11 de julho de 2026
Economia & Negócios

Temporários devem cair pela metade

Tisa Moraes
| Tempo de leitura: 4 min

A desconfiança do empresariado quanto à retomada do crescimento da economia deverá repercutir na contratação de funcionários temporários para o trabalho durante o final do ano. Segundo estimativa da Associação Comercial e Industrial de Bauru (Acib), a previsão é de que o recrutamento de pessoal caia até pela metade.

O início das contratações para o período de treinamento, que geralmente já ocorre em outubro, também será retardado, conforme analisa o economista e segundo vice-presidente da entidade, Reinaldo Cafeo. “O empresário irá trabalhar com a mão de obra já existente e, durante as compras para o Dia das Crianças, observou o comportamento do consumidor. Se perceber que há movimento, poderá fazer as contratações no começo de novembro, quando sair o pagamento dos salários”, pondera.

Em 2014, aproximadamente 2 mil  trabalhadores reforçaram o atendimento aos consumidores durante as compras de Natal e Ano Novo em Bauru. Neste ano, a estimativa é de que o número caia entre 30% e 50%, alcançando um total de 1 mil a 1,4 mil temporários.

Mesmo em menor proporção, o reforço deste “exército” é considerado imprescindível, já que, mesmo diante do momento econômico desfavorável, as vendas inevitavelmente irão aumentar nos próximos meses. Como o Natal continua sendo a principal data comemorativa para o comércio, o entendimento é de que o quadro fixo de funcionários, sozinho, não conseguiria dar conta de toda a demanda.

“Não deverão prescindir das contratações, principalmente, as lojas que dependem de atendimento individualizado, ou seja, de uma dedicação maior ao consumidor, como as do ramo de confecções, calçados e acessórios”, completa Cafeo.

Segundo o presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) de Bauru, Alceu Camargo, o momento de cautela também reflete nas projeções de crescimento do faturamento dos estabelecimentos neste final de ano, que deve ficar no mesmo patamar registrado em 2014. “Se isto acontecer, já teremos motivos para comemorar. E estamos trabalhando para isso”, pontua.

‘Freio’

Esta perspectiva de “freio” nas contratações já está sendo sentida por quem procura uma vaga de trabalho, como a auxiliar de cozinha Mariana Cristina Ribeiro, 30 anos, desempregada há cerca de um ano. Ela esteve no Posto de Atendimento do Trabalhador (PAT) do Poupatempo em busca de oportunidades e conseguiu agendar uma entrevista em um centro de compras da cidade.

“Resolvi tentar agora, no final do ano, porque as oportunidades costumam ser maiores. Vou aceitar o que aparecer, mesmo que seja temporário ou em outra função, como auxiliar de limpeza e recepcionista”, comenta.

A confeiteira Marcela Cristina Flausino, 27 anos, conta que, no seu ramo de atuação, as vendas tendem a crescer nesta época do ano. Mas, mesmo assim, ela diz que vem encontrando dificuldades para recolocação no mercado de trabalho.

“Já entreguei diversos currículos em docerias e padarias da cidade, mas, até o momento, não tive resposta. Fiz, inclusive, cadastro em algumas agências de emprego, mas está difícil”, completa.

Promoção

Para tentar alavancar as vendas neste final de ano, a CDL realizará mais uma promoção de Natal, que sorteará um Ford Ka zero quilômetro e três televisões de LED, de 42 polegadas, aos consumidores. Cada R$ 25,00 em compras dará direito a um cupom, que será gerado eletronicamente.

Com data ainda a ser agendada, o sorteio será realizado até o final do ano. Segundo Alceu Camargo, os funcionários também serão contemplados com uma motocicleta Yamaha 150 cilindradas, três televisões de 42 polegadas e dois micro-ondas, que serão sorteados pelo Sindicato dos Empregados no Comércio de Bauru (Sincomerciários).

Como tradicionalmente ocorre, a programação de Natal do comércio central também contará com decoração especial, que será inaugurada pelo Papai Noel, e horário estendido de funcionamento das lojas.

Projeção é ainda mais pessimista no cenário nacional

Se as expectativas de contratações temporárias em Bauru não são as melhores, no cenário nacional as projeções são ainda mais pessimistas. Segundo levantamento realizado pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) e pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL), nove em cada dez (88%) empresários não contrataram nem pretendem contratar funcionários para reforçar o quadro das empresas neste final de ano. Apenas 7% afirmaram que não contrataram, mas ainda o farão.

Pessoal suficiente

Entre os empresários que não pretendem contratar, quase metade afirmou que seu quadro de pessoal será suficiente, eliminando a necessidade de mais trabalhadores: 49% alegam que estão satisfeitos com a equipe e que ela conseguirá atender o volume de clientes. Outros 11% afirmam estar inseguros devido a um histórico de vendas retraídas neste ano, inclusive durante as datas comemorativas.

Ainda de acordo com a pesquisa, 45% dos empresários entrevistados acreditam que os resultados das vendas em 2015 serão piores que no ano passado e outros 28% projetam níveis iguais a 2014.

A PESQUISA

Para o estudo, foram ouvidos em setembro 1.168 empresários e gestores responsáveis pela contratação de mão de obra de empresas de serviços e comércio varejista localizadas nas capitais e interior do País. Segundo o SPC Brasil e a CNDL, a margem de erro é de 3 pontos percentuais e o intervalo de confiança é de 95%.