10 de julho de 2026
Nacional

Desemprego é "sintoma" de demora do ajuste fiscal, diz Joaquim Levy

Leandro Colon
| Tempo de leitura: 2 min

José Cruz/Agência Brasil
Para o ministro, “o Brasil tem de ser olhado de maneira positiva”, sem ter torcida negativa”

O ministro da Fazenda, Joaquim Levy, afirmou em Londres que o crescimento da taxa de desemprego para 8,7%, divulgado nessa quinta-feira (29), é fruto da demora da aprovação pelo Congresso das medidas fiscais do governo.

“As pessoas não podem só olhar os sintomas, você tem de ver a causa. O desemprego e a inflação são sintomas de que o problema fiscal ainda não foi tratado com a energia que precisa ser tratado. Para isso, a gente precisa de medidas e eu sei que tem muita gente no Congresso que sabe disso e que está trabalhando”, afirmou.

Com a economia em recessão e incapaz de gerar novos postos de trabalho, a taxa de desemprego nacional foi de 8,7% no trimestre encerrado em agosto. Trata-se da maior taxa da série histórica, que teve início em 2012. A taxa era de 6,9% no mesmo período do ano passado e de 8,1% no intervalo anterior (março a maio).

O valor corresponde à expectativa de analistas consultados pela agência internacional Bloomberg, que previam a taxa em 8,7%. Os dados são da Pnad Contínua, pesquisa de abrangência nacional sobre mercado de trabalho divulgada pelo IBGE ontem.

Segundo o ministro da Fazenda, as empresas não abrem novos postos de trabalho à espera do ajuste fiscal, o que, argumenta o ministro, gera desconfiança com o futuro da economia no País. Entre as medidas em discussão está a recriação da CMPF, que encontra resistências no Congresso.

“Por isso, a gente tem que dar essa sinalização para a economia poder responder. Porque se as empresas estão receosas, não sabem quando a questão fiscal vai ser resolvida, é lógico que começam a se contrair. Aí você acaba gerando o desemprego por causa da ambiguidade do que está acontecendo”, disse Levy, em entrevista coletiva a jornalistas brasileiros e estrangeiros na embaixada do Brasil, em Londres.

O ministro ainda mandou um recado aos críticos de sua política econômica: “O Brasil tem de ser olhado de maneira positiva. Não pode ter torcida negativa. A gente vai mais uma vez superar aqueles grandes problemas que as pessoas apontam no curto prazo”.

Levy encerrou nessa quinta (29) uma agenda de dois dias em Londres. Pela manhã, se encontrou com o ministro de Finanças britânico, George Osborne. Na viagem, o ministro destacou as medidas que vem tomando e apresentou os projetos de investimento em infraestrutura.

Na entrevista coletiva, jornalistas britânicos questionaram Levy sobre ações de curto prazo que poderiam ser adotadas pelo governo para recuperar a credibilidade externa e quando exatamente seriam implementadas. O ministro respondeu que não poderia dar uma “data certa” e disse que a “deterioração” econômica é decorrência da combinação do déficit no Orçamento com o cenário de incertezas.