| Douglas Reis |
| Fim da greve e muita espera no Centro: em agência bancária localizada na quadra 7 da Gustavo Maciel, a fila dobrou o quarteirão |
Clientes ficaram mais de uma hora nas filas, que chegaram a dobrar o quarteirão. Essa era a cena em agências bancárias do Centro de Bauru nessa terça-feira (27) de manhã, no primeiro dia pós-greve, que registrou a reabertura de 100% dos estabelecimentos bancários na cidade, segundo o sindicato da categoria. Conforme o JC divulgou, o comando local havia votado pela continuidade da paralisação e que o retorno ao trabalho caberia a cada funcionário (leia mais abaixo).
A poucos minutos de abrir as portas ao público após greve que durou 21 dias, uma agência bancária localizada na quadra 7 da rua Gustavo Maciel registrava uma fila incomum, que há muito tempo não se via nem mesmo no quinto dia útil de cada mês - período de grande movimento nos bancos em razão da liberação dos salários e benefícios. A propósito: muitos dos que aguardavam por atendimento direto no caixa ontem ainda não tinham resgatado o salário de outubro.
É o caso do auxiliar de serviços gerais Luiz Mário Silva, 40 anos. Ele era um dos últimos da fila, que já virava a esquina. “Nunca vi filas assim”, espantou-se. Sem o cartão do banco, que não conseguiu renovar em razão da paralisação, Luiz ficou com o dinheiro “travado” na conta e teve que se virar nas últimas três semanas. “Estou com várias contas atrasadas. Hoje (terça-27), vou sair pagando tudo”, projetou.
Na mesma agência, o porteiro Reinaldo Alexandre de Campos, 54 anos, calculava mais de uma hora e meia na fila, que, naquele momento, já somava mais de 100 pessoas. “Acredito que os funcionários não conseguirão atender todo mundo hoje”, palpitou, porém, ressaltou que não poderia mais esperar para dar entrada no fundo de garantia, cerca de um mês depois de solicitar sua aposentadoria. “Estou precisando desse dinheiro. É difícil depender dos bancos”, desabafou.
Salário ‘preso’
Era semelhante a cena em uma agência bancária na quadra 1 da praça Rui Barbosa, também na região central de Bauru. Por volta das 10h30, a fila já chegava na calçada. Entre os clientes, o segurança Roberto Silva, 55 anos, se mostrava ansioso para resgatar o salário deste mês, que ainda não havia retirado porque perdeu o cartão na mesma época em que a greve começou, há 21 dias, na véspera do quinto dia útil.
“O serviço extra como mototaxista me salvou. O que recebo das corridas está ‘quebrando o galho’. Do contrário, estaria sem dinheiro algum”, observa. “Deixei as contas para trás e, agora, terei de pagar com juros. É complicado”, critica Roberto, que já enfrentava a fila há, pelo menos, 30 minutos.
Agências privadas
Enquanto os bancos públicos registravam grande movimento ontem, as agências privadas percorridas pela reportagem no Centro apresentavam pequeno fluxo de pessoas, como é esperado para o final do mês. De acordo com o funcionário de um estabelecimento bancário localizado na quadra 3 da Ezequiel Ramos , o impacto nesta terça não foi tanto porque os trabalhadores ali cruzaram os braços somente nos três primeiros dias de paralisação.
Em outra agência, na quadra 5 da rua Rubens Pagani, Vila Samaritana (em frente à Praça Portugal), não havia filas, mas tinha quem precisa do serviço direto no caixa, como é o caso do criador de gados Juvaner Ribeiro dos Santos, 65 anos. “Fiz algumas transações durante a greve e preciso conferir se algum cheque voltou e correr atrás do prejuízo”, ressaltou Santos, que ficou sabendo da possível reabertura dos bancos através de amigos.
100% das agências bancárias de Bauru reabriram, afirma sindicato
Todas as 72 agências bancárias e outras unidades de atendimento ao público retomaram as atividades nessa terça (27), conforme informou Paulo Tonon, um dos diretores do Sindicato dos Bancários de Bauru e Região/CSP Conlutas. Em nível nacional, bancos de mais de Estados voltaram a trabalhar. “A orientação foi seguir a decisão tomada pela maioria do País”, destaca.
Em assembleia realizada na tarde da última segunda-feira (26), conforme divulgou o JC, 114 bancários disseram não à proposta de aumento salarial de 10%, oferecida pelos bancários, contra 14 votos a favor. Porém, seguiram a decisão majoritária do País e deram fim à greve. “O melhor momento de pressionar é na hora da paralisação. Agora, vai ser difícil conseguir alguma coisa”, lamenta Tonon.
Quanto às reivindicações, a categoria lutava por reajuste de 32,21%, que inclui as perdas salariais referentes aos oito anos do governo FHC, a inflação dos últimos 12 meses e o aumento médio do recebimento dos ativos dos 15 maiores bancos. Já os sindicatos ligados à Central Única dos Trabalhadores (CUT), que são maioria no País, pediam aumento de 16%.
Os bancários também propunham a Participação nos Lucros ou Resultados (PLR) linear, além do fim das metas, das terceirizações, das demissões imotivadas e da mesa única de negociações.