou 21 dias no município. Embora a orientação do comando local seja por seguir a decisão pelo encerramento do movimento tomada na maioria do País, o sindicato informa que o retorno ao trabalho cabe, em última instância, a cada funcionário. Por este motivo, os clientes que precisarem dos serviços internos das agências, hoje, devem consultar os bancos.

Segundo a diretora de finanças do sindicato, Maria Bueno de Camargo, a categoria decidiu se reunir em uma assembleia ontem à tarde, antes das demais, justamente para mostrar que não concordava com a proposta de aumento salarial de 10%, oferecida pelos banqueiros. “E eles deram o mesmo percentual aplicado à Participação nos Lucros ou Resultados (PLR). Em Bauru, 114 bancários disseram não à proposta e 14 votaram a favor”, observa.

A diretora destaca, contudo, que a oferta foi acatada pela maioria do País, incluindo bases importantes, como São Paulo, Porto Alegre e Rio de Janeiro. Os votos das assembleias realizadas em Brasília (DF) com funcionários de bancos públicos mantiveram a greve. Os vinculados aos bancos privados, entretanto, também já haviam  deliberado pelo fim da paralisação da categoria.

Diante do cenário nacional, é grande a probabilidade de o movimento também ser interrompido em Bauru, já na manhã de hoje. Mas não há garantia de que todas as agências estejam com 100% de seus funcionários de volta ao trabalho, conforme destaca a diretora sindical Priscila Rodrigues.

Âmbito nacional

“Cerca de 60% dos sindicatos (até as 22h de ontem) em âmbito nacional votaram pela aceitação da proposta da Fenaban. Até por responsabilidade com os bancários que nosso sindicato representa, nos submetemos à decisão da maioria e orientamos o retorno ao trabalho. E é isso que deve acontecer”, frisa Priscila Rodrigues.

Reivindicações

Para Maria Bueno, a proposta dos banqueiros não oferece aumento real e não contempla outras reivindicações, tais como o fim das metas e as novas contratações. Em Bauru, a greve alcançou adesão de 87,5% das 72 agências já no primeiro dia de paralisação. “Nós queríamos uma perspectiva de ganho acima da inflação”, relembra.

Quanto às reivindicações, a categoria lutava por reajuste de 32,21%, que inclui as perdas salariais referentes aos oito anos do governo FHC, a inflação dos últimos 12 meses e o aumento médio do recebimento dos ativos dos 15 maiores bancos.

Já os sindicatos ligados à Central Única dos Trabalhadores (CUT), que são maioria no País, pediam aumento de 16%.

Os bancários também propunham a Participação nos Lucros ou Resultados (PLR) linear, além do fim das metas, das terceirizações, das demissões imotivadas e da mesa única de negociações.

Defasagem

Em relação aos bancos públicos, Maria defende que existe ainda maior defasagem salarial. Para se ter uma ideia, a categoria pedia reajuste de 94,51%, sendo 62,3% referentes às perdas acumuladas durante os oito anos do governo FHC. Além disso, conforme o JC já noticiou, o Sindicato dos Bancários de Bauru e Região/CSP-Conlutas, bem como os sindicatos do Rio Grande do Norte e do Maranhão, propunham a volta do gatilho salarial.

Medida pouco conhecida pelos nascidos depois da década de 1990, a iniciativa foi adotada na época do Plano Cruzado e estabelecia o reajuste automático dos salários sempre que a inflação aumentasse 20%. O gatilho dos bancários só seria aplicado em épocas de alta na inflação e a reposição salarial ocorreria a cada três meses.